sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Gaita-de-Foles à semana + Aula Grátis também para adultos + Datas dos Cursos Mensais Outubro

Oferta formativa da EMtrad’
em várias frentes.


Finalmente, aulas semanais de Gaita-de-Foles
Após os primeiros tempos apenas em regime de Curso Mensal, já há horário semanal para aprender Gaita-de-Foles na EMtrad’. O formador Ricardo Coelho, gaiteiro portuense de inúmeros grupos da cena folk, dá aulas em Águeda, na d’Orfeu, às terças-feiras das 18h em diante. Para interessados em aprender gaita-de-foles!

Aula Grátis Semanal também para jovens e adultos (quartas 19h-20h)
Além da Aula Grátis para crianças às quartas no horário 18h-19h – uma aposta ganha pela EMtrad’ desde há meses -, também os jovens e adultos têm agora um horário dedicado às suas dúvidas ou interesses musicais: também às quartas, mas das 19h à 20h. A Aula Grátis Semanal é dedicada a todas as pessoas que, de qualquer condição, queiram musicalmente aprender, experimentar, conhecer ou esclarecer-se. Sem inscrições. Absolutamente aberta.

Cavaquinho é novidade nos Cursos Mensais
Em Setembro retomaram os Cursos Mensais de Concertina e Gaita-de-Foles e introduziu-se a novidade Cavaquinho. As inscrições estão abertas para os Cursos Mensais de Outubro, a saber: Concertina - instrumento que mais procura regista, com alunos de diferentes proveniências geográficas - Bandolim, Percussão e Voz (todos a 13 e 14 Outubro), Cavaquinho (20 Outubro) e Gaita-de-Foles (21 Outubro).


inscrições e informações na d’Orfeu

CURSOS SEMANAIS E MENSAIS
BEBÉS COM MÚSICA
AULAS GRÁTIS SEMANAIS
BOLSAS DE ESTUDO
APOIO GRUPOS FOLCLÓRICOS
CORO INFANTIL
VISITAS PEDAGÓGICAS


http://www.dorfeu.com/

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Abriu em grande estilo o 6º Festival "O Gesto Orelhudo"

Muito público no primeiro fim-de-semana do Gesto Orelhudo!



Foi um Cine-Teatro São Pedro com lotação mais que esgotada que acolheu o inusitado concerto “The First Vienna Vegetable Orchestra” na abertura do 6º Festival “O Gesto Orelhudo”. Os austríacos espantaram a audiência com a versatilidade sonora dos vegetais comprados no mercado da cidade. Um concerto insólito de música contemporânea, cuja rara estética subverteu os cânones e deu um contributo providencial às novas expectativas culturais de Águeda.

Reflexo do entusiasmo que já gera o festival, foi ainda heróica a participação de centenas de espectadores de todas as idades na tarde de domingo, horas a fio, não perdendo pitada da Tardada Orelhuda. Com este non-stop de espectáculos, novidade no Gesto Orelhudo, o festival abraçou de vez a criançada! Uma sequência que incluiu o “Concerto para Pássaros e Outros Palradores”, o “Monólogo a Duas Vozes”, o marionetista brasileiro Beto Hinça com “Chico Lua & Cia”, o primeiro “Bebés com Música” e que terminou na tenda do Espaço d’Orfeu, já chegava a noitinha, com o magnífico “Unforgettable” dos catalães Trukitrek, fechando da melhor forma a primeira Tardada Orelhuda da história. Uma maratona realmente inesquecível na qual Águeda pôde ali adivinhar o seu público cultural de futuro.

O 6º Festival “O Gesto Orelhudo”, que apresenta um recheado programa internacional até ao próximo sábado, já está a ser uma festa de participação inigualável, com a cidade e a região positivamente de orelhas no ar.

DESCARREGUE O PROGRAMA COMPLETO DO FESTIVAL NESTE LINK
http://www.dorfeu.com/eventos/orelhudo/2007/img/livrinhofogo07_digital.pdf



http://www.dorfeu.com/

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Marcado a ferro e FOGO

Retrospectiva das 5 edições do Festival O Gesto Orelhudo (FOGO)
Fausto Ferreira


Relembrar os diversos Gestos Orelhudos não é tarefa fácil mas tentarei estar ao nível destes festivais o que é ainda mais difícil.
Do longínquo ano de 1999 recordo-me vivamente do mais espectacular espectáculo ao ar livre que vi (perdoem-me o pleonasmo). “Au Gaciar” foi qualquer coisa que me deslumbrou e encantou. Guardo religiosamente um cartaz da “viagem teatral ao fim do milénio”. Recordo ainda os ritmos quentes dos “Samba Lêlê” ou Piazzola reinventado pelos “4Portango”. Naquele dia o puto de 15 anos ficou marcado a ferro e FOGO.
Talvez por isso não seja de estranhar que passasse o mês de Julho de 2000 no “Cinco Anos é Todos os dias”, o que me fez querer estar numa organização destas. Ao longo de 2000 contactei ainda com o “Já Conserto” e o “Micro Festival” onde vi duas pessoas a tocarem meio violino cada uma para espanto e deleite meu.
Foi assim que cheguei como voluntário ao FOGO de 2001. Se como espectador qualquer um se sente privilegiado por assistir a um espectáculo organizado pela d’Orfeu, como voluntário a recompensa é ainda maior. Sabe bem contribuir para pôr de pé uma série de espectáculos fantásticos e ver os olhos do público brilharem com a voz de Bernard Massuir. Ou o sorriso estampado no rosto de novos e menos novos com circo de rua “Gigantones e Circaçudos”. Ou a dança extática dos cabo-verdianos “Fou-Naná”. Ou os ritmos fulgurantes dos balcãs com “Rodopis”. Ou a percussão reciclada dos “Sonoplástica”. Já para não falar de “Les Pompistes” e do seu humor gestual a acompanhar as vozes a capella. Ou da jóia da casa “Os Cantautores” que interpretaram entre outros Sérgio Godinho que esteve exposto “à Lupa”. Lembro-me de montar o palco para Sérgio Godinho com o céu nublado e da sua promessa de que se não chovesse tocaria “A Balada da Rita”. E assim foi, a noite chegou com céu limpo e a canção fez-se ouvir numa raríssima oportunidade pois o músico (quase) nunca a toca ao vivo.
Em 2002, inovou-se com a mudança para o Outono e uma programação de auditório. Infelizmente, vi pouco desta edição mas lembro-me do encanto de rever Bernard Massuir e da prata da casa com a estreia de “Muito Riso, Muito Siso”.
Durante 3 anos, Águeda ficou sequiosa de novos FOGOS. Em 2005, desde a abertura com 4 baterias (“Tim Tim Por Tim Tum”) e o trio hilariante “The Chipolatas” a um encerramento eufórico com o “Quartetto Euphoria” houve espaço para tudo. Acerca de Música foi uma mistura rara entre um pianista e um actor e entre pedagogia e humor. Quando me lembro de “Ruso Negro” aflora-me um sorriso aos lábios. É indescritível, faz rir e pronto. Tal como “The Von Trolley Quartet”. “Cartoon Orchestra” fez-nos reviver os grandes clássicos do pequeno e do grande ecrã.
O ano passado, mais presente na memória de todos pela distância temporal, tem só por si momentos para serem recordados durante muitos anos. Lamentavelmente perdi bastantes espectáculos, mas guardo na retina a 3ª apresentação de Bernard Massuir em Águeda os galegos “Marful” nessa mesma noite. Para o fim, os mirabolantes “Jashgawronsky Brothers” atearam o FOGO com uma performance incrível. O trompete improvisado com a careca a fazer de surdina ou a percussão feita de sanita, caixote de lixo e água com gás levaram o público às lágrimas. “Toques do Caramulo” encerraram tendo momentos solenes como o solo vocal de Bernard Massuir em “Debaixo da Oliveira” voltado a abrir os sacos lacrimais. Por outro lado, momentos cómicos não faltaram ou não seria Luís Fernandes a comandar as hostes.
Para este ano, a expectativa é grande. Conheço bem os cantos à casa por isso sei que não vou ser defraudado. “The First Vienne Vegetable Orchestra” promete casa cheia no Cine Teatro enquanto que Léo Bassi, um nome maior desta área está finalmente em Águeda. Destaco ainda os repetentes “Slampampers”, “Yllana” e “Peripécia Teatro”. Com certeza teremos um grande festival e eu lá estarei para ajudar a concretizar este sonho lindo. Porque vale a pena incendiar este FOGO.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Especial concerto Toques do Caramulo em Á gueda na próxima quarta-feira!

Após dezenas de concertos por todo o ocidente ibérico, Águeda é palco obrigatório!

Concerto especial
“Toques do Caramulo” em Águeda
Quarta 5 Setembro 2007, 22h00, na abertura da Festa do Leitão

com participação especial de
Os Serranos Associação Etnográfica
Orfeão de Águeda


fotos: Marisa Ferreira / Léa Lopez



O concerto, por demais divulgado, de “Toques do Caramulo” na noite de abertura da Festa de Leitão, conta com as participações especiais de “Os Serranos” e do “Orfeão de Águeda”, como convidados, o que promete uma dimensão ainda mais arrojada para o aclamado repertório serrano.

Sucedem-se ensaios conjuntos em Belazaima e em Águeda para preparação do concerto de 5 de Setembro. Na sede de Os Serranos, articulam-se passos e cantares, cruza-se a tocata serrana com toques arrojados e deixa-se a autenticidade fundir novas cores. No Teatro de Bolso, alinhavam-se as vozes troantes que hão-de aquecer a louca música da serra e adoçar na polifonia os caprichos harmónicos do instrumental vadio de Luís e companhia.

Com repetidas colaborações recentes, as três associações partilham este novo desafio artístico, agora em torno de “Toques do Caramulo”, uma criação d’Orfeu que, em ano de edição do elogiado CD ao vivo, tem realizado dezenas de concertos por todo o ocidente ibérico, da Galiza ao Algarve. Segue-se Águeda para uma noite muito especial!


Toques do Caramulo com:
Luís Fernandes – braguesa, acordeão
Aníbal Almeida – violino
Lara Figueiredo - flauta
Gonçalo Rodrigues – bandolim
Francisco Almeida – guitarra
Miguel Cardoso - contrabaixo
Ricardo Coutinho - bateria
e ainda:
Caros Peninha - guitarra
Gil Abrantes – saxofone

Coro do Orfeão de Águeda dirigido por Paulo Neto, com arranjos “Toques do Caramulo” para 4 vozes de Artur Fernandes.

Os Serranos com todo o seu elenco, direcção de Manuel Farias, apoio de Francisco Silva e direcção musical de Francisco Miguel Silva.

Direcção técnica: Rui Oliveira
Luminotecnia: Paulo Brites
Foto cartaz TC: André Brandão


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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Próximos concertos Toques do Caramulo

Toques do Caramulo
PRÓXIMOS CONCERTOS TOURNÉE IBÉRICA 2007

21 Julho, 22h00 | Capital Folk, PAÇOS DE FERREIRA
28 Julho, 21h30 | Feira da Serra de Verão, SÃO BRÁS DE ALPORTEL
30 Julho, 1 e 4 Agosto | Andanças, CARVALHAIS
08 Agosto, 22h00 | FARPA, POMBAL DE ANSIÃES
10 Agosto, 22h00 | Teatro Municipal da GUARDA
11 Agosto, 20h30 | “Fronteiras Imaginárias” Sequeros, SALAMANCA (Espanha)
12 Agosto, 21h30 | “Fronteiras Imaginárias” Santa Marta, SALAMANCA (Espanha)
24 Agosto, 22h30 | Praça da República, TAVIRA
01 Setembro, 21h30 | Centro Cultural Raiano, IDANHA-A-NOVA
05 Setembro, 22h00 | Festa do Leitão, ÁGUEDA
07 Setembro, 22h00 | Festival de Música Tradicional de MACEDO DE CAVALEIROS
14 Setembro, 22h00 | Festival Folk de MATOSINHOS
08 Novembro, 21h30 | Sala Multiusos do Centro Cultural de CHAVES
09 Novembro | Farbela, Lugo (GALIZA, Espanha)
10 Novembro | La Fabrica de Chocolate Club, Vigo (GALIZA, Espanha)
14 Dezembro | Aturuxo, Bueu (GALIZA, Espanha)
15 Dezembro | Clavicembalo, Lugo (GALIZA, Espanha)




links recentes de referência “Toques do Caramulo”
http://cronicasdaterra.com/cronicas/2007/04/23/toques-do-caramulo-a-pureza-da-folk-da-montanha/
http://raizeseantenas.blogspot.com/2007/05/chuchurumel-toques-do-caramulo-sons-do.html#links


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domingo, 1 de abril de 2007

Aula grátis capta executantes para instrumentos tradicionais

Uma aula de música gratuita, em Águeda, está a atrair cada vez mais interessados que ali vão pedir ajuda para dificuldades de execução, afinar um instrumento ou, simplesmente, aprender as primeiras notas.
A ideia está a ser desenvolvida com sucesso pela associação cultural d´Orfeu, de Águeda, que encontra aí um meio simples e eficaz de captação de novos alunos para a sua escola de música tradicional, sendo uma das poucas instituições no País com percurso pedagógico reconhecido na área das músicas tradicionais e a sua escola de música concede formação específica e qualificada em instrumentos tradicionais, valorizando músicas do cancioneiro português e local.
As aulas grátis são às quartas-feiras, ao final do dia, e já houve semanas em que apareceram 15 alunos de uma vez, segundo o formador, Vítor Fernandes, mais conhecido por «Bitocas», esclarecendo que «é como a urgência de um hospital: se a pessoa precisa, segue para o internamento, que são as aulas regulares».
Criada em 1995, em Águeda, com o objectivo de dinamizar actividades culturais através da música, a d´Órfeu tem procurado renovar e inovar a música tradicional e, além da escola de música, tem feito a recolha do cancioneiro local e promovido espectáculos que integram circuitos internacionais, como «Toques do Caramulo», seleccionado para integrar a Rede Galega de Música ao Vivo.

Diário Digital / Lusa

sábado, 18 de novembro de 2006

Ensino de instrumentos tradicionais

A EMtrad’ - Escola de Música Tradicional centra em Águeda a oferta formativa que promove localmente o ensino de instrumentos tradicionais. Com resposta abrangente, procuram a EMtrad’ alunos de todas as idades para formação – com a concertina em primeiro plano -, garantindo o compromisso pedagógico de iniciação para jovens músicos da cidade e do concelho, num modelo de ensino regular que vinga desde que existe a d’Orfeu.

A par da forte presença da concertina na oferta formativa da Escola de Música Tradicional, são ainda aposta a viola braguesa e a rabeca, entre os outros cordofones tradicionais como o cavaquinho ou o bandolim. Novidade recente é o ensino de gaita de foles, estando disponíveis tanto a iniciação como o nível avançado.

Ganha também necessariamente impulso a formação de instrumentos tradicionais dirigida para os Grupos Folclóricos (à imagem do que acontece com a oferta formativa dos Conservatórios junto das Bandas Filarmónicas), seja para a formação regular de jovens músicos, seja a realização de ateliers com as tocatas, acção que a d’Orfeu tem desenvolvido em inúmeros concelhos da região centro.

O ensino da música tradicional na d’Orfeu continua, através dos seus resultados, a comprovar os méritos de uma acção pedagógica virada para a vivência prática da música e para os processos dinâmicos de reinvenção do património musical tradicional, num contexto nacional de total ausência desta matéria nos programas pedagógicos oficiais, que a d’Orfeu pretende combater com a implantação da EMtrad’.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Orelhudamente

“E quando descem as trevas sobre a nossa miséria, se não dispusermos de pena, nem de graveto, nem de tinta nem de água, ainda assim escreveremos a História riscando com o indicador o ar que respiramos.”
Mário Cláudio

A Mário Cláudio pedi as palavras. E se em vez de História escrevesse Águeda, agigantava-as nas paredes da d’Orfeu.
Quem esteve no Gesto Orelhudo entende. Sabe que o festival atravessou idades, públicos, gostos, artes. Tocou economicistas e intelectuais entre aspas, rótulos com que os dois grupos costumam mimosear-se, inquietou intelectuais sem aspas, aquietou partidários, apaparicou os assim assim, deu trabalho a jornalistas e cronistas (onde estavas, Manel Antunes? E tu, Luísa?), acalorou os que não querem saber de etiquetas para nada, os deslumbrados como eu, os que resistem à chuva, ao calorzinho da pantufa e aos xaropes televisivos.
Trouxe os meus alunos. Os dos primeiros anos, eu menina e moça, os a seguir, os de hoje, a Ana Rosa, a Margarida, a Joana, o Hugo, o Ricardo, o Paulo, o João, e todos os outros, os de todas as letras do alfabeto. E com eles os abraços. Perdoem-me, isto não era para se escrever. E trouxe os nossos vizinhos. Os de Aveiro, os da Holanda, os da Itália, os de Tondela, os dos Açores, os de Casal d’Álvaro, os da minha rua, os das nossas ruas. Trouxe meninos de todas as idades. “É pá, foste ontem ao Gesto Orelhudo?” perguntava, na Praça do Município, um ciclista a quem tiraram há pouco as rodinhas traseiras. O amigo esbugalhou os olhos, aparafusou o ouvido e quis saber. “Hã?” “É pá, não viste o palhaço do combóiinho?” E porque o meu tempo andava a correr, perdi as palavras e os gestos que hão-de ter deixado um gostinho a pena no menino do “Hã?”. Uma pena como a nossa, a saber a pouco, uma saudade de todos os Gestos, que hão-de marcar a fogo a nossa cultura. Um Malhão do futuro.
Entre a magia do começo, da luz e da alma dos mineiros, e o aplauso do fim, a d'Orfeu escreveu Águeda a letras de gigante. E Águeda cantou a sério. A rir. A aplaudir. Com cheirinho a OuTonalidades. Debaixo daquela laranjeira ... de um chão ainda d'Orfeu.

Odete Ferreira

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Sons do Adro na festa do leitão

Ao cantar à desgarrada
Meu amor perdeu a voz
Comeu leitão da Bairrada
Cantou por ele e por nós

Tararararararim, tararararararim, tararimram, tararararararim…
(Experimente o tom do Malhão e cante também!)
E as vozes de toda a gente a cantar e os corpos a abanar e as meninas de tantos olhos a rasarem-se de água e o amor a assomar e a esconder-se e rabecas e guitarras e concertinas e bombos e ferrinhos e vozes e aquele mar de gente, se calhar até o leitão ainda vivo, Tararararararim, tararararararim, tararimram, tararararararim… A seis de Setembro, na 1º de Maio, em Águeda, na Festa do Leitão.
Só Associações eram seis. Cinco em palco e uma no terreiro. Ora conte: Cancioneiro de Águeda, Conservatório de Música de Águeda, d’Orfeu, Orfeão de Águeda, Orquestra Típica de Águeda e o Público, que teria saltado para o estrado, se nos tivessem dado esse gostinho. Ali, um mar de artistas, de tocadores, bailadores e cantadores. Do lado de cá, uma boa casa de gente de fora e de dentro. Sem muros. Uns remexiam o pé, tanto que a minha vizinha da frente deu uns passos pra trás e deu-me uma canelada valente na Real Caninha. Outros castanholavam as palmas. Até o miúdo que rezingava, eu quero uma voltinha nos carrinhos, nã, nã, nã, eu quero uma voltinha nos carrinhos, nã, nã, nã, levou uma palmada da mãe. Toma lá que já almoçaste! A minha vizinha do lado gargarejava, “a amostra do pano é um retalinho, a amostra do pano é um retalinho”, quando, a meu ver, se lhe deslocou uma corda vocal e tive de a sacudir, senão ainda estragava o solo do Luís. Eu cá por mim acho que o público devia ter um maestro. Que nos harmonizasse os frenesis.
Haja um pouquinho de ordem no texto.
Ora bem. No fundo do palco, em pé, cantava o Orfeão, associação centenária, e ex libris de Águeda. Alguns elementos do Conservatório de Música, a Orquestra Típica e a d’Orfeu juntavam-se, sob a mesma batuta. Um atrevimento! Um encantamento! Agora o Cancioneiro, no estrado rente ao público, leve e perfeito, numa dança quase sem gravidade. A Susana a acordar a noite. Agora a Orquestra, bem ao centro, olhos postos no maestro a comedir aquele cachão de música. Depois a d’Orfeu, naquele desfile da cantiga antiga com perfume de outros sons, como um improviso de blue em boca de realejo.
As figuras políticas de relevo estiveram de pé, no meio do povo. Como deve de ser, diz esse povo, assim honrado por estar ao pé de um Ministro que, disseram-me depois, cantou o “Ó ti, ó tirititi, você diz que não, eu digo que sim”. Eu juro que não ouvi!
Se calhar estava naqueles momentos em que criei um nevoeiro para tudo que não fosse palco. Só ouvia os pés no tablado. Só reparava naquele arranjo de vozes, naquela harmonia de acordes, na ordem daquela orquestra agigantada, naquela réplica perfeita do Orfeão à d’Orfeu, naquele desafio entre a voz dos instrumentos e a voz do corpo, naquele sorriso gigante que soprava no palco, onde nada era dissonância. Naquele palco onde o folclore de Águeda não era património de ninguém, mas voltou a ser de todos. Por isso o público era de todos. Avós, pais, tios, filhos, primos, cunhados, sogros, padrinhos, gente de todas as afinidades e afinações, sentiram esta terra que há-de continuar a musicar a vida, mesmo que seja em cima de brasas.
Depois do Malhão, o público pediu mais e no fim uma troca de aplausos entre as seis associações, a festejar o reencontro.
E vim por aí acima, a ouvir a minha amiga, que repetia um discurso que parecia novo, “este espectáculo não pode ficar por Águeda. Isto é música do mundo. É também este património que temos de vender. São estes artistas que cantam e dançam Águeda em arraiais e casas de cultura. Espero que o poder os apoie e a Senhora do Livramento lhes acuda!” É que eleitos também são eles, os artistas. Os que aplaudimos nesta e noutras noites que aí vêm. Os que nos fazem levantar os braços e as vozes. Os que nunca nos defraudam!
*À pergunta: “O que é a felicidade”, uma mulher africana respondeu: “A felicidade? É a chuva.” No palco, se olhássemos bem a entrega, o riso, a paixão, havíamos de ouvir tantas vozes:
“A felicidade? É a música.”.

*Contou Madalena Barbosa, jornalista do Público, a 7 de Setembro de 2006.


Odete Ferreira

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

“l burro i l gueiteiro”

3 de Agosto, Sendim, planalto mirandês. O vento vai arejando uma noite suada e modorrenta. No meio da povoação, um palco promete festança. A Casa da Cultura, e o restaurante “Gabriela”, o da afamada Posta, já afreguesados de outras folias, aprontam-se para o arraial. Igreja e banco, de portas fechadas, vão consentindo a arruada. Dá-se o caso de estar a chegar ao fim a IV edição do passeio “L Burro i L Gueiteiro” – em língua mirandesa –, organizado pela Galandum Galundaina – Associação Cultural e a AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino.
Aguardam-se os burriqueiros que, ao longo de três dias, palmilharam, ao som da gaita, caminhos e lameiros das terras de Miranda. Homens de Sendim, de chapéu na cabeça e riso já na confiança, vão casquinando estas coisas da rapaziada. Ora o que haviam de se alembrar! De querer que os asnos se multipliquem! Num lembra ó diabo! Ora uma destas! As mulheres de Sendim vão olhando esta genteada amiga, lá da cidade, que por aqui se vai multiplicando, uma vez no ano. Que venham, que venham, a gente sempre regala a vista e dá uso ós burros! Mata-se a sede da espera com a cerveja da esplanada ou de uma barraquita de angariação de fundos. Só quando chegarem os foliões, é que se há-de inaugurar o arraial com os Toques do Caramulo. Entretanto, a criançada vai-nos impingindo canivetes multifunções de Palaçoulo. Outros folgazões vão-se aconchegando nos degraus da igreja, que o festejo há-de ser de racha ó pessegueiro. Um casal turista de Lisboa comenta que ouviu falar do passeio de burro, na rádio. Coisa importante! Quase tão falado como a “bosta mirandesa”, brinca um criativo. Pena que o casal já não chegue a tempo de se inscrever na burricada. Uma mulher, de bigode quase farto e lenço a cobrir-lhe a cabeleira em extinção, cansa-se do ensaio de som. Talvez fosse melhor um bailarico de realejo, a repenicar as modinhas do seu tempo. No palco, informa-se profusamente que “há muitos burros, mas estes estão em extinção”. Que me desculpem os concertistas da noite, mas pus-me a cogitar, se a informação se referia apenas aos jumentos. É que derivado ao estado das coisas da cultura, não sei se não será de se constituir uma Associação para a Defesa do Músico Português, já que os gaiteiros de outras andanças têm estádios garantidos. Temos de sustentar as nossas megalomanias!
E lá vai chegando o cortejo dos passeantes, sem stress, a maioria de calções e tshirt ou camisolas sem mangas, elas de saias rabonas ou calças bem cingidas, mochila a tiracolo, ar ecológico, passo despreocupado de quem passou três dias sem as urgências do mundo urbano. E antes que lhes desse para almofadar as pernas em qualquer assento, o Presidente da Galandum anuncia os Toques do Caramulo, este grupo da d’Orfeu de Águeda, que arejou as cantigas do Caramulo. E foi um tal rodopiar, um tal frenesim de bailarico, um tal “mais, queremos mais” dos bailadores, que teria nascido com eles a madrugada, se não houvesse ainda o concerto do grupo Ginga, de Coimbra.
E se não são estes e outros gaiteiros a passear-nos por planaltos ou lameiros desertos do nosso interior, se não são estes e outros gaiteiros a proteger a música portuguesa, a defendê-la da extinção, a levar o arraial a sítios a fervilhar de gente e a outros a ressuscitar, se não são estes e outros gaiteiros a repor o povo a cantar e a dançar no terreiro ao som da gaita, então havemos de ficar mais e mais desertos, a abanar o capacete ao toque das modas emprestadas dos outros.
Ainda bem que a Galandum Galundaina e a AEPGA e outras associações organizam eventos culturais. Levam gentes à terra, promovem e divulgam a nossa cultura, permitem a interacção com outros, vão extinguindo a solidão, fomentam alegria.
Eles é que sabem!

Odete Ferreira