terça-feira, 26 de junho de 2001

Curtas d'Orfeu

ESTREIA DO ESPECTÁCULO FINAL "OS CANTAUTORES"
Estreou, com êxito absoluto, na vila transmontana de Alijó no passado dia 22 de Junho, o último espectáculo do Ciclo "Os CantAutores", aquele que congrega repertório dos três cantautores vindos a retratar pela d'Orfeu durante este ano (Sérgio Godinho, José Afonso e Fausto) e que circulará, neste novo formato, pelo país durante todo o Verão. A apresentação do espectáculo da d'Orfeu no evento "Alijovem 2001" empolgou a assistência e tirámos a limpo a força deste espectáculo, prestes a ser apresentado em Águeda, já no dia 6 de Julho.

TOQUES DO CARAMULO EM ÉVORA
A d'Orfeu recuperou o trabalho artístico desenvolvido o ano passado em parceria com a Associação Etnográfica "Os Serranos", baseado no repertório tradicional da zona serrana. O espectáculo "Toques do Caramulo", em novo formato, estreará amanhã 27 de Junho em Évora, na edição deste ano da Feira de São João. Este trabalho vem também potenciar muito do trabalho musical desenvolvido no curso "Tocata - Formação em Músicas Tradicionais", em funcionamento permanente há cinco anos na associação.

ANDAMENTO EM ANDAMENTO
Também o colectivo Andamento se vai desdobrar em participações nas próximas semanas:
- 28 de Junho - "Felizmente Há Sarau" / Escola Secundária Marques de Castilho;
- 30 de Junho - Semana Cultural do Instituto Duarte Lemos;
- 6 de Julho - Participação especial espectáculo "Os CantAutores" no "Festival O Gesto Orelhudo";
- 19 de Julho - Programa de geminação Águeda-Saint-Gillis / Cine-Teatro São Pedro;
- 20 de Julho - Participação especial no espectáculo "Os CantAutores" em Vila Nova de Cerveira;
- 21 de Julho - Festival Multi-Cultural "Etnias de Braços Abertos", org. Associação Cigana de Águeda.

D'ORFUSÃO ARRANCA A 4 JULHO
Chegam já dia 4 de Julho as comitivas da Eslovénia, Hungria, Bélgica, para dar início ao intercâmbio "d'Orfusão" que juntará em Águeda cerca de 40 jovens daqueles países que, durante 10 dias conceberão um espectáculo multi-artístico a apresentar a 14 de Julho. Entretanto, a par de um vasto programa de trabalhos e actividades, estes jovens artistas participarão ainda activamente na dinamização da baixa da cidade, no dia 8 de Julho, com uma série de animações de rua. O espírito universalista da arte assentará arraiais naqueles dias em Águeda.

O GESTO ORELHUDO À PORTA
O Gesto Orelhudo está à porta (abre a 5 de Julho com programa duplo no Espaço d'Orfeu e no CEFAS) e tudo se tem feito para vir a ser um momento marcante de mobilização popular em Águeda, em todos os dez dias da festa. Arquitecta-se a última logística. Adaptam-se os espaços. Mobilizam-se os voluntários. Telefonemas, faxes e e-mails a topo. Fazem-se contas à vida. Rios de informação entram e saem da d'Orfeu. A promoção do festival ainda mal começou e já toda a gente sabe. Durante esta semana que antecede o arranque, a d'Orfeu vive outro festival: o festival da azáfama.

sexta-feira, 15 de junho de 2001

Etnias de Braços Abertos

encontro multicultural da juventude em movimento
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Sábado 21 Julho
Recinto da Escola Secundário Marques de Castilho
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org.: Associação Cigana de Águeda
apoio: d'Orfeu - Associação Cultural/Projecto Saga Cigana

O Festival Multi-Cultural promovido pela Associação Cigana de Águeda no próximo sábado 21 de Julho, faz a apologia da convivência étnica e pretende ser uma festa multi-cultural do palco à plateia. No recinto da Escola Secundária Marques de Castilho, a partir das 15 horas e pelo serão dentro, termina com uma grande noite de música cigana.

A parceria da d'Orfeu com a Associação Cigana é continuada em função de um fascínio pela cultura cigana, procurando resgatá-la para o público em geral e vem na sequência da realização conjunta dos Festival de Música Cigana, no ano passado.
Esta cumplicidade encerra a vivência de uma cidadania a acarinhar por toda a comunidade local. A d'Orfeu vem desenvolvendo, há algum tempo, um trabalho de pesquisa e desenvolvimento artístico com base na cultura cigana, pretendenso-se que nesta fase se mobilize também a comunidade para a temática, através de iniciativas com dimensão pública e visível, como é o caso deste festival.
Saliente-se no programa, depois depois de uma tarde multi-cultural com motivos de interesse diversos e a anteceder uma grande noite de música cigana, dois trabalhos artísticos baseados na cultura daquela etnia, desenvolvidos no seio da Escola Marques de Castilho e da d'Orfeu.
No ambito do projecto Saga Cigana, que vem apadrinhando o desenvolvimento destas actividades, prolongar-se-à até final deste ano um calendário de iniciativas sobre a temática, com a realização de seminários, exposições e espectáculos.

domingo, 27 de maio de 2001

Especial d'Orfeu na Europa

em Kudowa Zdrój (Polónia)
A d'Orfeu estará representada por Luís Fernandes em Kudowa Zdrói (Polónia), de 31 de Maio a 3 de Junho próximos, no "European Youth Organizations Forum", iniciativa destinada a cerca de 45 representantes de organizações juvenis de toda a Europa ligadas ao desenvolvimento dos programas comunitários de mobilidade para o sector da juventude. Tratar-se-à de um ponto de contacto privilegiado entre estruturas potencialmente parceiras no futuro, seleccionadas de entre as mais activas nesta área, decorrido um ano de vigência do programa "Juventude". O convite dirigido à d'Orfeu, naquela qualidade, permitirá ainda estabelecer um primeiro contacto com uma jovem voluntária polaca, entretanto já seleccionada para prestar o seu serviço em Portugal na d'Orfeu a partir do mês de Setembro próximo.

em Senise (Itália)
Nas mesmas datas (31 de Maio a 3 de Junho) o representante da d'Orfeu Aníbal Almeida desloca-se a Itália, onde acontecerá a visita preparatória de um intercâmbio multinacional subordinado à temática da educação não-formal, a realizar na cidade italiana de Senise em Maio de 2002. Esta visita pretende provocar um primeiro contacto com os diversos parceiros envolvidos no projecto (Itália, Grécia e Portugal), no sentido de contribuir para a construção do programa de intercâmbio e de fazer a prospecção das mais-valias que cada organização juvenil emprestará ao projecto.

e em Águeda
Foi já conhecida a notícia da aprovação, ao nível da Comissão Europeia e do IPJ (agência nacional do programa "Juventude"), do projecto de intercâmbio "d'Orfusão", aquela que vai ser a primeira experiência da d'Orfeu na qualidade de anfitriã e que terá lugar em Águeda em Julho próximo, com a presença de comitivas da Hungria, Eslovénia e Bélgica. Teve já lugar uma visita preparatória dos animadores daqueles países à d'Orfeu e à cidade de Águeda, há um mês atrás, e multiplicaram-se agora os trabalhos de preparação para receber o intercâmbio, garantidos em larga escala pela comitiva de jovens que foi intérprete, há um ano atrás, da primeira experiência de mobilidade europeia da d'Orfeu, participando numa acção em Leicester, na Inglaterra.

Todas estas acções se realizam ai abrigo do programa "Juventude".

quarta-feira, 23 de maio de 2001

...isto é Trigo Limpo!

1 de Junho, 21h45
"Sexo, Sim Obrigado ou A Arte de Folgar"
Polivalente Escola Secundária Adolfo Portela
parceria d'Orfeu/Escola Secundária Adolfo Portela
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8 de Junho, 21h45
"Se Chovesse, Vocês Estragavam-se Todos"
Auditório Centro Comunitário Recardães
parceria d'Orfeu/Centro Comunitário Recardães/Macer
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15 de Junho, 21h45
"Soltar a Língua"
Auditório CEFAS
parceria d'Orfeu/Câmara Municipal Águeda/ Paróquia Águeda
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Duas novas prouduções tatrais do Trigo Limpo teatro ACERT e a reposição de um espectáculo que por cá dispensa apresentações, compoem a temporada que a companhia traz a Águeda, pela mão da d'Orfeu, já durante o mês de Junho.

À data, o Trigo Limpo multiplica, de agenda plena, a sua vocação itinerante por todo o país, com seis espectáculos e cena neste ano de 2001. Águeda verá nesta série "Sexo, Sim Obrigado ou a Arte de Folgar", "Se Chovesse Vocês Estragavam-se Todos" e "Soltar a Língua", com apresentações às sextas feiras, em três salas diferentes.

A cooperação estreita da d'Orfeu com a Acert vem sendo natural: no ano passado cinco músicos da d'Orfeu integraram o elenco do "Memoriar", espectáculo que repetiu em Hannover o êxito da Expo'98. Já este ano, o Novo Ciclo em Tondela tem vindo a acolher o conjunto de espectáculos do Ciclo Os CantAutores, trabalho artístico da d'Orfeu actualmente em cena. Em Julho próximo, o Tom de Festa e O Gesto Orelhudo repartirão entre Águeda e Tondela diversa programação conjunta, continuando uma boa prática anterior. Esta irmandade permite o pequeno devaneio de, agora, por cá recebermos o que de melhor se faz de teatro em Portugal, vindo gente de espírito tão próximo ao nosso.

A empatia do público de Águeda para com a ACERT instituiu-se aquando do monumental "Aua Gaciar", que encerrou há dois anos o Festival O Gesto Orelhudo, perante uma Casa do Adro repleta como nunca. O "Soltar a Língua", por exemplo, agora numa nova versão com mais músicos convidados, completará 4 apresentações em Águeda no espaço dos últimos dois anos, sempre com lotações esgotadas: foi assim em 1999 nO Gesto Orelhudo e no OuTonalidades e, no ano 2000, no Cinco Anos É Todos os Dias. Para além disto, temo-nos cruzado por trilhos culturais que também tanto dizem aos nossos públicos.

A pertinência desta série de espectáculos está justificada à partida: em Águeda...isto é Trigo Limpo!

quinta-feira, 10 de maio de 2001

Ciclo Os CantAutores - espectáculo FAUSTO

qui 17 Maio Vila Nova de Cerveira
Cine-Teatro Bombeiros Voluntários 21h30

sex 18 Maio Tondela
Novo Ciclo ACERT 22h00

sáb 19 Maio Sabugal
Salão da Junta de Freguesia 21h30

A obra de Fausto inspira o guião do terceiro espectáculo do Ciclo Os CantAutores, em cena neste mês de Maio, interpreatdo pela associação d'Orfeu, de Águeda. Depois de dois espectáculos que encantaram as plateias do país surge a música de Fausto, o terceiro e último cantautor homenageado pelo Ciclo.

"Este desplante de tocar Fausto!... o cantautor das quase oníricas narrativas da expansão marítima portuguesa e que também o foi canto de intervenção.
A tentativa de descolagem das matrizes identificativas de uma apuradíssima sonoridade na obra recente de Fausto, parece-nos algo verdadeirmanete pretensioso, pelo que nos refugiamos em alguns nichos da sua obra que parecem permanecer intactos. A reinvenção musical da sua obra, neste terceiro espectáculo do Ciclo Os CantAutores, percorrerá as diversas facetas do cantautor Fausto, dos seus tempos mais intervencionistas à linha temática épica que hoje pontua a sua obra e que perpetuará Fausto como rosto e alma de uma música de excepção." [do texto de apresentação do espectáculo]

O espectáculo dedicado a Fausto completa a trilogia de um ciclo que homenageou já Sérgio Godinho (em Março) e José Afonso (em Abril), com apresentações em Águeda, Aveiro, Ourique, Sabugal, Tondela, Tavira e Vila Nova de Cerveira, numa múltipla assegurada pela d'Orfeu em parceria com diversos promotores.

O Ciclo Os Cantautores, que ainda prevê a apresentação de um espectáculo final dedicado aos três cantautores, trata-se do mais ousado empreendimento criativo desta associação, até à data e reflete uma impressionante regularidade com que tem surgido aos olhos do público desde há cinco anos, enquanto estrutura promotora que mais projectou Águeda como destino cultural privilegiado.

Por dificuldades organizativas da própria associação, o espectáculo dedicado a Fausto neste mês de Maio não será apresentado em Águeda. Contudo, a cidade terá oportunidade, em Julho próximo, de acolher o espectáculo final do Ciclo, dedicado aos três cantautores cujas obras foram reinventadas pela d'Orfeu, Fausto incluído.

O Ciclo Os CantAutores é um trabalho de criação da d'Orfeu e conta com o apoio do IPAE/Ministério da Cultura.

quinta-feira, 19 de abril de 2001

Cá e Lá

em França
Visita de preparação a Bordéus
O animador Luís Silva, da d'Orfeu, partiu para Villandraut na região de Bordéus (França), onde até 22 de Abril, participa numa visita de preparação de um intercâmbio que ali ocorrerá em Setembro deste ano, no qual a d'Orfeu participará, então sim, com uma comitiva portuguesa alargada, entre outras, de Itália, Espanha e França. A acção será dedicada ao património arquitectónico e à herança cultural de Aquitaines, sendo que esta visita pretende provocar um primeiro contacto com os diversos parceiros envolvidos no projecto, no sentido de alinhar o programa e de fazer a prospecção das mais-valias que cada organização juvenil levará ao intercâmbio.

em Portugal
d'Orfusão também aquece motores
Entretanto, de 21 a 26 de Abril, estarão em Águeda os animadores das três organizações juvenis da Hungria, Eslovénia e Bélgica, parceiras da d'Orfeu num intercâmbio que por cá se realizará já em Julho próximo. Nesta visita preparatória a d'Orfeu, como anfitriã, e os parceiros terão oportunidades de fazer o reconhecimento das condições logísticas para o acolhimento das comitivas e debruçar-se-ão no alinhamento do programa de actividades.
Tratar-se-á de um encontro que acolherá cerca de 30 jovens artistas daqueles países (para além dos portugueses) com vista à concepção de uma performance multi-disciplinar ao fim de duas semanas de permanência em Águeda. O intercâmbio que dá pelo sugestivo título "d'Orfusão" resulta do sonho trazido de Leicester (Reino Unido), no ano passado, pela comitiva de jovens músicos que ali abraçou a diversidade europeia e a quis trazer para o seio da d'Orfeu.

Ambas as acções se realizam ao abrigo do Programa "Juventude"

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001

d'Orfeu dedica espectáculo a Sérgio Godinho

Estreia 2 e 3 de Março

Estreia no Auditório do CEFAS em Águeda, nos próximos dias 2 e 3 de Março, pelas 21h30, o espectáculo musical que a d'Orfeu dedica à obra de Sérgio Godinho, integrado no Ciclo Os CantAutores.

Este primeiro espectáculo do Ciclo Os CantAutores baseia-se na quase totalidade da discografia de Sérgio Godinho, desde álbuns tão antigos como "Pré-Histórias" (1972), até ao novo "Lupa", editado no ano passado já no moderníssimo formato de CD (!). O processo criativo da d'Orfeu centrou-se na recuperação de muitos temas entretanto ficados à sombra dos grandes "clássicos" de Sérgio Godinho, a todos emprestando novos arranjos. Certo é que toda a obra editada será repleta de marcos brilhantes da genialidade deste cantautor. O percurso ímpar de Sérgio Godinho arrasta diferentes gerações de há 30 anos a esta parte. Dos tempos da forte cantiga de intervenção aos de uma actualíssima sonoridade, todas as facetas de Sérgio Godinho se retratam nesta homenagem da d'Orfeu.

O espectáculo dedicado a Sérgio Godinho é o primeiro de um ciclo que homenageará ainda José Afonso (em Abril) e Fausto (em Maio), sempre com apresentações em Águeda, Vila Nova de Cerveira, Tondela, Sabugal e Ourique, numa itinerância múltipla assegurada pela d'Orfeu em parceria com diversos promotores.

O trabalho criativo que sustenta este ciclo de espectáculos decorreu nos últimos anos pela mão de Luís Fernandes (que assegura a direcção musical de todo o ciclo), sob os auspícios e anseios da d'Orfeu - Associação Cultural, enquanto estrutura de produção musical e senhora de um elenco imenso de músicos cujas vivências artísticas abrangentes tornam mais universalista o desenvolvimento deste repertório.

O Ciclo Os CantAutores que agora faz arrancar os espectáculos temáticos, depois de em Janeiro ter juntado Sérgio Godinho, José Mário Branco, Amélia Muge, entre outros no Seminário sobre o tema, trata-se do mais ousado empreendimento criativo desta associação até à data e reflecte uma impressionante regularidade com que tem surgido aos olhos do público desde há cinco anos, enquanto estrutura promotora que mais projectou Águeda como destino cultural privilegiado.

O Ciclo Os CantAutores é um trabalho de criação da d'Orfeu e conta com o apoio exclusivo do IPAE/Ministério da Cultura. Os bilhetes estão à venda previamente na d'Orfeu e, nos dias dos espectáculos, no Auditório do CEFAS.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001

O Seminário "Os CantAutores"

O tema do Seminário d'Orfeu deste ano surge por ocasião da aparição em cena de um ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três CantAutores portugueses (Sérgio Godinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos a partir de Março de 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.

A cidade de Águeda, enquanto sede do ciclo "Os CantAutores", para além de estrear cada um dos três espectáculos, recebe também a primeira actividade paralela: O Seminário, mobilizando desde logo os públicos em trono das ideias-base que presidem ao ciclo "Os CantAutores". E é com a presença de figuras ligadas ao meio artístico e, no caso, umbilicalmente ligadas ao fenómeno dos cantautores, que acontece, de novo, a costumeira tertúlia sobre imaginários colectivos.

PARTICIPANTES
  • Sérgio Godinho
    palavras soadas no elixir da juventude

  • José Mário Branco
    o som da vontade de cantadizer

  • Amélia Muge
    a cor emprestada pelo timbre à palavra

  • João Lóio
    encontros e segredos do acto cantautor

  • Américo Rodrigues
    vozes e sopros ao encontro da poesia visceral

  • Fran Perez
    música de colorir palavras sonhadas

  • Carlos Santiago
    o tropa tor

  • José Rui Martins
    soltar a língua acenando e encenando texto

  • José Alberto Ferreira
    um pé no traço outro no som

  • Maria João Serrão
    a escrita não fica por aí, sai soando e bailando

Seminários Anteriores

21 Janeiro 1996
Os Instrumentos Tradicionais
com Manuel Tentúgal e Pedro Bento

A temática deste Seminário complementou, desde logo, a actividade então encetada pela d'Orfeu. Decorria à data - no âmbito do programa de apresentação pública da associação - uma exposição de instrumentos musicais portugueses, que funcionou como suporte físico do debate de ideias.

28 Dezembro 1996
A Improvisação nas Músicas do Mundo
com José Duarte

Com a participação de José Duarte - do "Outras Músicas" na RTP e do "5 minutos de jazz" na Antena 1 - este Seminário veio dar mais uma remada ao culto musical, vertente essencial da actividade artística da associação.

27 Dezembro 1997
Um Instrumento Chamado Voz
com Coro Cramol

A voz como instrumento foi o mote para percorrer as músicas do mundo, através da música étnica, do jazz, da música erudita, o rap, enfim a "world music". Foi esta a temática proposta para conversar, ouvir, ver e cantar.

3 Janeiro 1999
Música no Teatro, Teatro na Música
com José Filipe Pereira, José Rui Martins, Virgílio Caseiro, José Salgueiro e João Lázaro

Dadas as então recentes relações da d'Orfeu com o universo do teatro e na perspectiva da realização de um festival músico.teatral em Julho, a realização do Seminário com a temática proposta pretendeu envolver públicos e agentes culturais em torno da ideias-base desta relação artística.

9 Janeiro 2000
Tradição versus Inovação
com José Filipe Pereira e Arnaldo Carvalho

O que representará ter um pé na tradição e outro na inovação? Esta discussão, mais que conclusiva, foi bandeira de uma universalidade artística que se retrata cada vez mais na miscigenação de dois conceitos.

sábado, 20 de janeiro de 2001

Orlandinho

A
Guimarães Rosa
José Craveirinha
Mia Couto
Orlandinho Chale
José Rui Martins
para quem o abraço é o maior valor humano

- Mato não é mais lugar de menino. Todos os dias, vem soldado e mata. todos os dias morre bicho, morre palhota, morre gente, mas menino falta tempo de morrer. Amanhã, tu, mulher, prepare os trouxa, acomoda castanha de caju e amendoim pra presentear família e vais na casa de Jacinto, no Maputo.
Ele há-de bem acolher seu irmão.

Escutei seriedade de meu pai, do outro lado do adobe. Meu choro se enrola na esteira e se confundia com soluço escurecido de minha mãe.

- Mas ele é menino em demasia - era minha mãe a semear as lágrimas de palavra. Não conhece as sombra corrida de cidade grande. Só aprendeu mesmo vagar de cacimbo tonto, pressa de manhã e noite e fustigo de chuvada quente.

- Orlandinho tem muito esperto no cabeça dele. Jacintinho há-de ilustrar seu alfabeto, de bazar de cidade, de mercado, de machimbombo, de menina, de político, de dinheiro...e agora me deixe dormir, que amanhã é outro dia de permanecer.

E foi este conversar que me baleou no mundo.

Jacinto, meu sobrinho, me recebeu com abraço exclamatório e sua mulher me tratou de matumbinho. Minha sobrinha pôs olho de urubu no meu jaleco de mato e no meu pé gretado, floreado de sandália, mas depois de desfez em casquinada de riso.

- Tche, tio, tu me parece boneco de caderno enfastiado!

Me engasguei de gargalhada com palavra de menina que me via no livro, ao lado de acento, muito gravíssimo. Eu, que nunca fui escola. Me pareceu elogiosa a gozação de parente formiguenta.

Nos amanhã seguinte se desertou toda a casa do meu irmão. Glorinha, nome de minha cunhada, se ausentou bem cedo, repenicando dois beijo na boca de meu irmão e Joaninha se equipou de saco grande nas costas, me atirou dois olhos cheios de macaquice, jogando de sobe-e-desce, e se pendurou no bração de seu pai. De uma caixa de festança, (transitor, me ensinou meu irmão) saía tamborilar de marímbas e batuque de tambor.

- Pode ouvir rádio, todo tempo que você quiser simpatizou meu irmão.
- Tche, pá, me parece terreiro de nossa aldeia, em noite de felizmente.

Me abeirei da música e meu corpo se festejou de marrabenta que saía de todo o lugar de aparelho. Me confundia de onde podiam estar tocando, se transitor não era salão de baile. Me exclamava! Como se metia artista, numa caixa tão pequena? No mato, tinha música de passaroco, conversa fiada de macaco, e, em noite de fogueira grande, matraqueio de tambor, crepitança de fogueira, grito de guerreiro, apito de bailarino, canto de mulher, que folhedo espanejava no silêncio. Me transportei até meu sertão de nascimento e me embalei com olhos de Pascoalina, menina de minha criação e de corpo muito adamado. Interrompia meu deambular, voz de homem, comerciando sapato de luxo. Toda a hora prosseguiu adormecida de festejo entrouxado.

Todos dia, a casa ora se silenciava, ora se povoava de corrida de Joaninha e da chatiação de Glorinha. Jacinto me deixava sozinho e eu me confundia com as sombra.

Um dia, me resolvi visitar rua grande, essa que se balança, perfumada em jacarandá e à noite se estreleja na baía. Nos cafés, se formigava de gente. Me atraiu tamanha trepidação. ninguém se importou com minha boa-noite e me concentrei no rádio grande de onde saía tombazana, rapariga mito dengosíssima, pavoneando coxa torneada e gigantão, com voz melosa de abacaxi. Se transitor me parecia macumba de feiticeiro velho, me assombrei superiormente, com corpo se alinhado em transparência de televisor. Mundo de mato era coisa e antigamente, acontecimento de facto mesmo, se acontece, acontece, não parece! Se Jacinto tivesse televisão, eu podia espreitar por todas as traseiras daqueles mundo ambulante e descobria mesmo o mistério de gente de fantasia. Meu irmão comprava, se Glorinha pedisse. me interrompi de lembrança de parente. Meu irmão se havia de perguntar, onde eu estaria deambulando. Voltei no bairro, caminhando a noite e me enluarando de candeeiro no poste. me esperava palavra aguda de aviso. Na cama, meu sonho se imaginou de rio saindo dos bordejo, árvore do mato acenando guiso e batucando, capim na queimada festejando seu baile vermelho, guerreiro fermentando seus salto, missanga cabriolando em peito de bailarina, flor de cajueiro odorando mulher e todo sertão se metendo em televisão. Quando Pascoalina ia-se rebolar nos meus olho, uma corrida de Joaninha entrou no sonho e me acordou com sonorento aguaceiro.

Mas todo o dia se inundou meu pensamento, de mistério. O rádio me questionava ainda, mas não espelhava pessoa. E hoje ele se roufenhava, engasgando barulho. Jacinto me recomendou que o levasse na oficina, que seu Tomazinho era seu amigo e havia de o descomplicar. Levei o aparelho no consertador e fiquei olhando maningâncias de oficineiro. Bem que enfiava os olhos no parafuso, nas pilha, nas peça redonda encaixando em tubo, mas não via sítio, onde coubesse voz. Minha cabeça se desfazia em perguntações.

Meu irmão ignorava meu analfabetismo e eu regressei na cidade de jacarandá. Eu queria mesmo aprender feitiço de televisão. Me carreguei de atenção e me iluminei de ideia nova.

Eram férias de Joaninha e ela se companheirava de brincadeira com outras menina. As convidei no meu quarto, se acomodei em branquinho, e me deslocava na varanda, por trás do vidro, acenando e gesticulando, me desfazendo de rir, como fazia artista de televisão. Joaninha, nos primeiro minuto, se intervalou de risada e me olhava com olhar de desentendimento, mas amiguinha começou a acenar, a bater palma, a se escangalhar de rir com minhas momice e Joaninha se emparceirou no aplauso. Eu me empolgava e aumentava minha teatrice, mudando minha personagem, compondo minha história.

Menina me pedia agora espectáculo diário e eu enchia meu tempo compondo caso. Joaninha ficava sendo conhecida como tendo tio de historiação. As palma de menina me levaram a construir meu teatrinho de caixa de cartão e levar no mercado, para entreter vendedeira.

Comecei contando história para mulher.

- Tche, Orlandinho, põe pimenta na janta!

E mulherio se ria desbocado, pedindo amor de invenção. No fim de cada sessão, moedas choviam no meu prato e eu fui investindo no meu teatro ambulante. Um dia, um amigo me levou no cinema e me maravilhei com história de amor. Se eu contasse filme no mercado, meu aplauso ia crescer. De noite, me acudiam personagens, que se beijavam, se rebolavam, se ansiavam de ais e de uis e se queriam meter em filme de adulto. Decidi que tinha de arrnajar cortininha, contar minha história no escondido da sombra, lhe dar palavra de namoro e suspiração de maor. Vendedeira me pedia sempre história mais atrevida. Público crescia, quando o filme era de caso nocturno.Minha falta de dinheiro foi-se minguando. Comprei altifalante, para espalhar mais sonoro na assistência.

Resolvi que já podia morar só comigo, em quarto de rua grande. Glorinha se aliviou de seu olhar de embondeiro enfastiado, Jacinto me questionou se meu teatro era substantivo e eu lhe disse que sim, me sustentava, me vestia e me pagava acomodação. Só Joaninha pranteou um choro pequenino por seu artista parente.

E agora tenho uma banca no mercado. Vendo fantasia barata. Me chamam de Orlandinho, o do teatro de sombras. um dia, artista grande passou. Parou, ouviu meu filme de adulto, me chamou de companheiro, me convidou no Potugal. Tche pá, que mais havia de querer teatreiro de cartão? Assim fiz um amigão, que me trouxe no Tondela, no Águeda, emtanta terra bonita. Nome do amigão é de José Rui Martins. Também teatrei no Espanha, mas onde me sinto irmão é aqui mesmo, em Portugal, na terra de me entender, de me gostar, na capital, na ACERT, na d'Orfeu, onde alguém queira me ver e me ouvir, num teatro de cartão. Meu nome se apresentou no começo da história: Orlandinho Chale!

Me desculpem arrasoado sem letras, mas eu ser muito pouquíssimo escola!

Odete Ferreira

quarta-feira, 10 de janeiro de 2001

Seminário "Os CantAutores" - ponte para novas ousadias!

A d'Orfeu, na última tarde de domingo, abriu as hostilidades a mais um ano de produção cultural em Águeda, sob o lema que norteará o seu trabalho de criação deste primeiro semestre de 2001: "Os CantAutores"
A avidez deste publico que encheu a sala da Fundação Dionísio Pinheiro para uma costumeira tertúlia, desta vez, informalmente dinâmica, e a presença de Sérgio Godinho, José Mário Branco, Almeida Muge, João Lóio, José Alberto Ferreira, Fran Perez, Carlos Santiago, deram mais uma remada a este barco cuja navegação já vai alta.

Mobilizados desde já os públicos em torno das ideias-base que presidem a "CantAutores" é tempo de ansiar pela aparição em cena do ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três cantautores portugueses (Sérgio Gidinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos no primeiro semestre se 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.
Este seminário - primeira actividade paralela do ciclo - reforça vontades cada vez colectivas de ousar viver culturalmente em Águeda. Dizem por aí.