quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Vota no Festim! - European Festival Awards 2011

Festim é candidato ao Festival Awards Europe 2011 na categoria “best small festival”!

O Festim, sim, aquele festival intermunicipal que tem trazido à região nomes como Hermeto Pascoal, Kepa Junkera ou Carlos Nuñez, é um dos concorrentes aos European Festival Awards!

Vai a http://eu.festivalawards.com/vote e na categoria “best small festival” dá o teu voto ao Festim. A votação termina no próximo dia 6 de Dezembro às 16h00 portuguesas.

Os votantes também se habilitam a um prémio fantástico: bilhetes duplos para assistir aos festivais vencedores em cada categoria!

Podes recordar aqui a edição 2011 do Festim: http://www.festim.pt
Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga, preparem-se. A edição de 2012 também já está a caminho!



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ideia de prenda cultural neste Natal!

2 CD + 1 LIVRO-DVD = 35€ ou 30€* (OFERTA T-SHIRT)

Natal também é Cultura!
Visita a lojinha cultural na d’Orfeu.

A Lojinha é uma montra permanente com dezenas de CD de artistas que já passaram pelos festivais d’Orfeu, para além de DVD, LIVROS e vários outros artigos de merchadising cultural. A Lojinha prolonga o acesso aos produtos culturais muito para lá da passagem desses grandes nomes. Na lojinha podes encontrar, por exemplo, discos de Hermeto Pascoal, Carlos Nuñez, Kepa Junkera, Serenata Guayanesa, Fanfare Ciocarlia, Bernard Massuir, Slampampers, The Mozart Group e tantos e tantos outros...
Neste Natal, especial destaque para as edições d'Eurídice, o braço editorial da d'Orfeu.

pack especial d’Orfeu
1 CD “Retoques” (edição 2011 | 12€)
1 CD “Os Cantautores” (edição 2002 | 12€)
1 Livro-DVD “Contexto e Significado” (edição 2010 | 20€)
por apenas 35€ + oferta de T-shirt d’Orfeu
(* ou 30€ para cartão d’Orfeu)

A Lojinha está aberta diariamente, de segunda a sexta-feira, no horário 09h30-12h30 e 14h00-18h30. O pack também pode ser enviado à cobrança (acresce portes). Pedidos através do email dorfeu@dorfeu.pt.

A d’Orfeu sugere-te ainda outras ideias de prenda: podes oferecer 4 aulas de um instrumento ou de artes plásticas aos teus amigos e familiares. É uma proposta criativa para quem quer ser ainda mais original nos seus presentes! Consulta já a d’Formação dformacao@dorfeu.pt.

Visita a d’Orfeu e descobre a nossa oferta cultural para o teu Natal!
Oferece Cultura!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Concerto de pré-lançamento de "Fadomorse Magála Invisível"

Este sábado 26 Novembro, pelas 17h00, no Teatro São Luiz, os Fadomorse farão o pré-lançamento do seu novo disco "Fadomorse Magála Invisível", no âmbito do Festival Lisboa Mistura.

Reconhecidos no panorama musical português e além-fronteiras pela sua música genuinamente embebida nas raízes portuguesas e no expoente contemporâneo da sonoridade do mundo, Fadomorse promete um concerto singular com estreias absolutas e o revisitar do lado mais conceptual da sua arte sonora.

Este novo disco, que assinala os treze anos do colectivo, será editado a 29 de Fevereiro de 2012 com o selo d'Eurídice, braço editorial da d'Orfeu Associação Cultural, e quem assistir ao seu pré-lançamento em Lisboa, terá acesso exclusivo ao single de "Fadomorse Magála Invisível".

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OuTonalidades vai a meio!

Do norte galego ao sul algarvio, uma chuvada outonal de concertos!
Vai a meio o circuito português de música ao vivo!
todo o programa em http://www.dorfeu.pt/outonalidades

A 15ª edição do OuTonalidades - circuito português de música ao vivo, que começou a 23 de Setembro e que, pelo quarto ano consecutivo, se estende da Galiza ao Algarve, já leva realizados 26 dos 57 concertos programados. Numa altura em que esta edição de 2011 atinge metade da programação, tendo chegado a 15 dos 21 espaços de música ao vivo (três deles na Galiza), com a participação de 11 dos 19 grupos participantes, a consolidação do circuito é um objectivo cumprido.

No fim-de-semana que marca o meio do evento, entre 16 e 19 de Novembro, a música ao vivo do OuTonalidades passa por Chaves, Famalicão da Serra, Guarda, Estarreja (em Portugal), Lugo, Santiago de Compostela e Vigo (na Galiza). O poder de intervenção cultural deste circuito assume uma importância cultural decisiva em muitos destes locais. O OuTonalidades consolida-se, um ano mais, como uma iniciativa ímpar na circulação musical transfronteiriça entre Galiza e Portugal, constituindo-se como um intercâmbio inédito resultante da parceria entre a d'Orfeu Associação Cultural e a Rede Galega de Música ao Vivo.

Ainda com muita estrada por palmilhar e as últimas folhas por cair, esta edição do OuTonalidades conta já com muitos e bons concertos e muitos espectadores conquistados, fazendo deste circuito um grande e reconhecido palco aberto a todo o tipo de música e a projectos artísticos emergentes. Os próximos fins-de-semana, até 17 de Dezembro, reservam ainda muita e aliciante programação! Toda a agenda de concertos pode ser seguida no sítio http://www.dorfeu.pt/outonalidades.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Digressão “Retoques” continua em Novembro!


Toques do Caramulo © foto Mário Abreu

“Toques do Caramulo” em Ovar e em Sever do Vouga

Na recta final da digressão 2011 do álbum “Retoques”, os Toques do Caramulo têm concertos marcados para Ovar (11 Novembro) e Sever do Vouga (19 Novembro). Duas oportunidades para conhecer (ou ouvir de novo) as dinâmicas recriações musicais da tradição serrana do concelho de Águeda através dos Toques do Caramulo.

Após a temporada de Verão, os Toques já se apresentaram entretanto no Porto (Setembro), Castro Verde, Foz do Arelho e Chaves (Outubro). Seguem-se, agora, estes dois concertos na região, a 11 de Novembro (sexta-feira) no Centro de Arte de Ovar e a 19 Novembro (sábado) no Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga, sempre pelas 21h30.

As modinhas serranas viajam de Águeda até aos municípios parceiros de Ovar e Sever do Vouga, em cujos palcos têm passado várias propostas d’Orfeu, nomeadamente o Festim – festival intermunicipal de músicas do mundo. É no âmbito do protocolo plurianual em vigor com estes Municípios, com o apoio da Direcção-Geral das Artes, que a d’Orfeu ali apresenta “Toques do Caramulo”, o mais reconhecido fruto criativo da d’Orfeu Associação Cultural. 

Mais sobre Toques do Caramulo:

"Muito Riso, Muito Siso" no CEFAS a 10 Novembro


Muito Riso, Muito Siso © foto JPCasaínho

iniciativa da Universidade Sénior de Águeda
“Muito Riso, Muito Siso” regressa aos palcos
ÁGUEDA, Auditório do CEFAS
quinta 10 Novembro, 21h30

A d’Orfeu apresenta, na próxima quinta-feira 10 Novembro, pelas 21h30, o espectáculo “Muito Riso, Muito Siso” no Auditório do CEFAS, em Águeda. Esta iniciativa, que representa a reposição deste espectáculo após mais de ano e meio fora de cena, é uma parceria destinada à angariação de fundos para a Universidade Sénior, estando os bilhetes já à venda.

“Muito Riso, Muito Siso” é um espectáculo que comprova a capacidade de muitos textos lusófonos em dizer grandes coisas, nem sempre com as palavras mais sérias e formais. Um espectáculo simplista, algo despido, tão-só suportado no fio das palavras, mas de humor potente!
É um solo de Luís Fernandes, no papel de músico-“diseur”, dando vida e voz a textos humorísticos dos maiores vultos da literatura de expressão portuguesa, primorosamente seleccionados por Odete Ferreira.

Após a retoma em Águeda, "Muito Riso, Muito Siso" tem nova apresentação agendada para 10 de Dezembro no Café Cultural Senhora da Hora (Matosinhos), numa altura em que a vertente criativa da d’Orfeu retoma fôlego: recentemente estreou a sua nova criação “Mal-Empregados” (que se apresentou, já depois da estreia em Águeda, no Festival de Teatro Cómico da Maia), tem em carteira a criação infantil “Eram 7 os Medos do Pedro" e vê “Toques do Caramulo” em franca actividade após lançamento do álbum “Retoques” na última Primavera. Novas criações estão na calha para 2012.

Mais sobre “Muito Riso, Muito Siso”

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cursos técnicos na d'Orfeu Som+Iluminação

 Som e Iluminação:
mais cursos técnicos na d’Orfeu

ÁGUEDA, 31 Outubro a 7 Dezembro 2011

Após a adesão das anteriores edições, a d’Orfeu volta a apostar na formação técnica no âmbito das artes do espectáculo: Som e Iluminação. Estes cursos funcionarão de forma independente, visando a qualificação de técnicos profissionais mediante uma formação teórico-prática. Decorrerão em Águeda, em horário pós-laboral, de segunda a quinta-feira consoante as áreas, entre 31 de Outubro e 7 de Dezembro de 2011. O período de inscrições decorre até 28 de Outubro.

Orientados curricularmente por Rui Oliveira (Som) e António Costa (Iluminação), ambos formadores com vasta experiência profissional nas respectivas áreas, estes cursos pretendem colmatar a crescente necessidade de qualificação profissional no âmbito da produção técnica nas artes performativas, destinando-se a todos aqueles que trabalham ou pretendem trabalhar como técnicos, amadores ou profissionais.

Os cursos funcionarão com um nº mínimo de inscritos, estando as inscrições abertas até 28 de Outubro. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail dformacao@dorfeu.pt, no site www.dorfeu.pt, pelo telefone 234603164 ou presencialmente na d’Orfeu. Os membros das Associações do concelho de Águeda beneficiam de um desconto de 50% nas inscrições, no âmbito do Protocolo em vigor entre a d’Orfeu Associação Cultural e a Câmara Municipal de Águeda.


6º Curso de Som
d'Formador: Rui Oliveira
31 Outubro a 7 Dezembro 2011
sessões às segundas e quartas, 19h30-22h30

145€ (130€ cartão d’Orfeu)
carga horária total: 36 horas em 6 semanas
O Curso intensivo de Som e Produção Áudio é uma abordagem teórica e prática à produção técnica e registo do espectáculo. Captação e reprodução, equipamentos e espaços acústicos são os intervenientes da cadeia de áudio. Os participantes terão contacto com as “máquinas” e as técnicas necessárias, servindo como base para a produção e a devida entrega de um espectáculo.

2º Curso de Iluminação
d'Formador: António Costa
1 Novembro a 7 Dezembro 2011
sessões às terças e quintas, 19h30-22h30 (em confirmação)
165€ (150€ cartão d’Orfeu)
carga horária total: 36 horas em 6 semanas

Este curso aborda as várias etapas a ter em consideração na iluminação de cena de um espectáculo. Uma abordagem aos requisitos técnicos necessários à realização de iluminação técnica, respectiva logística e aos métodos fundamentais para obter o resultado desejado.


Notas biográficas dos d’Formadores

Rui Oliveira
Sonoplasta e músico, fez o Curso Profissional de Engenharia de Som na Escola Microfusa em Barcelona (reconhecida pela AES, Sociedade de Engenheiros de Áudio), especializando-se em “Espectáculo e som ao vivo” e “Som em cinema”. Simultaneamente frequentou o Curso de Música no Conservatório Oficial de Música de Badalona na Área Jazz. Depois de ter trabalhado, em Barcelona, em várias empresas de som como freelancer e tocado em vários projectos musicais catalães, regressa a Portugal. Desde 2005, integra a equipa permanente da d’Orfeu Associação Cultural com funções de Direcção Técnica, Técnico de Som, Sonoplasta e Produtor. Entre muitos outros registos, foi responsável pela captação, edição, mistura e co-responsável pela masterização dos CD “Toques do Caramulo é ao Vivo” (2007) e “Retoques” (2011), editados pela d’Eurídice, braço editorial da d’Orfeu. A formação é uma das áreas à qual se dedica há vários anos.

António Costa
Designer de luz, formou-se na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) em design de luz e som para espectáculos. Trabalhou como freelancer em vários teatros do Porto (São João, Rivoli, Campo Alegre), colaborou no “Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura”. Em 2004 ingressa no Teatro Aveirense onde é, actualmente, o responsável pela área de Luz. Paralelamente, vem fazendo criações/desenhos de luz para produções independentes de ópera, dança, teatro e musicais, nomeadamente colaborando com o Estúdio de Ópera do Centro, a Escola de Bailado de Aveiro, a Efémero Companhia de Teatro e a Academia Musical Vilar do Paraíso, entre outras.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Águeda fez O Gesto Orelhudo número dez!


O festival encerrou com uma estreia da casa, “Mal-Empregados” © foto André Brandão

FOTOS OFICIAIS DO FESTIVAL
http://picasaweb.google.com/109799824215982368338

CRÓNICAS DIÁRIAS por Fausto Ferreira
http://dorfeu.blogspot.com

VÍDEOS DIÁRIOS
http://www.youtube.com/user/dOrfeuAC

Caiu o pano sobre a 10º edição do Festival “O Gesto Orelhudo”. Águeda guardará na memória, durante mais um ano, os momentos proporcionados por um festival que ainda consegue surpreender o público. A antiga Junta dos Vinhos encheu de musicomédia e a cidade voltou, durante a última semana, a sentir-se cultural.

A primeira noite, no dia 4, trouxe Bernard Massuir de volta, abertura sublime. Seguie-se a estreia em Portugal do Concerto em Ri Maior da brasileira Cia dos Palhaços. No feriado, os parceiros do Trigo Limpo teatro ACERT mostraram as ironias da Côr da Língua e, depois, o regresso de Oskar & Strudel, musicomédia pura. Outra grande noite orelhuda foi a de quinta-feira, com os aclamados polacos The MozART Group, espaço apinhado para a noite terminar à velocidade do som da Fanfarra Kaustika. Na sexta, os hilariantes Barbieri italianos com o melhor da musicomédia visual, seguindo-se os multiculturais Gadjo em palco, para o fim de noite em festa. Por fim, no sábado os Artelier desafiaram memórias colectivas nas cubas exteriores e, já na sala, a estreia absoluta da nova criação d’Orfeu, “Mal-empregados”.

O 10º Festival “O Gesto Orelhudo” foi uma iniciativa d’Orfeu em co-produção com a Câmara Municipal de Águeda, com o apoio da Direcção-Geral das Artes, além de inúmeras parcerias e apoios locais, regionais, nacionais e internacionais. A próxima edição do festival, a décima primeira, terá lugar em Outubro de 2012.

domingo, 9 de outubro de 2011

O FOGO apagou-se



Fausto Ferreira
9 Outubro

Numa altura de tantos incêndios prejudiciais, dá pena ver um FOGO tão bom extinguir-se. A última noite do Festival foi talvez a mais surpreendente, com propostas muito diferentes entre si. Para começar, a performance-instalação dos Artelier no espaço exterior da Antiga Junta dos Vinhos a aproveitar bem o zeitgeist do festival. As cubas que antigamente continham vinho estavam agora bem decoradas alusivamente a temas como sopas de cavalo cansado, bolacha Maria, cuba livre (que estava vazia), pisa da uva, violência doméstica e P… e vinho verde.

Artelier? © Mário Abreu

A própria performance esteve enquadrada com o local e com o festival. Por um lado, vários trechos de vídeo projectados relacionavam-se com o vinho quer seja já no copo (com imagens de um restaurante vizinho) quer seja na fase de ser pisado. Por outro, numa das cenas mais intensa e visceral, uma das actrizes tomou banho de vinho com o vinho a descer por tubos que partiam da entrada da cuba no prenúncio de uma reflexão sobre certos degredos que estão presentes na sociedade actual. A relação com o festival era óbvia nos vídeos que incluíam algumas personagens bem conhecidas do festival e de Águeda. Outra imagem de marca de Águeda que esteve presente foi uma mota Famel, desta vez não na sua versão projectada, mas sim real. Já em vídeo, o público pôde apreciar um vídeo engraçado sobre tractores, uma máquina usada na vindima muitas vezes, acompanhado de um texto que romantizava tanto os tractores ao ponto de os tornar bonitos. Talvez pelo frio do ar livre, talvez pelo facto deste espectáculo não ser propriamente ortodoxo, talvez pela curiosidade e ansiedade em ver uma estreia da casa, algum público deslocou-se para o interior do edifício, esperando impaciente o início do segundo espectáculo da noite.

Mal-Empregados © Luís Neves

Mal-empregados era o título deste espectáculo made in d’Orfeu com Ricardo Falcão e Luís Fernandes, o coordenador do festival, em palco. Os dois entraram muito sérios e bem caracterizados de fato preto e t-shirts com cores vistosas (amarelo e verde) a combinar impecavelmente com as sapatilhas. A primeira surpresa desta actuação foi o Hino da Alegria tocado num instrumento desconhecido da maior parte do público: o stylophone. É como se fosse um telemóvel ou um tablet touchpad mas a sensibilidade ao toque do ecrã não serve para ligar a alguém ou escrever algo mas sim para produzir notas musicais. Com um pequeno pormenor (ou pormaior): o som produzido tem distorção e faz rir. E muito. O stylophone foi usado mais vezes ao longo do espectáculo para tocar a “Abelha Maia” ou “Besame mucho” numa das cenas mais divertidas da noite com Ricardo Falcão a dançar com uma escova de lavar o chão beijando-a intensamente.

Mal-Empregados © Mário Abreu

Antes, houve tempo para ouvir as respostas de uma criança à pergunta o que queres ser quando fores grande? serem transformadas em desejos. Desde a voz de piloto de avião à voz dos carinhos de choque passando pela do GPS, das informações de trânsito, do Multibanco, da estação de comboios ou do hipervisor de supermercados, tudo respostas que a criança deu, foram imitadas pelos dois actores com enorme mestria soltando grandes gargalhadas no público que reconhecia naquelas vozes situações muito familiares. Outra das cenas mais divertidas deu-se quando de uma versão alterada do “Jardim da Celeste” passou-se para uma música que poderia passar numa qualquer danceteria. Com um bom beatbox gravado no momento, luzes adequadas e danças a rigor no meio do público foi fácil animar os presentes. Que mais tarde cantaram também em conjunto divididos em dois grupos porém: os que cantavam com eu e com.. migo segundo o Luís. Mas o melhor estava reservado para o final. Depois de terem gravado uma melodia bonita que serviu de base, começaram a cantar em cânone José Cid e Carlos Paião. Se já estas duas músicas resultavam bem com a melodia acabada de gravar, a terceira assentou que nem uma luva. O que vale a pena realçar é que poucos artistas conseguem fazer uma versão melhor que o original. Aconteceu por exemplo com a versão do Jeff Buckley de “Hallelujah” (original Leonard Cohen). Ou com a versão de Maria João e Mário Laginha de “Corazón Partío” (de Alejandro Sanz). E aconteceu ontem à noite com a versão dos Mal-empregados do “Papel Principal” de Adelaide Ferreira. Sim, acabaram com Adelaide Ferreira. E não foi só cómico, foi também bonito. Tal como quando deixaram a última canção em loop e dançaram um com a escova e outro com o balde de lavar o chão até juntarem a escova e o balde que dizia "Mal-empregados". Não sei a que se referiam, mas certamente os euros do bilhete não o foram.

Quempallou © Luís Neves

Para acabar o Festival e dentro do programa do Outonalidades, um circuito de música ao vivo por bares de todo o país (e Galiza), os Quempallou animaram a sala. Com um conjunto de instrumentos que incluía o acordeão, gaita de foles, tamboril, pandeireta, bombo, requinta, este grupo galego fazia lembrar os sons do seu vizinho Minho. Para quem vinha extinguir o FOGO (só o deste ano), chegaram cheios de energia.

sábado, 8 de outubro de 2011

O multiculturalismo em palco



Fausto Ferreira
8 Outubro

A noite mais multicultural do festival teve presentes artistas oriundos de Itália, Espanha, França, Reino Unido, Estados Unidos e Argentina.
Os italianos do Teatro Necessario foram barbieri (barbeiros) por uma noite. Segundo os próprios, fazia falta em Águeda uma barbearia, já que estava imenso público na sala. O cenário estava muito bem caracterizado a relembrar uma velha barbearia e tudo o que estava escrito estava em bom português. A festa de inauguração desta barbearia correu muito bem, com os três musicómicos a presentearem o público não só com um bom espectáculo, mas ainda com cortes de cabelo grátis. O regresso destes italianos foi marcado por uma boa mistura entre música e comédia, com extravagantes intervenções musicais em conjunto. Como por exemplo, quando se encaixaram os três de uma forma em que era impossível perceber que mãos tocavam o contrabaixo ou o clarinete. Ou quando um tocava contrabaixo às cavalitas do outro. Ou quando um dos artistas tocava clarinete ao mesmo tempo que tinha o seu cabelo cortado e ajustava o ritmo do clarinete de acordo com a escova que lhe passavam no cabelo.

Teatro Necessario © Mário Abreu

Depois de descerem do palco tocando clarinete, trombone e trompete na primeira interacção com o público, anunciam a abertura da barbearia com um sugestivo anúncio "Barba e cabelo 15€". Desceram o preço para 10€ e olharam insistentemente para o público, mas ninguém se atrevia. Até que ao anúncio "Primeiro cliente grátis", logo um voluntário surgiu do público. E outro. Mas ao segundo, apareceu o cartaz "O segundo paga" antes que surgissem mais e mais clientes ávidos de um corte de cabelo. O primeiro cliente foi despachado rapidamente já que tinham um segundo que iria pagar e portanto tinha de ser melhor tratado. Além de uma coroa havaiana, teve direito a um rico manto (em vez de um normal lençol) e a um corte nas alturas. Sim, leram bem, um corte nas alturas. Isto porque a cadeira do cliente foi subida tanto que o corte teve de ser executado com um dos barbeiros em pé em cima dos ombros do outro. Podem imaginar a comicidade da situação. Para acabar em beleza, agradeceram e saíram do palco deixando o membro do público a mais de 2m de altura. Por duas vezes fizeram o mesmo, olhando com um misto de vergonha e condescendência, pois não conseguiam descer a cadeira. Por fim, tiraram-no do modo mais difícil: pelos ombros. Afinal, é muito mais cómico assim que simplesmente descer a cadeira. E comédia foi o que não foi faltou neste espectáculo.

Gadjo © André Brandão

Os Gadjo oriundos de Barcelona, mas com raízes na série de países supracitada, animaram a segunda parte da noite. Muito bem dispostos e divertidos, e demonstrando desde o início o quão bons músicos eram, entraram logo a abrir. E isso foi apenas um aperitivo do que seria o resto da noite. Cheios de energia, os ritmos ska-jazz preencheram a maior parte da actuação. Mas houve também tempo para uma valsinha convenientemente dançada pela acordeonista. E para grandes solos de todos os instrumentos desde o trombone à bateria, passando pelo saxofone tenor e pela flauta. E para as participações especiais dos três italianos do Teatro Necessario que se juntaram à secção de sopros. A comédia não ficou esquecida e o momento mais cómico deste concerto foi quando sete dos músicos se sentaram ao colo uns dos outros continuando a tocar tranquilamente. No encore e com o público já todo de pé, aconteceu o que os Gadjo tinham pedido anteriormente: toda a gente dançou ao ritmo efusivo desta miscelânea de influências.
Os Bang Bang Bangers animaram o resto da noite com um DJ set apropriado para uma Friday night com ritmos electrificantes.

Bang Bang Bangers © Léa López