Tratar-se-á de um encontro que acolherá cerca de 30 jovens artistas daqueles países (para além dos portugueses) com vista à concepção de uma performance multi-disciplinar ao fim de duas semanas de permanência em Águeda. O intercâmbio que dá pelo sugestivo título "d'Orfusão" resulta do sonho trazido de Leicester (Reino Unido), no ano passado, pela comitiva de jovens músicos que ali abraçou a diversidade europeia e a quis trazer para o seio da d'Orfeu.
quinta-feira, 19 de abril de 2001
Cá e Lá
em França
Visita de preparação a Bordéus
O animador Luís Silva, da d'Orfeu, partiu para Villandraut na região de Bordéus (França), onde até 22 de Abril, participa numa visita de preparação de um intercâmbio que ali ocorrerá em Setembro deste ano, no qual a d'Orfeu participará, então sim, com uma comitiva portuguesa alargada, entre outras, de Itália, Espanha e França. A acção será dedicada ao património arquitectónico e à herança cultural de Aquitaines, sendo que esta visita pretende provocar um primeiro contacto com os diversos parceiros envolvidos no projecto, no sentido de alinhar o programa e de fazer a prospecção das mais-valias que cada organização juvenil levará ao intercâmbio.
em Portugal
d'Orfusão também aquece motoresEntretanto, de 21 a 26 de Abril, estarão em Águeda os animadores das três organizações juvenis da Hungria, Eslovénia e Bélgica, parceiras da d'Orfeu num intercâmbio que por cá se realizará já em Julho próximo. Nesta visita preparatória a d'Orfeu, como anfitriã, e os parceiros terão oportunidades de fazer o reconhecimento das condições logísticas para o acolhimento das comitivas e debruçar-se-ão no alinhamento do programa de actividades.
Tratar-se-á de um encontro que acolherá cerca de 30 jovens artistas daqueles países (para além dos portugueses) com vista à concepção de uma performance multi-disciplinar ao fim de duas semanas de permanência em Águeda. O intercâmbio que dá pelo sugestivo título "d'Orfusão" resulta do sonho trazido de Leicester (Reino Unido), no ano passado, pela comitiva de jovens músicos que ali abraçou a diversidade europeia e a quis trazer para o seio da d'Orfeu.
Tratar-se-á de um encontro que acolherá cerca de 30 jovens artistas daqueles países (para além dos portugueses) com vista à concepção de uma performance multi-disciplinar ao fim de duas semanas de permanência em Águeda. O intercâmbio que dá pelo sugestivo título "d'Orfusão" resulta do sonho trazido de Leicester (Reino Unido), no ano passado, pela comitiva de jovens músicos que ali abraçou a diversidade europeia e a quis trazer para o seio da d'Orfeu.
Ambas as acções se realizam ao abrigo do Programa "Juventude"
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
d'Orfeu dedica espectáculo a Sérgio Godinho
Estreia 2 e 3 de Março
Estreia no Auditório do CEFAS em Águeda, nos próximos dias 2 e 3 de Março, pelas 21h30, o espectáculo musical que a d'Orfeu dedica à obra de Sérgio Godinho, integrado no Ciclo Os CantAutores.
Este primeiro espectáculo do Ciclo Os CantAutores baseia-se na quase totalidade da discografia de Sérgio Godinho, desde álbuns tão antigos como "Pré-Histórias" (1972), até ao novo "Lupa", editado no ano passado já no moderníssimo formato de CD (!). O processo criativo da d'Orfeu centrou-se na recuperação de muitos temas entretanto ficados à sombra dos grandes "clássicos" de Sérgio Godinho, a todos emprestando novos arranjos. Certo é que toda a obra editada será repleta de marcos brilhantes da genialidade deste cantautor. O percurso ímpar de Sérgio Godinho arrasta diferentes gerações de há 30 anos a esta parte. Dos tempos da forte cantiga de intervenção aos de uma actualíssima sonoridade, todas as facetas de Sérgio Godinho se retratam nesta homenagem da d'Orfeu.
O espectáculo dedicado a Sérgio Godinho é o primeiro de um ciclo que homenageará ainda José Afonso (em Abril) e Fausto (em Maio), sempre com apresentações em Águeda, Vila Nova de Cerveira, Tondela, Sabugal e Ourique, numa itinerância múltipla assegurada pela d'Orfeu em parceria com diversos promotores.
O trabalho criativo que sustenta este ciclo de espectáculos decorreu nos últimos anos pela mão de Luís Fernandes (que assegura a direcção musical de todo o ciclo), sob os auspícios e anseios da d'Orfeu - Associação Cultural, enquanto estrutura de produção musical e senhora de um elenco imenso de músicos cujas vivências artísticas abrangentes tornam mais universalista o desenvolvimento deste repertório.
O Ciclo Os CantAutores que agora faz arrancar os espectáculos temáticos, depois de em Janeiro ter juntado Sérgio Godinho, José Mário Branco, Amélia Muge, entre outros no Seminário sobre o tema, trata-se do mais ousado empreendimento criativo desta associação até à data e reflecte uma impressionante regularidade com que tem surgido aos olhos do público desde há cinco anos, enquanto estrutura promotora que mais projectou Águeda como destino cultural privilegiado.
O Ciclo Os CantAutores é um trabalho de criação da d'Orfeu e conta com o apoio exclusivo do IPAE/Ministério da Cultura. Os bilhetes estão à venda previamente na d'Orfeu e, nos dias dos espectáculos, no Auditório do CEFAS.
Estreia no Auditório do CEFAS em Águeda, nos próximos dias 2 e 3 de Março, pelas 21h30, o espectáculo musical que a d'Orfeu dedica à obra de Sérgio Godinho, integrado no Ciclo Os CantAutores.
Este primeiro espectáculo do Ciclo Os CantAutores baseia-se na quase totalidade da discografia de Sérgio Godinho, desde álbuns tão antigos como "Pré-Histórias" (1972), até ao novo "Lupa", editado no ano passado já no moderníssimo formato de CD (!). O processo criativo da d'Orfeu centrou-se na recuperação de muitos temas entretanto ficados à sombra dos grandes "clássicos" de Sérgio Godinho, a todos emprestando novos arranjos. Certo é que toda a obra editada será repleta de marcos brilhantes da genialidade deste cantautor. O percurso ímpar de Sérgio Godinho arrasta diferentes gerações de há 30 anos a esta parte. Dos tempos da forte cantiga de intervenção aos de uma actualíssima sonoridade, todas as facetas de Sérgio Godinho se retratam nesta homenagem da d'Orfeu.
O espectáculo dedicado a Sérgio Godinho é o primeiro de um ciclo que homenageará ainda José Afonso (em Abril) e Fausto (em Maio), sempre com apresentações em Águeda, Vila Nova de Cerveira, Tondela, Sabugal e Ourique, numa itinerância múltipla assegurada pela d'Orfeu em parceria com diversos promotores.
O trabalho criativo que sustenta este ciclo de espectáculos decorreu nos últimos anos pela mão de Luís Fernandes (que assegura a direcção musical de todo o ciclo), sob os auspícios e anseios da d'Orfeu - Associação Cultural, enquanto estrutura de produção musical e senhora de um elenco imenso de músicos cujas vivências artísticas abrangentes tornam mais universalista o desenvolvimento deste repertório.
O Ciclo Os CantAutores que agora faz arrancar os espectáculos temáticos, depois de em Janeiro ter juntado Sérgio Godinho, José Mário Branco, Amélia Muge, entre outros no Seminário sobre o tema, trata-se do mais ousado empreendimento criativo desta associação até à data e reflecte uma impressionante regularidade com que tem surgido aos olhos do público desde há cinco anos, enquanto estrutura promotora que mais projectou Águeda como destino cultural privilegiado.
O Ciclo Os CantAutores é um trabalho de criação da d'Orfeu e conta com o apoio exclusivo do IPAE/Ministério da Cultura. Os bilhetes estão à venda previamente na d'Orfeu e, nos dias dos espectáculos, no Auditório do CEFAS.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
O Seminário "Os CantAutores"
O tema do Seminário d'Orfeu deste ano surge por ocasião da aparição em cena de um ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três CantAutores portugueses (Sérgio Godinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos a partir de Março de 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.
A cidade de Águeda, enquanto sede do ciclo "Os CantAutores", para além de estrear cada um dos três espectáculos, recebe também a primeira actividade paralela: O Seminário, mobilizando desde logo os públicos em trono das ideias-base que presidem ao ciclo "Os CantAutores". E é com a presença de figuras ligadas ao meio artístico e, no caso, umbilicalmente ligadas ao fenómeno dos cantautores, que acontece, de novo, a costumeira tertúlia sobre imaginários colectivos.
PARTICIPANTES
Seminários Anteriores
A cidade de Águeda, enquanto sede do ciclo "Os CantAutores", para além de estrear cada um dos três espectáculos, recebe também a primeira actividade paralela: O Seminário, mobilizando desde logo os públicos em trono das ideias-base que presidem ao ciclo "Os CantAutores". E é com a presença de figuras ligadas ao meio artístico e, no caso, umbilicalmente ligadas ao fenómeno dos cantautores, que acontece, de novo, a costumeira tertúlia sobre imaginários colectivos.
PARTICIPANTES
- Sérgio Godinho
palavras soadas no elixir da juventude - José Mário Branco
o som da vontade de cantadizer - Amélia Muge
a cor emprestada pelo timbre à palavra - João Lóio
encontros e segredos do acto cantautor - Américo Rodrigues
vozes e sopros ao encontro da poesia visceral - Fran Perez
música de colorir palavras sonhadas - Carlos Santiago
o tropa tor - José Rui Martins
soltar a língua acenando e encenando texto - José Alberto Ferreira
um pé no traço outro no som - Maria João Serrão
a escrita não fica por aí, sai soando e bailando
Seminários Anteriores
21 Janeiro 1996
Os Instrumentos Tradicionais
com Manuel Tentúgal e Pedro Bento
A temática deste Seminário complementou, desde logo, a actividade então encetada pela d'Orfeu. Decorria à data - no âmbito do programa de apresentação pública da associação - uma exposição de instrumentos musicais portugueses, que funcionou como suporte físico do debate de ideias.
28 Dezembro 1996
A Improvisação nas Músicas do Mundo
com José Duarte
Com a participação de José Duarte - do "Outras Músicas" na RTP e do "5 minutos de jazz" na Antena 1 - este Seminário veio dar mais uma remada ao culto musical, vertente essencial da actividade artística da associação.
27 Dezembro 1997
Um Instrumento Chamado Voz
com Coro Cramol
A voz como instrumento foi o mote para percorrer as músicas do mundo, através da música étnica, do jazz, da música erudita, o rap, enfim a "world music". Foi esta a temática proposta para conversar, ouvir, ver e cantar.
3 Janeiro 1999
Música no Teatro, Teatro na Música
com José Filipe Pereira, José Rui Martins, Virgílio Caseiro, José Salgueiro e João Lázaro
Dadas as então recentes relações da d'Orfeu com o universo do teatro e na perspectiva da realização de um festival músico.teatral em Julho, a realização do Seminário com a temática proposta pretendeu envolver públicos e agentes culturais em torno da ideias-base desta relação artística.
9 Janeiro 2000
Tradição versus Inovação
com José Filipe Pereira e Arnaldo Carvalho
O que representará ter um pé na tradição e outro na inovação? Esta discussão, mais que conclusiva, foi bandeira de uma universalidade artística que se retrata cada vez mais na miscigenação de dois conceitos.
Os Instrumentos Tradicionais
com Manuel Tentúgal e Pedro Bento
A temática deste Seminário complementou, desde logo, a actividade então encetada pela d'Orfeu. Decorria à data - no âmbito do programa de apresentação pública da associação - uma exposição de instrumentos musicais portugueses, que funcionou como suporte físico do debate de ideias.
28 Dezembro 1996
A Improvisação nas Músicas do Mundo
com José Duarte
Com a participação de José Duarte - do "Outras Músicas" na RTP e do "5 minutos de jazz" na Antena 1 - este Seminário veio dar mais uma remada ao culto musical, vertente essencial da actividade artística da associação.
27 Dezembro 1997
Um Instrumento Chamado Voz
com Coro Cramol
A voz como instrumento foi o mote para percorrer as músicas do mundo, através da música étnica, do jazz, da música erudita, o rap, enfim a "world music". Foi esta a temática proposta para conversar, ouvir, ver e cantar.
3 Janeiro 1999
Música no Teatro, Teatro na Música
com José Filipe Pereira, José Rui Martins, Virgílio Caseiro, José Salgueiro e João Lázaro
Dadas as então recentes relações da d'Orfeu com o universo do teatro e na perspectiva da realização de um festival músico.teatral em Julho, a realização do Seminário com a temática proposta pretendeu envolver públicos e agentes culturais em torno da ideias-base desta relação artística.
9 Janeiro 2000
Tradição versus Inovação
com José Filipe Pereira e Arnaldo Carvalho
O que representará ter um pé na tradição e outro na inovação? Esta discussão, mais que conclusiva, foi bandeira de uma universalidade artística que se retrata cada vez mais na miscigenação de dois conceitos.
sábado, 20 de janeiro de 2001
Orlandinho
A
Guimarães Rosa
José Craveirinha
Mia Couto
Orlandinho Chale
José Rui Martins
para quem o abraço é o maior valor humano
Guimarães Rosa
José Craveirinha
Mia Couto
Orlandinho Chale
José Rui Martins
para quem o abraço é o maior valor humano
- Mato não é mais lugar de menino. Todos os dias, vem soldado e mata. todos os dias morre bicho, morre palhota, morre gente, mas menino falta tempo de morrer. Amanhã, tu, mulher, prepare os trouxa, acomoda castanha de caju e amendoim pra presentear família e vais na casa de Jacinto, no Maputo.
Ele há-de bem acolher seu irmão.
Escutei seriedade de meu pai, do outro lado do adobe. Meu choro se enrola na esteira e se confundia com soluço escurecido de minha mãe.
- Mas ele é menino em demasia - era minha mãe a semear as lágrimas de palavra. Não conhece as sombra corrida de cidade grande. Só aprendeu mesmo vagar de cacimbo tonto, pressa de manhã e noite e fustigo de chuvada quente.
- Orlandinho tem muito esperto no cabeça dele. Jacintinho há-de ilustrar seu alfabeto, de bazar de cidade, de mercado, de machimbombo, de menina, de político, de dinheiro...e agora me deixe dormir, que amanhã é outro dia de permanecer.
E foi este conversar que me baleou no mundo.
Jacinto, meu sobrinho, me recebeu com abraço exclamatório e sua mulher me tratou de matumbinho. Minha sobrinha pôs olho de urubu no meu jaleco de mato e no meu pé gretado, floreado de sandália, mas depois de desfez em casquinada de riso.
- Tche, tio, tu me parece boneco de caderno enfastiado!
Me engasguei de gargalhada com palavra de menina que me via no livro, ao lado de acento, muito gravíssimo. Eu, que nunca fui escola. Me pareceu elogiosa a gozação de parente formiguenta.
Nos amanhã seguinte se desertou toda a casa do meu irmão. Glorinha, nome de minha cunhada, se ausentou bem cedo, repenicando dois beijo na boca de meu irmão e Joaninha se equipou de saco grande nas costas, me atirou dois olhos cheios de macaquice, jogando de sobe-e-desce, e se pendurou no bração de seu pai. De uma caixa de festança, (transitor, me ensinou meu irmão) saía tamborilar de marímbas e batuque de tambor.
- Pode ouvir rádio, todo tempo que você quiser simpatizou meu irmão.
- Tche, pá, me parece terreiro de nossa aldeia, em noite de felizmente.
Me abeirei da música e meu corpo se festejou de marrabenta que saía de todo o lugar de aparelho. Me confundia de onde podiam estar tocando, se transitor não era salão de baile. Me exclamava! Como se metia artista, numa caixa tão pequena? No mato, tinha música de passaroco, conversa fiada de macaco, e, em noite de fogueira grande, matraqueio de tambor, crepitança de fogueira, grito de guerreiro, apito de bailarino, canto de mulher, que folhedo espanejava no silêncio. Me transportei até meu sertão de nascimento e me embalei com olhos de Pascoalina, menina de minha criação e de corpo muito adamado. Interrompia meu deambular, voz de homem, comerciando sapato de luxo. Toda a hora prosseguiu adormecida de festejo entrouxado.
Todos dia, a casa ora se silenciava, ora se povoava de corrida de Joaninha e da chatiação de Glorinha. Jacinto me deixava sozinho e eu me confundia com as sombra.
Um dia, me resolvi visitar rua grande, essa que se balança, perfumada em jacarandá e à noite se estreleja na baía. Nos cafés, se formigava de gente. Me atraiu tamanha trepidação. ninguém se importou com minha boa-noite e me concentrei no rádio grande de onde saía tombazana, rapariga mito dengosíssima, pavoneando coxa torneada e gigantão, com voz melosa de abacaxi. Se transitor me parecia macumba de feiticeiro velho, me assombrei superiormente, com corpo se alinhado em transparência de televisor. Mundo de mato era coisa e antigamente, acontecimento de facto mesmo, se acontece, acontece, não parece! Se Jacinto tivesse televisão, eu podia espreitar por todas as traseiras daqueles mundo ambulante e descobria mesmo o mistério de gente de fantasia. Meu irmão comprava, se Glorinha pedisse. me interrompi de lembrança de parente. Meu irmão se havia de perguntar, onde eu estaria deambulando. Voltei no bairro, caminhando a noite e me enluarando de candeeiro no poste. me esperava palavra aguda de aviso. Na cama, meu sonho se imaginou de rio saindo dos bordejo, árvore do mato acenando guiso e batucando, capim na queimada festejando seu baile vermelho, guerreiro fermentando seus salto, missanga cabriolando em peito de bailarina, flor de cajueiro odorando mulher e todo sertão se metendo em televisão. Quando Pascoalina ia-se rebolar nos meus olho, uma corrida de Joaninha entrou no sonho e me acordou com sonorento aguaceiro.
Mas todo o dia se inundou meu pensamento, de mistério. O rádio me questionava ainda, mas não espelhava pessoa. E hoje ele se roufenhava, engasgando barulho. Jacinto me recomendou que o levasse na oficina, que seu Tomazinho era seu amigo e havia de o descomplicar. Levei o aparelho no consertador e fiquei olhando maningâncias de oficineiro. Bem que enfiava os olhos no parafuso, nas pilha, nas peça redonda encaixando em tubo, mas não via sítio, onde coubesse voz. Minha cabeça se desfazia em perguntações.
Meu irmão ignorava meu analfabetismo e eu regressei na cidade de jacarandá. Eu queria mesmo aprender feitiço de televisão. Me carreguei de atenção e me iluminei de ideia nova.
Eram férias de Joaninha e ela se companheirava de brincadeira com outras menina. As convidei no meu quarto, se acomodei em branquinho, e me deslocava na varanda, por trás do vidro, acenando e gesticulando, me desfazendo de rir, como fazia artista de televisão. Joaninha, nos primeiro minuto, se intervalou de risada e me olhava com olhar de desentendimento, mas amiguinha começou a acenar, a bater palma, a se escangalhar de rir com minhas momice e Joaninha se emparceirou no aplauso. Eu me empolgava e aumentava minha teatrice, mudando minha personagem, compondo minha história.
Menina me pedia agora espectáculo diário e eu enchia meu tempo compondo caso. Joaninha ficava sendo conhecida como tendo tio de historiação. As palma de menina me levaram a construir meu teatrinho de caixa de cartão e levar no mercado, para entreter vendedeira.
Comecei contando história para mulher.
- Tche, Orlandinho, põe pimenta na janta!
E mulherio se ria desbocado, pedindo amor de invenção. No fim de cada sessão, moedas choviam no meu prato e eu fui investindo no meu teatro ambulante. Um dia, um amigo me levou no cinema e me maravilhei com história de amor. Se eu contasse filme no mercado, meu aplauso ia crescer. De noite, me acudiam personagens, que se beijavam, se rebolavam, se ansiavam de ais e de uis e se queriam meter em filme de adulto. Decidi que tinha de arrnajar cortininha, contar minha história no escondido da sombra, lhe dar palavra de namoro e suspiração de maor. Vendedeira me pedia sempre história mais atrevida. Público crescia, quando o filme era de caso nocturno.Minha falta de dinheiro foi-se minguando. Comprei altifalante, para espalhar mais sonoro na assistência.
Resolvi que já podia morar só comigo, em quarto de rua grande. Glorinha se aliviou de seu olhar de embondeiro enfastiado, Jacinto me questionou se meu teatro era substantivo e eu lhe disse que sim, me sustentava, me vestia e me pagava acomodação. Só Joaninha pranteou um choro pequenino por seu artista parente.
E agora tenho uma banca no mercado. Vendo fantasia barata. Me chamam de Orlandinho, o do teatro de sombras. um dia, artista grande passou. Parou, ouviu meu filme de adulto, me chamou de companheiro, me convidou no Potugal. Tche pá, que mais havia de querer teatreiro de cartão? Assim fiz um amigão, que me trouxe no Tondela, no Águeda, emtanta terra bonita. Nome do amigão é de José Rui Martins. Também teatrei no Espanha, mas onde me sinto irmão é aqui mesmo, em Portugal, na terra de me entender, de me gostar, na capital, na ACERT, na d'Orfeu, onde alguém queira me ver e me ouvir, num teatro de cartão. Meu nome se apresentou no começo da história: Orlandinho Chale!
Me desculpem arrasoado sem letras, mas eu ser muito pouquíssimo escola!
Ele há-de bem acolher seu irmão.
Escutei seriedade de meu pai, do outro lado do adobe. Meu choro se enrola na esteira e se confundia com soluço escurecido de minha mãe.
- Mas ele é menino em demasia - era minha mãe a semear as lágrimas de palavra. Não conhece as sombra corrida de cidade grande. Só aprendeu mesmo vagar de cacimbo tonto, pressa de manhã e noite e fustigo de chuvada quente.
- Orlandinho tem muito esperto no cabeça dele. Jacintinho há-de ilustrar seu alfabeto, de bazar de cidade, de mercado, de machimbombo, de menina, de político, de dinheiro...e agora me deixe dormir, que amanhã é outro dia de permanecer.
E foi este conversar que me baleou no mundo.
Jacinto, meu sobrinho, me recebeu com abraço exclamatório e sua mulher me tratou de matumbinho. Minha sobrinha pôs olho de urubu no meu jaleco de mato e no meu pé gretado, floreado de sandália, mas depois de desfez em casquinada de riso.
- Tche, tio, tu me parece boneco de caderno enfastiado!
Me engasguei de gargalhada com palavra de menina que me via no livro, ao lado de acento, muito gravíssimo. Eu, que nunca fui escola. Me pareceu elogiosa a gozação de parente formiguenta.
Nos amanhã seguinte se desertou toda a casa do meu irmão. Glorinha, nome de minha cunhada, se ausentou bem cedo, repenicando dois beijo na boca de meu irmão e Joaninha se equipou de saco grande nas costas, me atirou dois olhos cheios de macaquice, jogando de sobe-e-desce, e se pendurou no bração de seu pai. De uma caixa de festança, (transitor, me ensinou meu irmão) saía tamborilar de marímbas e batuque de tambor.
- Pode ouvir rádio, todo tempo que você quiser simpatizou meu irmão.
- Tche, pá, me parece terreiro de nossa aldeia, em noite de felizmente.
Me abeirei da música e meu corpo se festejou de marrabenta que saía de todo o lugar de aparelho. Me confundia de onde podiam estar tocando, se transitor não era salão de baile. Me exclamava! Como se metia artista, numa caixa tão pequena? No mato, tinha música de passaroco, conversa fiada de macaco, e, em noite de fogueira grande, matraqueio de tambor, crepitança de fogueira, grito de guerreiro, apito de bailarino, canto de mulher, que folhedo espanejava no silêncio. Me transportei até meu sertão de nascimento e me embalei com olhos de Pascoalina, menina de minha criação e de corpo muito adamado. Interrompia meu deambular, voz de homem, comerciando sapato de luxo. Toda a hora prosseguiu adormecida de festejo entrouxado.
Todos dia, a casa ora se silenciava, ora se povoava de corrida de Joaninha e da chatiação de Glorinha. Jacinto me deixava sozinho e eu me confundia com as sombra.
Um dia, me resolvi visitar rua grande, essa que se balança, perfumada em jacarandá e à noite se estreleja na baía. Nos cafés, se formigava de gente. Me atraiu tamanha trepidação. ninguém se importou com minha boa-noite e me concentrei no rádio grande de onde saía tombazana, rapariga mito dengosíssima, pavoneando coxa torneada e gigantão, com voz melosa de abacaxi. Se transitor me parecia macumba de feiticeiro velho, me assombrei superiormente, com corpo se alinhado em transparência de televisor. Mundo de mato era coisa e antigamente, acontecimento de facto mesmo, se acontece, acontece, não parece! Se Jacinto tivesse televisão, eu podia espreitar por todas as traseiras daqueles mundo ambulante e descobria mesmo o mistério de gente de fantasia. Meu irmão comprava, se Glorinha pedisse. me interrompi de lembrança de parente. Meu irmão se havia de perguntar, onde eu estaria deambulando. Voltei no bairro, caminhando a noite e me enluarando de candeeiro no poste. me esperava palavra aguda de aviso. Na cama, meu sonho se imaginou de rio saindo dos bordejo, árvore do mato acenando guiso e batucando, capim na queimada festejando seu baile vermelho, guerreiro fermentando seus salto, missanga cabriolando em peito de bailarina, flor de cajueiro odorando mulher e todo sertão se metendo em televisão. Quando Pascoalina ia-se rebolar nos meus olho, uma corrida de Joaninha entrou no sonho e me acordou com sonorento aguaceiro.
Mas todo o dia se inundou meu pensamento, de mistério. O rádio me questionava ainda, mas não espelhava pessoa. E hoje ele se roufenhava, engasgando barulho. Jacinto me recomendou que o levasse na oficina, que seu Tomazinho era seu amigo e havia de o descomplicar. Levei o aparelho no consertador e fiquei olhando maningâncias de oficineiro. Bem que enfiava os olhos no parafuso, nas pilha, nas peça redonda encaixando em tubo, mas não via sítio, onde coubesse voz. Minha cabeça se desfazia em perguntações.
Meu irmão ignorava meu analfabetismo e eu regressei na cidade de jacarandá. Eu queria mesmo aprender feitiço de televisão. Me carreguei de atenção e me iluminei de ideia nova.
Eram férias de Joaninha e ela se companheirava de brincadeira com outras menina. As convidei no meu quarto, se acomodei em branquinho, e me deslocava na varanda, por trás do vidro, acenando e gesticulando, me desfazendo de rir, como fazia artista de televisão. Joaninha, nos primeiro minuto, se intervalou de risada e me olhava com olhar de desentendimento, mas amiguinha começou a acenar, a bater palma, a se escangalhar de rir com minhas momice e Joaninha se emparceirou no aplauso. Eu me empolgava e aumentava minha teatrice, mudando minha personagem, compondo minha história.
Menina me pedia agora espectáculo diário e eu enchia meu tempo compondo caso. Joaninha ficava sendo conhecida como tendo tio de historiação. As palma de menina me levaram a construir meu teatrinho de caixa de cartão e levar no mercado, para entreter vendedeira.
Comecei contando história para mulher.
- Tche, Orlandinho, põe pimenta na janta!
E mulherio se ria desbocado, pedindo amor de invenção. No fim de cada sessão, moedas choviam no meu prato e eu fui investindo no meu teatro ambulante. Um dia, um amigo me levou no cinema e me maravilhei com história de amor. Se eu contasse filme no mercado, meu aplauso ia crescer. De noite, me acudiam personagens, que se beijavam, se rebolavam, se ansiavam de ais e de uis e se queriam meter em filme de adulto. Decidi que tinha de arrnajar cortininha, contar minha história no escondido da sombra, lhe dar palavra de namoro e suspiração de maor. Vendedeira me pedia sempre história mais atrevida. Público crescia, quando o filme era de caso nocturno.Minha falta de dinheiro foi-se minguando. Comprei altifalante, para espalhar mais sonoro na assistência.
Resolvi que já podia morar só comigo, em quarto de rua grande. Glorinha se aliviou de seu olhar de embondeiro enfastiado, Jacinto me questionou se meu teatro era substantivo e eu lhe disse que sim, me sustentava, me vestia e me pagava acomodação. Só Joaninha pranteou um choro pequenino por seu artista parente.
E agora tenho uma banca no mercado. Vendo fantasia barata. Me chamam de Orlandinho, o do teatro de sombras. um dia, artista grande passou. Parou, ouviu meu filme de adulto, me chamou de companheiro, me convidou no Potugal. Tche pá, que mais havia de querer teatreiro de cartão? Assim fiz um amigão, que me trouxe no Tondela, no Águeda, emtanta terra bonita. Nome do amigão é de José Rui Martins. Também teatrei no Espanha, mas onde me sinto irmão é aqui mesmo, em Portugal, na terra de me entender, de me gostar, na capital, na ACERT, na d'Orfeu, onde alguém queira me ver e me ouvir, num teatro de cartão. Meu nome se apresentou no começo da história: Orlandinho Chale!
Me desculpem arrasoado sem letras, mas eu ser muito pouquíssimo escola!
Odete Ferreira
quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Seminário "Os CantAutores" - ponte para novas ousadias!
A d'Orfeu, na última tarde de domingo, abriu as hostilidades a mais um ano de produção cultural em Águeda, sob o lema que norteará o seu trabalho de criação deste primeiro semestre de 2001: "Os CantAutores"
A avidez deste publico que encheu a sala da Fundação Dionísio Pinheiro para uma costumeira tertúlia, desta vez, informalmente dinâmica, e a presença de Sérgio Godinho, José Mário Branco, Almeida Muge, João Lóio, José Alberto Ferreira, Fran Perez, Carlos Santiago, deram mais uma remada a este barco cuja navegação já vai alta.
Mobilizados desde já os públicos em torno das ideias-base que presidem a "CantAutores" é tempo de ansiar pela aparição em cena do ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três cantautores portugueses (Sérgio Gidinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos no primeiro semestre se 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.
Este seminário - primeira actividade paralela do ciclo - reforça vontades cada vez colectivas de ousar viver culturalmente em Águeda. Dizem por aí.

A avidez deste publico que encheu a sala da Fundação Dionísio Pinheiro para uma costumeira tertúlia, desta vez, informalmente dinâmica, e a presença de Sérgio Godinho, José Mário Branco, Almeida Muge, João Lóio, José Alberto Ferreira, Fran Perez, Carlos Santiago, deram mais uma remada a este barco cuja navegação já vai alta.
Mobilizados desde já os públicos em torno das ideias-base que presidem a "CantAutores" é tempo de ansiar pela aparição em cena do ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três cantautores portugueses (Sérgio Gidinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos no primeiro semestre se 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.
Este seminário - primeira actividade paralela do ciclo - reforça vontades cada vez colectivas de ousar viver culturalmente em Águeda. Dizem por aí.

sábado, 2 de dezembro de 2000
Andamento apresenta-se nas casas-mãe
O colectivo "Andamento" vem apresentando novos trabalhos nas últimas aparições em público. A 28 de Novembro, a convite da Cerciag, por ocasião da passagem da "Chama da Amizade" por Águeda e no dia 1 de Dezembro na inauguração da exposição de Teresa Cortez promovida pela ANATA na Fundação Dionísio Pinheiro, os jovens declamadores e músicos da d'Orfeu e da Castilho deram voz e corpo a trabalhos temáticos concebidos para aquelas situações, bem como o repertório entretanto já estreado.
O "Andamento" - que incide particularmente na construção poética, buscando a sua fusão com rudimentos musicais - tem próximas apresentações previstas no bard'O (Espaço d'Orfeu), a 14 de Dezembro numa das noites do OuTonalidades e a 19 deste mesmo mês, no sarau natalício da Escola Secundária Marques de Castilho.
Somos nós, querida Europa!
Parte a d'Orfeu por estes dias, Europa fora, ao encontro de qualificação ao mais alto nível em três cidades europeias. A operação, cuja oportunidade é irrepetível e por isso apadrinhada por organismos do poder público, redundará em inegáveis mais-valias técnicas e artísticas num quadro de intervenção pública da d'Orfeu nos domínios sócio-culturais.
Bruxelas (Bélgica), 5 a 7 de Dezembro de 2000
Jornadas Técnicas do Espectáculo e do Acontecimento Cultural
Journées Techniques du Spectacle et de l'Évenement
Financiador: Câmara Municipal de Águeda
Montpellier (França), 9 a 14 de Dezembro de 2000
Estágio Europeu de Formação para Intercâmbios de Jovens
Stage Europeen de Formation aux Échanges de Jeunes
Financiador: Comissão Europeia "Programa Juventude"/Instituto Português da Juventude
Lille (França), 14 a 17 de Dezembro de 2000
Encontros Jovens Criadores Europeus e Realidades Sociais
Rencontres de Jeunes Créateurs Européens et Realités Sociales
Financiador: Ministério da Cultura - Delegação Regional da Cultura do Centro
A primeira acção, de carácter essencialmente técnico, tratará questões como o espaço cénico, o equipamento e as normas europeias no domínio dos edifícios de espectáculos; a segunda, promoverá sinergias entre organizações juvenis e técnicos de vários países com vista ao desenvolvimento de projectos de intercâmbio multilaterais; e a terceira, de vocação sócio-artística, pretende promover a profissionalização e o alargamento dos projectos artísticos ligados ao tratamento de assimetrias sociais actuais.
A pertinência que para nós assumem estas frentes - diversas e complementares -, num quadro simultaneamente internacional, nacional, regional e local, valorizando as competências da d'Orfeu na sua dimensão mais pública e interventiva, empurram-nos para a responsabilidade deste desafio. Caberá ao coordenador Luís Fernandes avidamente colher os resultados desta imensa formação e, uma vez em Águeda, continuar a promover a multiplicidade deste projecto associativo que se chama d'Orfeu.
Bruxelas (Bélgica), 5 a 7 de Dezembro de 2000
Jornadas Técnicas do Espectáculo e do Acontecimento Cultural
Journées Techniques du Spectacle et de l'Évenement
Financiador: Câmara Municipal de Águeda
Montpellier (França), 9 a 14 de Dezembro de 2000
Estágio Europeu de Formação para Intercâmbios de Jovens
Stage Europeen de Formation aux Échanges de Jeunes
Financiador: Comissão Europeia "Programa Juventude"/Instituto Português da Juventude
Lille (França), 14 a 17 de Dezembro de 2000
Encontros Jovens Criadores Europeus e Realidades Sociais
Rencontres de Jeunes Créateurs Européens et Realités Sociales
Financiador: Ministério da Cultura - Delegação Regional da Cultura do Centro
A primeira acção, de carácter essencialmente técnico, tratará questões como o espaço cénico, o equipamento e as normas europeias no domínio dos edifícios de espectáculos; a segunda, promoverá sinergias entre organizações juvenis e técnicos de vários países com vista ao desenvolvimento de projectos de intercâmbio multilaterais; e a terceira, de vocação sócio-artística, pretende promover a profissionalização e o alargamento dos projectos artísticos ligados ao tratamento de assimetrias sociais actuais.
A pertinência que para nós assumem estas frentes - diversas e complementares -, num quadro simultaneamente internacional, nacional, regional e local, valorizando as competências da d'Orfeu na sua dimensão mais pública e interventiva, empurram-nos para a responsabilidade deste desafio. Caberá ao coordenador Luís Fernandes avidamente colher os resultados desta imensa formação e, uma vez em Águeda, continuar a promover a multiplicidade deste projecto associativo que se chama d'Orfeu.
segunda-feira, 23 de outubro de 2000
OuTonalidades 2000 - 4ª Edição
Aí está a 4ª edição do OuTonalidades! O circuito de música ao vivo por bares do concelho de Águeda vai arrancar em força. Uma programação vastíssima vai fazer de Águeda, mais uma vez, destino cultural privilegiado para todos os públicos durante dois meses. Sempre pela mão da d'Orfeu, o OuTonalidades tem início marcado para 3 de Novembro e só termina no último dia do Outono.
Até 20 de Dezembro, acontecerão 38 animações, rotativamente pelos treze bares do concelho de Águeda que aderiram ao projecto. Com o evento pretendem-se cativar os públicos para propostas inovadoras em termos musicais, provocando uma migração que faça deste circuito inédito, ponto de referência regional e nacional.
O entusiasmo da adesão de todos os agentes envolvidos - grupos e bares - no OuTonalidades, vai repetir e multiplicar a grande festa resultante das anteriores edições, que se sucedem anualmente desde 1997. Cabe, aliás aos bares, o grande mérito desta imensa programação em Águeda, sendo que a sua participação no evento vem dependendo de uma forte vontade também cultural. São os ares de uma postura nova e contagiante e que, pelos vistos, vai continuar a lançar antídotos aos instalados comodismos.
O formato do evento apresenta-se com algumas inovações. O facto de uma maior distribuição dos espectáculos pelos dias da semana, fará com que Águeda viva esta festa quase ininterruptamente. Para além de cada um dos bares aderentes, serão também anfitriões da programação do OuTonalidades 2000 o bard'O e o Espaço d'Orfeu, onde aliás começará e terminará o evento.
A produção executiva e coordenação do "OuTonalidades" são asseguradas pela d'Orfeu. A Câmara Municipal de Águeda apoia o evento de forma institucional, permitindo o alargamento do horário nocturno dos bares, nas noites do "OuTonalidades". O evento é ainda considerado de manifesto interesse cultural pelo Ministério da Cultura, no âmbito da actividade global da d'Orfeu.
Até 20 de Dezembro, acontecerão 38 animações, rotativamente pelos treze bares do concelho de Águeda que aderiram ao projecto. Com o evento pretendem-se cativar os públicos para propostas inovadoras em termos musicais, provocando uma migração que faça deste circuito inédito, ponto de referência regional e nacional.
O entusiasmo da adesão de todos os agentes envolvidos - grupos e bares - no OuTonalidades, vai repetir e multiplicar a grande festa resultante das anteriores edições, que se sucedem anualmente desde 1997. Cabe, aliás aos bares, o grande mérito desta imensa programação em Águeda, sendo que a sua participação no evento vem dependendo de uma forte vontade também cultural. São os ares de uma postura nova e contagiante e que, pelos vistos, vai continuar a lançar antídotos aos instalados comodismos.
O formato do evento apresenta-se com algumas inovações. O facto de uma maior distribuição dos espectáculos pelos dias da semana, fará com que Águeda viva esta festa quase ininterruptamente. Para além de cada um dos bares aderentes, serão também anfitriões da programação do OuTonalidades 2000 o bard'O e o Espaço d'Orfeu, onde aliás começará e terminará o evento.
A produção executiva e coordenação do "OuTonalidades" são asseguradas pela d'Orfeu. A Câmara Municipal de Águeda apoia o evento de forma institucional, permitindo o alargamento do horário nocturno dos bares, nas noites do "OuTonalidades". O evento é ainda considerado de manifesto interesse cultural pelo Ministério da Cultura, no âmbito da actividade global da d'Orfeu.
domingo, 1 de outubro de 2000
Impressionante Agenda!
| Data e hora | Acontecimento | Local |
| Qua 11 Out 22:00 | Chegada Músicos Expo’Hannover | Bard’O |
| Qui 12 Out 22:00 | Biombo da Festa | Bard’O |
| Sex 13 Out 22:00 | Assembleia Geral Extraordinária | D’Orfeu |
| Sáb 14 Out 22:00 | Projecção Sérgio Godinho no Rivoli | Bard’O |
| Ter 17 Out 21:30 | Biombo da Festa | Braga |
| Qua 21 Out 21:00 | Reunião colectividade UNICC | D’Orfeu |
| Qui 26 Out 22:00 | Oficina “Danças e Toques do Caramulo” | Bard’O |
| Sex 27 Out 20:00 | Reabertura actividade Estudos Gerais | Espaço d’Orfeu |
| 28 Out a 2 Nov | Biombo da Festa | Ponta Delgada |
| Sex 3 Nov 21:30 | Andamento | CEFAS |
| Sáb 4 Nov 14:30 | Oficina “Danças e Toques do Caramulo” | Hotel Caramulo |
| Sáb 4 Nov 23:00 | Biombo da Festa | Novo Ciclo ACERT |
| Sáb 11 Nov 21:30 | Biombo da Festa | Vale de Cambra |
| 15 a 18 Nov | Strictly Mundial 2000 | Zaragoza (Espanha) |
E ainda...
-> as incontáveis animações no bard'O
-> o Outonalidades 2000
-> as incontáveis animações no bard'O
-> o Outonalidades 2000
quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Crónica de Hannover
Águeda fica a murmurar com o rio
e o avião bate as asas a memoriar
chegados fomos habitantes de um pátio alemão
e um tempo estranho no ar
Ora, nem chove nem sai de cima.
A bandita entra no terreiro
onde havia um sabor a Guarana
trocam-se disparates e joga-se a vida ao ar.
para que areje...
eis que triunfante surge o inesperado,
exactamente porque ninguém esperava...
Mario, a personagem.
Um ser dançante à beira de um ataque psicadélico
contador de histórias e viagens.
Falou de Zanduliak, o seu companheiro de sonhos
e o Caramulo, como não podia deixar de ser,
falou do seu enamoramento por Inana, uma paixão daquelas.
Até dormia de olhos abertos não fosse ela fugir
Entre lagos e planícies,
bosques e veados,
Entre Celle e Amsterdam
calhaus encontrados
Foi uma pedra pá
a Parada chanfrada
e a Plaza animada
e mais historias se perceberão no fim
que o bard'O é que as sabe traduzir
e o avião bate as asas a memoriar
chegados fomos habitantes de um pátio alemão
e um tempo estranho no ar
Ora, nem chove nem sai de cima.
A bandita entra no terreiro
onde havia um sabor a Guarana
trocam-se disparates e joga-se a vida ao ar.
para que areje...
eis que triunfante surge o inesperado,
exactamente porque ninguém esperava...
Mario, a personagem.
Um ser dançante à beira de um ataque psicadélico
contador de histórias e viagens.
Falou de Zanduliak, o seu companheiro de sonhos
e o Caramulo, como não podia deixar de ser,
falou do seu enamoramento por Inana, uma paixão daquelas.
Até dormia de olhos abertos não fosse ela fugir
Entre lagos e planícies,
bosques e veados,
Entre Celle e Amsterdam
calhaus encontrados
Foi uma pedra pá
a Parada chanfrada
e a Plaza animada
e mais historias se perceberão no fim
que o bard'O é que as sabe traduzir
Xiktocas
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