terça-feira, 21 de março de 2006

Espectáculo "Dez Anos Não É Nada"!

Imagine um palco que enche e esvazia ao ritmo da memória de dez anos intensos. Contemple a máquina do tempo e reviva, em catadupa, momentos de fruição que o país cultural conheceu sempre que deu palco à d'Orfeu. O embarque para a viagem pelos primeiros dez anos de criações da associação está marcado para a noite de 8 de Abril, no auditório do CEFAS.

"Dez Anos Não é Nada", o porto de todas as criações, será um espectáculo multidisciplinar no qual participam dezenas de artistas de hoje e de sempre na história criativa da associação, desde os tempos do Com Passos Simples até aos dias de hoje, recuperando ainda Culto de Orfeu, Biombo da Festa, Há Cá Eco Há, Os CantAutores, Andamento, Clave de Xuva e vários outros colectivos.
Cruzam o espectáculo ainda as criações actualmente em cena, como Toques do Caramulo, 4Portango, Muito Riso Muito Siso, PõePlay, Monólogo a Duas Vozes, Fogueira d'Estórias. Com tamanho entusiasmo, a máquina do tempo pode até ajudar a antecipar estreias de criações vindouras.

Quem, um dia, já tenha vibrado diante de um palco pisado por elenco d'Orfeu, vai certamente reviver sensações a 8 de Abril, numa festa em que as memórias vão inaugurar o futuro criativo da associação. Afinal, dez anos não é nada!

espectáculo "Dez Anos Não É Nada!" viagem pelos 10 anos de criações d'Orfeu
Sábado 8 de Abril 2006, 21h30, Auditório CEFAS, Águeda
Bilhetes a 4€ (descontos habituais com Cartão d'Orfeu) | Venda antecipada na d'Orfeu.

segunda-feira, 20 de março de 2006

O baile de bola!


Nunca fui a Carvalhais senão durante o Andanças. Nunca noutro momento entrei naquele recinto. Mas não será difícil imaginar o que ali se passa no resto do ano. Estou a ver os jogadores do Carvalhais Futebol Clube festejar os golos com estranhas coreografias de “An dro” com os mindinhos entrelaçados bem treinados desde a pré-época, em Agosto.

Tal só é estranho para os adeptos da equipa visitante, que assistem estúpidos ao espectáculo a que os artistas da bola se prestam nesses momentos de alegria… Já o público da casa não só aplaude como acaba por largar os guarda-chuvas (o futebol é um desporto de inverno) e engrossa a dança que se cria espontânea ao longo do campo. Isto, até que o árbitro apite para a bola ao centro.

E tudo recomeça. A bola é lançada em corrida para o extremo-direito que, ali pela zona da tenda 1, dá um nó-cego de mazurka ao adversário que se torna par involuntário de tal bailar. Dali, cruza para a pequena-área, onde a tenda 6 sempre abarrota de gente a fazer muralha para a baliza. O lance é pelo ar para aproveitar uma cabeçada vitoriosa durante a “7 Saltos”. A baliza está à mercê, mas desta vez a bola perde-se pela linha de fundo depois de o fiscal-de-linha ter assinalado indevidamente um feed-back.
O adversário retoma o baile pela outra lateral. A propósito, é usual a descida dos extremos quando os adversários sobem pelo seu corredor, cumprindo os passos de uma “chapelloise” bem ensaiada.
As incidências do baile são agora disputadas junto do quarteto defensivo habitualmente formado pelas tendas 2 a 5, onde predomina a marcação homem-a-homem (na pré-época é treinada com variantes). A táctica de circulação está bastante bem treinada nesta zona do terreno, onde perduram por toda a época desportiva os imaginários sulcos feitos por andançantes de tenda em tenda, facto que acaba por guiar as jogadas de mais fino recorte e, sem que antes alguém tivesse pensado nisso, acabam por conduzir o Carvalhais às suas maiores vitórias.

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Acho que está na altura de os jornais desportivos começarem a fazer a cobertura do Andanças. É a causa de Carvalhais em Agosto ser caso de estudo.
Lembro-me quando, há dois ou três anos, o festival foi antecipado para o início de Agosto (realizava-se sempre na última semana) por causa, pasme-se, de fazer coincidir com os grandes festivais de Verão. Coincidir para preservar o ambiente – diziam -, evitando ser invadido por público que não o seu. Isto seria simplesmente impensável na cabeça de quem organize qualquer outro festival.
O Andanças é suficientemente único para ser esganado num rótulo. Aliás, não tente vender-se o Andanças nas revistas das especialidade. Está visto que é muito mais que um festival. O Andanças não joga em campeonatos e não disputa classificações (embora ganhe sempre!). É um festival que chega a todos na sua exacta medida, sendo a oferta de tal forma imensa que é impossível duas pessoas viverem o mesmo Andanças. O meu Andanças pessoal de 2005, por exemplo, magnificamente bem vivido, foi confrontado com igual número de concordâncias e discordâncias da boca dos meus mais próximos.
Criam-se espontaneamente momentos de folguedo nos lugares mais calmos, da mesma forma que os terreiros mais movimentados recebem, fora de horas, a mais pura das calmas.

E depois, a noite em que tocamos... Transportamos para cima do palco a proximidade criada em todas as outras horas com o público. Sem espanto, somos nós público daquele turbilhão de energia.

Praticamente nasceu em função do Andanças um grato trabalho de criação da d’Orfeu: Toques do Caramulo. O crescimento e estofo do espectáculo, é no retomar dos palcos do Andanças, ano após ano, que reencontra as suas sinergias e se lança em novo ciclo criativo. No percurso que trouxe Toques do Caramulo aos dias de hoje, desenvolveu-se um repertório vasto de recriações e cada vez mais ousados arranjos a partir do cancioneiro serrano, na ânsia de difundir um património musical retratado apenas nos convencionais formatos folclóricos. Danças e Toques do Caramulo, assim se chamava, surgiu em 2000 da parceria da d’Orfeu com um grupo folclórico – Associação Etnográfica Os Serranos - e incidia no repertório no seu estado puro, associado às próprias danças, com o qual chegámos a tocar para uma tenda vazia à mesma hora que a Rosa Paeda fazia abarrotar a tenda 6. Ainda não era o tempo das tendas cheias para nos dançar, como hoje acontece. A característica de ser dançado passou a reservar-se para o Andanças ou, quando muito, a outras iniciativas carimbo PX. Uma nova vocação de palco de Toques do Caramulo levou em 2005 à sua, até aí, mais carregada agenda, com dezenas de concertos por todo o país, tendo-se comprovado a capacidade de chegar a alguns importantes palco trad e world.
Foi no Andanças que este colectivo cresceu e ali viu marcadas as viragens do seu percurso, da mesma forma que assim terá seguramente acontecido com tantos outros. Falo de gente como Dazkarieh, Terrakota, Uxu Kalhus, Monte Lunai, Attambur, etc e tal. O que interessa mais perceber é que os grupos e os músicos continuam a fazer questão de ir ao Andanças, seja a que preço for. E o preço de ir ao Andanças é, como se sabe, com condições a léguas dos riders técnicos habituais, arriscar ter ali um dos melhores concertos do ano.

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Cá está o motivo porque ninguém quer falhar a pré-época. Todos querem um lugar na equipa para o resto da temporada. E nisso de contar com todos, a Pé de Xumbo sabe-a toda.
A PX é parceira por vocação, não consegue livrar-se desse impulso de partilha. Não sabemos ainda hoje como foi aquilo de, na primeira vez que alguns de nós subimos ao Andanças, ainda na Gralheira, darmo-nos conta de descontos para sócios da d’Orfeu (como constava no livrinho-programa dessa edição), sem que alguém da PX conhecesse, à data, uma alma de Águeda que fosse. Como não podíamos ter ficado, a partir daí, prisioneiros de muitas e boas andanças?


Texto de Luís Fernandes (Toques do Caramulo / d’Orfeu) no livro comemorativo de 10 anos do Andanças "Contra Danças Não Há Argumentos"

domingo, 6 de novembro de 2005

O Gesto Orelhudo

Senhoras e senhores, correu o pano sobre o Gesto Orelhudo 2005!
De 28 de Outubro a cinco de Novembro, a partir de Águeda, a d'Orfeu comandou os serões culturais de um público regional, fiel às iniciativas desta Associação.
Se soubesse, usava todas as linguagens que subiram ao palco de Recardães ou da tenda no espaço d'Orfeu. Traduzia o texto para música, corpo, poesia, luz, movimento, riso, inglês, galego, italiano, e entremeava-o de som, silêncio e aplauso e até de vontade de mais Gestos Orelhudos a aquecerem noites de outonos.
Corrido o pano, restam as últimas impressões do público, que se vai ficando pelo espaço d'Orfeu, a fazer desta vivência colectiva um elo em tempo de espera. Há os músicos que ainda arregalam os ouvidos com as baterias matemáticas do Tim Tim por Tim Tum, os inocentes a cabriolarem de memória os circenses britânicos Chipolatas, os clássicos amantes da música erudita e da poesia universal do Teatro Instável de André Gago e Nicholas McNair, os doidos varridos pela criatividade da italiana Laura Kibel, da sua Traviata, dos pássaros cantantes e do seu corpo travestido, os cem por cento latinos agarrados pelo riso e escárnio do trio ítalo-galego Ruso Negro, os que partiram o coco a rir com os australianos The Von Trolley Quartet, os que aplaudem sempre Camilo, em livro, em marionetes, em todos os suportes artísticos, os que secretamente imitam o malabarismo dos pés do ArTango, tão ardentemente portenho, os filhos ingovernáveis da Mamã Lusitânia do Trigo Limpo teatro Acert e da Ibéria do Teatro Peripécia, tão maledicentemente nossos, os que se deram conta que as cordas australianas do Quartetto Euphoria também falam muito riso. Há ainda os que criticam, os que sugerem, os que mudariam, os que fariam melhor. Ainda bem que contribuímos. A Associação escuta e agradece.
Sobra-nos tempo para felicitar a d'Orfeu a escassos dias do seu décimo aniversário. Olhamos os programadores, os directores, os sonhadores, todos os artistas desta paradoxal associação, tão pequena e tão grande, tão reconhecida e tão esquecida, tão rica e tão despojada. São eles que partem à descoberta de novas formas de arte de palco e as descortinam magicamente nestas noites da diferença.
São dez anos que se vão tatuando na pele destes jovens que se recusam a um alinhamento comercial ditado pela cultura dominante e lutam pelo direito às suas próprias escolhas. O público já entendeu e aplaude este festival que continua a enraizar-se no nosso imaginário.
Dez anos, senhoras e senhores. Que o pano volte a abrir-se no Gesto Orelhudo 2006! Que a d'Orfeu continue a carimbar culturalmente a região!
Odete Ferreira

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Recardães - Novos acessos rodoviários criam novas expectativas culturais

A abertura do novo troço de ligação do nó de Recardães do IC2 ao IP5 colocou a freguesia numa situação geográfica privilegiada. Esta é, pelo menos, a convicção de Luís Fernandes, coordenador da associação d'Orfeu, que entende que, em termos culturais, Recardães se tornou numa localização estratégica.

Dois factores estão, por isso, a gerar grande expectativa relativamente à adesão do público ao festival “O Gesto Orelhudo” que começa esta sexta-feira e se prolonga até ao dia 5 de Novembro: por um lado, as condições técnicas do Auditório, consideradas excepcionais no contexto da região, e, por outro, o fim das obras estruturais, quer no que respeito aos acessos rodoviários quer no que concerne à urbanização do espaço envolvente do Centro Social Paroquial.

Para o porta-voz da d'Orfeu, esta é uma questão essencial em termos de programação e expectativas. Comparando esta edição do festival com a de há três anos, Luís Fernandes lembra que «em 2002, só havia o acesso antigo a que se juntava a circunstância de à volta do Centro Social Paroquial estar tudo em obras». Nessa altura, as pessoas estacionavam «em cima de lama e montes de terra; havia inclusive estradas cortadas». Ainda assim, o auditório esteve «sempre cheio».

Com as obras terminadas e «um acesso de dois minutos desde Águeda», aumenta a expectativa sobre a receptividade do público. Tendo apostado numa programação internacional, a adesão dos espectadores é uma das preocupações fundamentais do festival.

Luís Fernandes anota, neste sentido, que até o preço dos bilhetes foi estabelecido de forma a não constituir obstáculo. «Tivemos em conta as dificuldades económicas por que atravessam as famílias», explica. É por isso também que a associação criou, para além dos bilhetes diários (de 4 Euros para os dois espectáculos de cada noite e de 2 Euros para apenas a segunda parte da noite) um bilhete de festival (válido para todas as noites), no valor de 10 Euros. «Três dias antes do final do festival, ainda compensa adquirir este tipo de bilhete».

Considerado de “superior interesse cultural” pelo Ministério da Cultura, o festival “O Gesto Orelhudo” acolhe, nesta quarta edição, companhias da Argentina, da Austrália, de Espanha, Itália e Reino Unido, bem como várias produções nacionais. Seis dos espectáculos acontecem no Auditório de Recardães, considerado pela organização como uma “estrutura talhada para acolher produções de envergadura”.

Madalena Oliveira

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Espectáculos d'Orfeu pelo país!


concerto Toques do Caramulo em Tomar, a 20 de Agosto


Em mês de defeso cultural na cidade, a d'Orfeu traz os seus espectáculos de criação própria pelo país. Depois de uma grande embaixada artística da d'Orfeu no Andanças a abrir o mês, continua Agosto a ser de circulação pelos palcos portugueses.

No passado sábado, foi noite de “Toques do Caramulo” em Tomar, na várzea, junto ao Nabão, para um público completamente entusiasmado pelo concerto, que aconteceu no âmbito das animações de Verão promovidas pela Câmara Municipal de Tomar.

“Toques do Caramulo” tem novo concerto agendado, a 4 Setembro, na Festa do Avante, no Palco 1º de Maio, onde passa muito do melhor da música portuguesa, comprovando a pujança e reconhecimento pelo percurso recente deste espectáculo.

Entretanto, já esta semana, “Muito Riso, Muito Siso” sobe ao palco do novo Auditório Municipal de Vieira do Minho, sexta-feira 26 de Agosto, pelas 22 horas, no âmbito da programação de Verão daquele município minhoto.

Em Setembro dá-se a "rentrée" cultural em Águeda! Destaque para o arranque da Escola de Música Tradicional e para os últimos espectáculos das Itinerâncias pelas freguesias, tudo antes da abertura do OuTonalidades e tudo o mais que há-de vir!


quinta-feira, 21 de julho de 2005

Soltar a Língua

pelo TRIGO LIMPO teatro ACERT


Sexta 29 Julho 2005, 22 horas
Auditório 13 de Agosto
Mourisca do Vouga (Águeda)



Pela quinta vez junto de nós, o espectáculo “Soltar a Língua”, promete recordar alguns dos mais belos momentos da passagem do Trigo Limpo teatro ACERT por Águeda. O espectáculo na Mourisca a 29 de Julho acontece no âmbito das Itinerâncias.

Em “Soltar a Língua”, um actor, uma cantora e um músico estabelecem momentos de parceria que proporcionam ao público situações de viva comunicação. O palco, enquanto espaço de partilha de distintas linguagens, demonstrando que a informalidade não é sinónimo de falta de rigor artístico e que a comunicação com o público se pode estabelecer num apelo à sua participação activa. Um espectáculo em que a criação se estabelece num compromisso entre a inquietação inconformista, o humor e a poesia.

Teatro, poesia e canções num percurso de revisitação por autores contemporâneos. Um espectáculo que procura, num contacto íntimo com o público, divulgar sentidos e sentires poéticos com teatralidade.

“Soltar a Língua” é um espectáculo recorrente nas programações da d'Orfeu. E assim o é porque o público sempre disse presente quando se tratou de aplaudir José Rui Martins e seus pares. Isto para além da cumplicidade cultural que liga a d'Orfeu desde sempre, à companhia de Tondela.

O espectáculo “Soltar a Língua” é quase um fenómeno de culto entre nós. Foi já apresentado em Águeda por diversas vezes: em 1999 no “Festival O Gesto Orelhudo”, nas Cavalariças da Casa do Adro; ainda em 1999 no “OuTonalidades’99”, no Johnny Bar; em 2000 no “Cinco Anos É Todos os Dias”, no Espaço d'Orfeu; e em 2001 no Ciclo “Isto É Trigo Limpo”, no CEFAS.

Certo é que José Rui, Mariana Abrunheiro e companhia já não subiam aos palcos de Águeda desde 2001. O espectáculo está renovado e nunca deixou de estar em cena pelo país e estrangeiro. O público d'Orfeu volta a ter oportunidade de o revisitar, cruzando-se com o de Mourisca do Vouga e de toda a freguesia da Trofa, a quem é destinada esta iniciativa conjunta da d'Orfeu e da Câmara Municipal de Águeda, com o apoio da Junta de Freguesia de Trofa do Vouga.

Declamação e voz: José Rui Martins

Voz: Mariana Abrunheiro

Guitarra e teclados: Carlos Peninha

Contrabaixo e baixo eléctrico: Miguel Cardoso

Bateria e percussões: Juca Monteiro