terça-feira, 6 de agosto de 2002

Um tempo dorfundido

Je fais j'agis j'acte
Je bouge mon corps
Je fais j'agis j'acte
Je bouge mon corps

A black town came into my dreams
Black eyed black monsters black gods

Al fondo del bote
te observo a remare
perdida la rota e la terra ferma

Têm todos uma maneira estranha de dizer as coisas!
Mal os vimos, tivemos logo um feeling. Esta d'orfusão vai ter himalaias de interesse! É verdade que ficámos meio apardalados com os da escola de circo. Os franceses! Isto é gente capaz de correr a maratona com os pés para cima! E em termos de fogo, já tenho visto muita coisa, mas eles deitam cada fogueira pela boca, que a d'Orfeu nem precisava de iluminação à noite.
Mas tudo estava nos conformes, se eles não fossem poetas! Poetas, isso mesmo! Deve ser por andarem sempre nas alturas, ou de cabeça às avessas, que ficam assim, a achar que o mundo tem carência de humanidade, de humanité, como eles dizem!
Os da escola de artes da Hungria são mais tipo "lagoa azul". Mais doces, mais meigos, mais rosamente enamorados, mais louramente nórdicos, mais passeantes sobre as nuvens, onde querem tocar com a voz e com a suprema leveza do ser, mais anjos rafaelitas.
Mas, surpresa mesmo trouxeram os italianos. Estávamos à espera de robertos, tuti robertos, tuti ragazos de sorrisão largo, olhos largos, bom giorno a qualquer hora, de camara em guarda, sempre prontos a encenar e vem um grupo de músicos, de gosto mais radical, com um leve saborzinho a brasileiro. E... brasileiro por brasileiro, nós não ficamos a dever nada a ninguém!
Mas a falar a verdade, ficámos formigueiramente nervosos!
Tínhamos quinze dias para mostrarmos que estávamos à altura!
Logo, no primeiro dia, falámos do nosso Pessoa, do nosso mar salgado, das nossas lágrimas e eles ficaram a perceber que ainda temos o sonho de partir, embrulhado na bruma, mas sonho sempre!
Depois, a pouco e pouco, fomos aprendendo a engolir o fogo e a vestir piruetas com poemas, com os franceses, a lavarmos a alma de azul, com aquele jeitinho de dançar a ternura, com os húngaros, a radicalizarmos as cordas das nossas guitarras e a arquitectarmos um banquete de pasta, com os italianos. Eles aprenderam também a partir e a sonhar connosco.
As nossas palavras dorfundiram-se. O nosso tempo dorfundiu-se.
E todos começamos a traduzir aquela palavra que nos arranha a alma como urtigas. Traduzimos d'orfusão que agora não é mais que saudade sonhadoramente circense e azul deste tempo de quase utopia, vivido dorfundidamente num quintal, com um pozinho de terra a cobrir-nos o corpo e uma imensa música a cantar-nos na alma.

Odete Ferreira

Vamos à Catalunha?

5 a 8 Setembro Feira de Teatro de TÁRREGA
a maior concentração de teatro de rua por metro quadrado
dezenas de espectáculos por dia (alguns a pagar outros livres)
acampar ou ficar na carrinha ou procurar alojamento local
ingressos + alimentação por conta de cada um

9 a 14 Setembro Acção “Jovens para a Dignidade”, LLEIDA
intercâmbio com espanhóis, alemães, romenos e ingleses
temáticas ligadas aos jovens desfavorecidos na Europa
alojamento em centro de juventude + 3 últimas noites campismo no Pirinéus
tudo por conta da actividade


COMITIVA: 6 JOVENS 15-25 ANOS + 1 ANIMADOR
GASTOS PESSOAIS: OS PRIMEIROS 5 DIAS
NECESSIDADES: TENDA E SACO-CAMA
MAIS INFO E INSCRIÇÕES: NA SECRETARIA ou dorfeu@dorfeu.com

sexta-feira, 2 de agosto de 2002

Curtas d'Orfeu Agosto 2002

Criaturas Criadoras na Hungria
O André, o Hugo e a Anabela são três jovens da d’Orfeu que seguem viagem para Kemence (Hungria), onde estarão de 10 a 20 de Agosto, na acção multinacional “Creator(s) Creatures”, entre outros grupos de jovens artistas da Polónia, Itália, Espanha e a própria anfitriã Hungria. Trata-se de uma experiência conjunta entre cerca de uma trintena de jovens em áreas artísticas tão distintas quanto miscigenáveis como a música, a pintura, a dança, o vídeo, o teatro e a fotografia. Mais uma excelente oportunidade não desperdiçada de mobilidade europeia através das artes, domínio no qual a d’Orfeu vai compensando largamente algum desprezo oficial pela sua missão em termos locais.

Festival de Teatro em Moçambique
Também por fora, mas dentro da lusofonia, o Trigo Limpo teatro ACERT apadrinha a realização de Festival Internacional de Teatro em Maputo, no qual se apresentará com os espectáculos “Abraço de Ferro” (última produção da companhia, que ainda não passou por Águeda) e o conhecido “Soltar a Língua”, para o qual José Rui e Mariana contarão com a participação convidada de Luís Fernandes, da d’Orfeu, nesta aventura músico-teatral em plena África. A permanência da comitiva portuguesa em solo moçambicano prolonga-se de 22 de Agosto a 3 de Setembro.

Novos Voluntários Estrangeiros na d’Orfeu

Este mês de Agosto, de defeso cultural entre portas na d’Orfeu, pela menos na sua extensão visível, é também altura de passagem de testemunho dos voluntários estrangeiros na associação, ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu. Vão-se, ao fim de um ano, a francesa Véronique e a polaca Natalia e é altura de se instalarem o italiano Roberto (já viveu connosco todo o mês de Julho) e ao francês Adrien (que chegará em Setembro). No edifício que serviu de quartel-general ao intercâmbio d’Orfusão II será instalada residência destes novos voluntários, por amável cedência de José Maria de Oliveira & Filhos, prolongada que foi para prestar este apoio à actividade da associação.

Agosto é mês do Andanças
Em cada Agosto a agenda reserva-nos sempre mais uma edição do Andanças (em Carvalhais, São Pedro do Sul), destino obrigatório das gentes da d’Orfeu - parceira há vários anos do festival - e de uns milhares de aficcionados das danças e das músicas tradicionais. Seja para tocar, ensinar danças ou bailar dias e noites a fio, o espírito do Andanças já há muito explodiu e se impôs. O Julho na d’Orfeu comprovou, em várias noites, que o movimento dançante iniciado pela PedeXumbo, já criou raízes entre nós. Portanto, mais uma vez as gentes d’Orfeu se cruzarão no Andanças. Da nossa parte, já vamos com um bom ensaio!

terça-feira, 30 de julho de 2002

O Julho da d’Orfeu foi assim:
1 a 7 Julho Escola Cigana de Verão (Praga, Rep. Checa)
1 a 30 Julho campos de trabalho OTL no Espaço d’Orfeu
3 a 7 Julho Curso de Gaita de Foles
6 a 14 Julho Encontro Nacional de SVE’s
9 Julho Os CantAutores no Alandroal
11 a 26 Julho vários concertos, espectáculos e animações
13 a 27 Julho Campo de Férias “Eud’Orf”
16 a 29 Julho Journades de Villandraut (França)
16 a 30 Julho d’Orfusão II (Águeda, Portugal)
18, 19 e 24 Julho concertos da Cimeira do Fole

Eis os números mais ou menos mensuráveis do mês:
2500 refeições fornecidas
120 jovens directamente envolvidos
1200 espectadores dos espectáculos
6 toneladas de madeira colocadas no recinto
900 litros de tinta gastos em pinturas
4 sanitários construídos de raiz
5 edifícios ocupados em Águeda
600 litros de água consumidos
11000 quilómetros percorridos
entre outros números inquantificáveis, como o suor gasto e as horas não dormidas.

Sentidamente vivido o último mês de Julho na d’Orfeu, cumpre-nos partilhar o momento com todas as entidades que apoiaram e ajudaram a concretizar os anseios desta associação cultural. A elas, o nosso agradecimento:
Adega Típica Vicosta
Aníbal Pires, Lda
Associação Cultural e Recreativa de São Martinho
Câmara Municipal de Águeda
Câmara Municipal de Nisa
Cerciag
Coutinho & Coutinho, Lda
Cruz Vermelha Portuguesa - Núcleo de Águeda
Delegação Regional da Cultura do Centro
Empresa Central Serrana de Águas
Escola Secundária Marques de Castilho
Fundação Dionísio Pinheiro
Gráfica Ideal
Instituto Português da Juventude
$Instituto Português das Artes do Espectáculo
José Maria de Oliveira & Filhos, Lda.
Junta de Freguesia de Águeda
Lusotelha
Margens – Desporto & Aventura
Ministério da Cultura
M. Rodrigues, SA
Opticel / Optimus
Pecol - Fábrica de Parafusos, SA
Pé de Xumbo – Associação de Música e Dança Tradicional
Programa Juventude – Comissão Europeia
Programa Operacional da Cultura
Qual - Indústria Metálica, Lda.
Perfiltubo - Fábrica de Tubos e Perfis, Lda.
Rall - Nobiliário e Soluções para Escritório, SA
Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra)
Trigo Limpo teatro ACERT

Por outro lado, confessamos que o “desapoio oficial” da autarquia, mais uma vez nos incentivou a prosseguir a missão cultural de que nos investimos neste ano de 2002 em Águeda. Portanto, obrigado a todos!

Venha daí O Gesto Orelhudo em Outubro!

domingo, 28 de julho de 2002

Espectáculo d’Orfusão encheu o quintal

Um espectáculo efémero e intimista acolheu o público no último sábado, para conhecer o resultado de cerca de 12 dias de criação artística colectiva entre jovens artistas europeus do circo, do teatro e da música. Um novo aproveitamento do espaço marcou a apresentação deste trabalho multidisciplinar, cuja maior pretensão foi a de comprovar a partilha sem fronteiras que brota de um espaço universal chamado d'Orfeu. Os quinze dias aqui passados por húngaros, franceses, italianos e portugueses foram retratados no espectáculo de sábado, que fechou sentidamente a programação de Julho na d'Orfeu, perante a plateia que “encheu” mais uma vez o quintal.

quinta-feira, 25 de julho de 2002

Espectáculo multicultural d’Orfusão

Espaço d’Orfeu | 27 Julho 2002 | 22:00

École de Cirque Guy Rapépo (França)
Ady Endre Gimnázium (Hungria)
Associazione Brancaleone (Itália)
d’Orfeu – Associação Cultural (Portugal)

d’Orfusão: este neologismo nado em Águeda preconiza o espectáculo mais bonito do mundo. É o espectáculo da vida como um palco, onde todos os sonhos se desvendam num toque, num canto, num pulo!

Estão connosco, portugueses da d’Orfeu, mais de uma trintena de jovens artistas franceses, húngaros e italianos. Em ebulição está a construção do espectáculo que encerra esta louca experiência de partilha artística e que tomará de assalto os palcos do Espaço d’Orfeu, na noite do sábado 27 de Julho.

Uma autêntica celebração multicultural, o resultado artístico explosivo de quinze dias de fusão entre uma escola de circo francesa, uma associação multimédia italiana e um colégio de artes húngaro, em conjunto com a d’Orfeu, a associação anfitriã. Desse trabalho conjunto resulta este espectáculo pluridisciplinar, de todo incógnito, fundindo tradição com inovação, entrecruzando as culturas recônditas com a universalidade europeia.

Encenado por José Rui Martins e Ruy Malheiro (pela parceria d’Orfeu / Trigo Limpo teatro ACERT), o espectáculo d’Orfusão II encerrará em apoteose o mês de Julho. Julgamos ter connosco a força da arte sem fronteiras, capaz de transbordar o Espaço d’Orfeu numa só noite! Em Águeda, sim!

encenação - José Rui Martins e Ruy Malheiro
animadores – Yao Martin, Varhalmi Llona, Renato Criscuolo e Luís Silva
coordenação – Luís Fernandes, Odete Ferreira e Alexandre Baptista
produção – d’Orfeu – Associação Cultural
subvenção - Comissão Europeia / Programa Juventude
apoios - Adega Típica Vicosta | Associação Cultural e Recreativa de São Martinho | Câmara Municipal de Águeda | Câmara Municipal de Nisa | Cerciag | Cruz Vermelha Portuguesa - Núcleo de Águeda | Empresa Central Serrana de Águas | Escola Secundária Marques de Castilho | Fundação Dionísio Pinheiro | José Maria de Oliveira & Filhos, Lda. | Junta de Freguesia de Águeda | Margens - Desporto e Aventura | Pé de Xumbo – Associação de Música e Dança Tradicional | Trigo Limpo teatro ACERT

segunda-feira, 22 de julho de 2002

Breve repórter 22 julho 2002

Tesi, Rivas e Gaiteiros: Julho quente na d’Orfeu

As noites no “quintal” da d’Orfeu foram ao rubro, no fim-de-semana. Primeiro, os concertos da Cimeira do Fole, com o “mago” Riccardo Tesi e o “caliente” Antonio Rivas. Depois, no sábado os Gaiteiros de Lisboa, em concerto pujante e irrepetível. Noites com o alto patrocínio do público! E Julho continua...

quinta-feira, 18 de julho de 2002

d’Orfeu esclarece ponto por ponto

1. A d’Orfeu - Associação Cultural, não bastando o percurso difícil de consolidação das suas propostas culturais em Águeda, conhece desde a sua fundação, em 1995, um convívio instável com a autarquia. Hoje, vê-se alvo de manifestações de repúdio por parte da mesma, após ter publicamente protestado pela indefinição, primeiro, e insuficiência, depois, do apoio municipal a esta associação em 2002.

2. A autarquia foi a primeira e mais privilegiada instituição em Águeda a ter acesso, desde Outubro de 2001, a toda a informação e documentação sobre o ano cultural de 2002 da associação, sentados o coordenador da d’Orfeu, o Senhor Presidente da Câmara e a Senhora Vereadora da Cultura, várias vezes à mesa do gabinete da Presidência da Câmara Municipal. Nas reuniões mantidas nos dias 16 Outubro 2001, 27 Dezembro 2001 e 27 Março 2002, foram aqueles autarcas informados e documentados sobre:
a) o ano cultural de 2002 da associação e a sua programação;
b) os substanciais apoios exteriores do Estado garantidos pela própria d’Orfeu;
c) a realização de um festival temático chamado “Cimeira do Fole” que faria passar por Águeda os maiores nomes mundiais ligados a um instrumento cuja nova projecção se associa hoje claramente a Águeda;
d) a realização, agora anual, do festival O Gesto Orelhudo e portanto a convivência de dois festivais de diferentes temáticas no mesmo ano;
e) a semi-profissionalização decisiva da estrutura humana da associação;
f) o enriquecimento constante do parque de equipamentos da associação;
g) o incremento da circulação nacional dos espectáculos d’Orfeu;
h) a formação permanente que ministra na área das músicas tradicionais, num contexto pedagógico pioneiro em Portugal;
i) a disponibilidade assumida para a animação cultural do concelho em parceria com escolas, colectividades, outros grupos e mesmo com organismos oficiais;
j) o envolvimento de inúmeros jovens em actividades que vão das ocupacionais às artísticas;
k) a mobilidade internacional da d’Orfeu que coloca Águeda no mapa europeu de muita gente e que proporciona a muitos jovens aguedenses uma vivência europeia regular;
l) a emergência de condições e infra-estruturas capazes para o desenvolvimento de todas estas actividades;
m) e o potencial humano e de conhecimento da associação que garante a maior parte da sua capacidade de realização com poucos recursos, traduzidas num orçamento financeiro de cerca de 60.000 contos, no qual a margem de desperdício é mínima.
Espanta-nos assim que o Senhor Presidente da Câmara refute as nossas manifestações de desconforto, tendo em conta a indefinição voluntariamente protelada, meses a fio, com que a autarquia brindou a d’Orfeu neste último semestre de intensa e profícua actividade cultural, aliás publicamente acarinhada.

3. A Câmara Municipal sentiu-se desconsiderada, em comunicado do dia 3 de Julho, por não constar do rol de apoios oficiais da presente programação do “Julho na d’Orfeu”, para mais, invocando o apoio do ano anterior...!

É que o ano 2002 vai já alto e:
a) ficou sem resposta o pedido de apoio financeiro para a programação do dito “Julho na d’Orfeu”, perante um encargo estimado em 55000 Euros;
b) manteve-se indefinido e protelado, durante seis meses, o valor do apoio municipal para 2002;
c) uma vez divulgado, o dito apoio (12500 Euros) representa cerca de 4% do orçamento da associação;
d) ficaram por contemplar pedidos de apoio à aquisição de uma viatura de 9 lugares, por um lado, e de equipamento de som e luz, por outro, num total de investimentos na ordem dos 13.000.000$00;
e) está por responder um pedido de esclarecimento sobre os critérios invocados para a ausência de apoio municipal a duas representações da d’Orfeu em Praga (República Checa), no Khamoro Festival e na Escola Cigana de Verão;
f) e foi pela Câmara Municipal indeferida a instalação de baixadas eléctricas no Espaço d’Orfeu para este mês de iniciativas (o que aconteceu pela primeira vez em sete anos de realizações da d’Orfeu em Águeda e sem qualquer justificação apresentada). Este facto implica “só” que os custos com aluguer e instalação de quadros e com consumos de electricidade estão, pela primeira vez, a ser suportados pela associação numa iniciativa pública.
A menção da Câmara Municipal no rol dos “outros apoios” acontece pelo mero apoio logístico prestado (desbastação da vegetação do espaço, reparações na calçada, concessão de licença com horário extraordinário e transporte e/ou cedência de diversos materiais e equipamentos), o que é manifestamente equivalente a tantos e tantos apoios logísticos prestados por outros organismos, empresas e particulares, bastantes dos quais nem sequer mencionados.
Mais dúvidas não podem restar sobre a notada ausência da autarquia no rol dos apoios oficiais à actividade d’Orfeu em 2002, parcial ou global, dentro dos quais se reclama, mas onde não parece fazer questão prática e efectiva de aí figurar.

4. O comunicado de 3 de Julho da Câmara Municipal de Águeda, na ânsia de proclamar apoios á associação, chega a cometer o lapso imperdoável de referir o fornecimento de refeições na cantina municipal, quando não há memória, desde 1999, de um prato de comida oferecido pela autarquia aos comensais enviados pela associação à cantina municipal. Todos os pedidos de refeições sem encargos foram até hoje indeferidos e todas as refeições regulares ali tomadas são pagas pela d’Orfeu. O último pedido de fornecimento de refeições, que solicitava uma parte mínima (350) das cerca de 2000 refeições que a d’Orfeu deve garantir durante estas iniciativas de Julho, foi também indeferido.

5. Na insistência de fazer crer nos mundos e fundos que aplica na dOrfeu, comete ainda a Câmara Municipal o erro grosseiro de elencar, no seu comunicado, uma série de pagamentos de serviços solicitados pela autarquia como se de subsídios se tratassem. A saber:
a) espectáculo inserido na Assembleia Municipal comemorativa do 25 de Abril - Andamento (250 Euros);
b) presença na Expo-Regiões - espectáculo Os CantAutores (500.000$00);
c) e participação na recepção à comitiva de Sint-Gilis Waas - espectáculo Toques do Caramulo (100.000$00).
Grosso modo, tratou-se de pagamentos de despesas fixas com essas actuações, num contexto de prestação de serviços, evitando até que fosse a autarquia, enquanto promotora, a assegurá-los com custos bem mais elevados.
Também a menção à participação da d’Orfeu no dia europeu sem carros (150.000$00) enferma de oportunismo de circunstância, uma vez ter-se tratado de uma proposta de mais-valia para um programa promovido pela Câmara Municipal, com um alívio parcial diminuto das despesas da d’Orfeu com o concerto do trio de Pedro Jóia, promovido nessa ocasião municipal.
Somadas estas verbas, a Câmara Municipal subverte em cerca de 4000 Euros (aproximadamente 800.000$00) o valor dos subsídios atribuídos.

6. A autarquia, no seu comunicado, desafia ainda a d’Orfeu a divulgar os valores dos restantes apoios oficiais e mecenas, querendo comparar-se a eles, duvidando mesmo daquilo mesmo que conheceu documentadamente, desde o final do ano passado, nas reuniões conjuntas realizadas na Câmara Municipal.
Sabendo e lembrando que:
a) o IPAE / Ministério da Cultura financia a actividade global da d’Orfeu em 2002 com uma subvenção de 15.000.000$00 onde se incluem os encargos com a Cimeira do Fole e que a esse montante acrescem mais 5.194.000$00 de subsídio para a realização da 3ª edição do Festival O Gesto Orelhudo em Outubro próximo;
b) a associação tem aprovada mais uma subvenção de 9.793.435$00 para aquisição de equipamento de som e luz, através do Programa Operacional da Cultura, portanto perfazendo-se um total estatal a rondar os 30.000.000$00 de financiamento;
c) a Comissão Europeia, através do Programa Juventude, financia o acolhimento em Águeda do intercâmbio multiartístico d’Orfusão com uma subvenção total de 32400 Euros;
d) os apoios de outros organismos como o Instituto Português da Juventude ou o INATEL somam cerca de 2.000.000$00 de apoio financeiro em 2002;
e) a Delegação Regional da Cultura do Centro suportou os custos de aquisição e de formação de gaita de foles que abriu este mês na d’Orfeu, num montante de 2500 Euros;
f) as 8 (oito) empresas mecenas da d’Orfeu em 2002 (M. Rodrigues SA, Coutinho & Coutinho Lda, Lusotelha, Gráfica Ideal, Opticel/Optimus, Rall, Aníbal Pires Lda e Pecol) financiam a actividade da associação em cerca de 4.200.000$00 no seu conjunto;
g) e uma percentagem considerável do volume orçamental da associação resulta da capacidade de auto-financiamento através das suas iniciativas e actividades múltiplas;
não tem fundamento a indignação pelo facto de a autarquia constar no fundo da lista de apoios da d’Orfeu.

7. Perante os motivos apresentados, não aceitamos a insinuação grave do Senhor Presidente da Câmara ao dizer que a d’Orfeu pretende que a autarquia pague todas as suas despesas. Não haverá concerteza no concelho associação com maior capacidade de auto-iniciativa e auto-financiamento que a d’Orfeu.
A associação mais não tem que vindo a lançar à Câmara Municipal, o desafio de esta se aproximar dos apoios afectados à d’Orfeu pelo Estado, apelando a uma participação autárquica no orçamento da associação que seja decisiva para a consistência da sua acção cultural regular. Desde que assumida uma parceria efectiva da autarquia com a associação, seria completamente justo um suporte financeiro municipal na ordem dos 25% do orçamento da d’Orfeu, a título da mais-valia cultural que daí pudesse frutificar para o concelho. Ora, com os 12500 Euros que a Câmara Municipal fez aprovar à pressa antes da nossa conferência de imprensa, estamos a falar de 4% (quatro por cento) de participação da autarquia no bolo global do que representa a actividade da d’Orfeu em Águeda. Quer isto dizer que hoje, é a própria associação a responsável por mobilizar os restantes - pasme-se - 96% do financiamento que suporta as suas actividades.
São aqueles fundos públicos canalizados para Águeda pela acção de uma associação local, sem que a autarquia os legitime, o que implicará a futura perca deste tipo de apoios para outros municípios onde outras instituições, aí sim, contem com o apoio efectivo das suas autarquias para a afectação de dinheiros estatais da tutela da Cultura para os seus concelhos.

8. Para que não restem dúvidas sobre a aplicação dos dinheiros públicos afectos à d’Orfeu em 2002, a d’Orfeu - Associação Cultural disponibiliza a consulta pública de toda a sua documentação contabilística, organizada que está de acordo com o P.O.C. e sob a supervisão de um gabinete de consultadoria. Todos os apoios públicos atribuídos são objecto de despachos oficiais, pelo que os respectivos organismos podem igualmente confirmar a atribuição desses apoios. Muitos deles são, inclusivé, publicamente divulgados em jornais de tiragem nacional ou mesmo em Diário da República.
Igualmente disponível se encontra toda a documentação e correspondência trocada com a edilidade (que lembramos ter sido presente aos jornalistas, na conferência de imprensa de 4 de Julho), por forma a situar e a demonstrar a passividade da autarquia na definição de um apoio anual solicitado desde Outubro e definido apenas em Julho, por força da nossa manifestação pública de desagrado.

9. Por outro lado, acaba por assumir definitivamente o Senhor Presidente da Câmara o seu “fantasma” político em relação à d’Orfeu, querendo fazer crer, nas suas declarações, que uma manipulação existe para fazer oposição à Câmara Municipal.
Os méritos da d’Orfeu foram e são feitos do calor das suas propostas e do despretenciosismo de se querer relacionar com todos, sabe Deus com que respostas. Por outro lado, deparamo-nos com a aparecimento sistemática de obstáculos, normalmente a reboque de algum pioneirismo dos nossos métodos de serviço cultural em Águeda. Os últimos tempos, então, foram pródigos em contradições, incoerências e na imposição de regras, do mais desusado que há, no que toca a apoios culturais, com critérios avulsos que só nivelam por baixo e não estimulam nada nem ninguém. A pensarem assim o Senhor Presidente da Câmara e os seus pares, temos razões para pensar que a opção será sempre a de cercear todas as tentativas de inovação e mais-valias. Neste cenário, quem mais faça mais é penalizado e desincentivado. Isto é dado concreto!

10. Ao anunciar e ao aprovar em dois dias o subsídio de 12500 Euros para o ano de 2002, a Câmara Municipal provou que, no que toca à d’Orfeu, afinal é por pressão que funciona. Tristemente, não temos ainda exemplos de reconhecimentos municipais verdadeiros e os apoios municipais conseguidos não aconteceram nunca por auto-iniciativa de quem decide.

11. Reafirmando e demonstrando aqui como a autarquia evita apoiar esta associação, com posições e decisões que representam verdadeiro DESAPOIO OFICIAL, a d’Orfeu - Associação Cultural reivindica o reforço adequado do subsídio de 12500 Euros ora aprovado pela autarquia, esperando uma redefinição desse montante a breve prazo.
Não podemos sujeitar o nosso esforço a um apoio que representa 4% do trabalho cultural da d’Orfeu em benefício directo da cidade e dos munícipes.


Águeda, 18 de Julho de 2002

Gaiteiros de Lisboa em Águeda

Águeda é um dos destinos na rota de promoção de Macaréu, o novo disco dos Gaiteiros de Lisboa. Macaréu é um trabalho mais conceptual, arriscado e por isso mesmo estimulante. É um disco que reinventa uns Gaiteiros de Lisboa dentro dos próprios estilos por eles inventados, mantendo a ligação ao passado mas sobretudo arriscando novos formatos e abordagens. Há mesmo quem diga que depois de José Afonso ou Fausto vêm os Gaiteiros de Lisboa - em termos de composição, provocação e inovação na música portuguesa. Verdade ou não, os Gaiteiros são aqueles que conseguem encher a Aula Magna de Lisboa, atraindo uma autêntica legião de fãs - igualando por vezes as enchentes de público de muitas estrelas da pop. Populares, inventivos, criadores de instrumentos - ou de tudo o que possa produzir som (afinado ou não) - os gaiteiros são autênticos fazedores e contadores de tradições.
in attambur.com

GAITEIROS DE LISBOA
ÁGUEDA | Espaço d'Orfeu
sábado 20 Julho 2002 | 22:00

segunda-feira, 15 de julho de 2002

CURTAS Julho 2002

Os CantAutores no Alandroal
A d’Orfeu apresentou o seu espectáculo Os CantAutores na programação da Expo-Guadiana, no Alandroal, na passada terça-feira 9 de Julho. Em tempo de agitação na d’Orfeu, o elenco deu uma fugida ao Alto Alentejo para, uma vez mais encantando a plateia, continuar esta homenagem que vive agora também em disco.

Belíssimo jazz na d’Orfeu
Três noites de jazz, no último fim-de-semana, aqueceram o arranque deste imenso mês no Espaço d’Orfeu. Conquistaram o público o delicioso jazz vocal de Sofia Ribeiro na quinta, os standards dos Quadratura na sexta e a excelência improvisativa dos Heart of Trio no sábado. O jazz ficou nos ouvidos...

As gaitas já tocam na d’Orfeu

Decorre na primeira semana de Julho o curso de gaita de foles que envolveu diversos formandos, músicos de diversas origens que ficaram entusiasmados com os trabalhos. Dois exemplares do instrumento vivem já na d’Orfeu e agora ouve-se, volta e meia, o peculiar ronco pela Venda Nova acima.

Encontro Nacional de Voluntários Estrangeiros
A Véronique e a Natalia estão terminar um ano de voluntariado na d’Orfeu. Entretanto não quiseram deixar de organizar em Águeda um encontro dos voluntários estrangeiros em Portugal e, na d’Orfeu, por cá estiveram até domingo passado mais de uma quinzena de jovens de toda a Europa, com o desígnio comum de prestarem actualmente serviço voluntário em entidades portuguesas do Minho ao Algarve.

Em Villandraut num castelo
Estão já em França desde domingo os jovens portugueses que da d’Orfeu abalaram para uma aventura de animação artística no castelo de Villandraut, em conjunto com outros grupos de França, Itália e Espanha. Em tempo de d’Orfusão cá, outras fusões se constroem por essa nossa Europa.

d’Orfusão II arranca esta semana

Chegam a Águeda na próxima terça-feira os jovens artistas de Itália, França e Hungria que, com elementos da d’Orfeu, construirão o espectáculo multicultural d’Orfusão a ser apresentado a 27 de Julho no Espaço d’Orfeu. Pelo segundo ano, vai instalar-se a convivência da cidade com estes jovens. Cá estamos para a viver de perto!