sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001

O Seminário "Os CantAutores"

O tema do Seminário d'Orfeu deste ano surge por ocasião da aparição em cena de um ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três CantAutores portugueses (Sérgio Godinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos a partir de Março de 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.

A cidade de Águeda, enquanto sede do ciclo "Os CantAutores", para além de estrear cada um dos três espectáculos, recebe também a primeira actividade paralela: O Seminário, mobilizando desde logo os públicos em trono das ideias-base que presidem ao ciclo "Os CantAutores". E é com a presença de figuras ligadas ao meio artístico e, no caso, umbilicalmente ligadas ao fenómeno dos cantautores, que acontece, de novo, a costumeira tertúlia sobre imaginários colectivos.

PARTICIPANTES
  • Sérgio Godinho
    palavras soadas no elixir da juventude

  • José Mário Branco
    o som da vontade de cantadizer

  • Amélia Muge
    a cor emprestada pelo timbre à palavra

  • João Lóio
    encontros e segredos do acto cantautor

  • Américo Rodrigues
    vozes e sopros ao encontro da poesia visceral

  • Fran Perez
    música de colorir palavras sonhadas

  • Carlos Santiago
    o tropa tor

  • José Rui Martins
    soltar a língua acenando e encenando texto

  • José Alberto Ferreira
    um pé no traço outro no som

  • Maria João Serrão
    a escrita não fica por aí, sai soando e bailando

Seminários Anteriores

21 Janeiro 1996
Os Instrumentos Tradicionais
com Manuel Tentúgal e Pedro Bento

A temática deste Seminário complementou, desde logo, a actividade então encetada pela d'Orfeu. Decorria à data - no âmbito do programa de apresentação pública da associação - uma exposição de instrumentos musicais portugueses, que funcionou como suporte físico do debate de ideias.

28 Dezembro 1996
A Improvisação nas Músicas do Mundo
com José Duarte

Com a participação de José Duarte - do "Outras Músicas" na RTP e do "5 minutos de jazz" na Antena 1 - este Seminário veio dar mais uma remada ao culto musical, vertente essencial da actividade artística da associação.

27 Dezembro 1997
Um Instrumento Chamado Voz
com Coro Cramol

A voz como instrumento foi o mote para percorrer as músicas do mundo, através da música étnica, do jazz, da música erudita, o rap, enfim a "world music". Foi esta a temática proposta para conversar, ouvir, ver e cantar.

3 Janeiro 1999
Música no Teatro, Teatro na Música
com José Filipe Pereira, José Rui Martins, Virgílio Caseiro, José Salgueiro e João Lázaro

Dadas as então recentes relações da d'Orfeu com o universo do teatro e na perspectiva da realização de um festival músico.teatral em Julho, a realização do Seminário com a temática proposta pretendeu envolver públicos e agentes culturais em torno da ideias-base desta relação artística.

9 Janeiro 2000
Tradição versus Inovação
com José Filipe Pereira e Arnaldo Carvalho

O que representará ter um pé na tradição e outro na inovação? Esta discussão, mais que conclusiva, foi bandeira de uma universalidade artística que se retrata cada vez mais na miscigenação de dois conceitos.

sábado, 20 de janeiro de 2001

Orlandinho

A
Guimarães Rosa
José Craveirinha
Mia Couto
Orlandinho Chale
José Rui Martins
para quem o abraço é o maior valor humano

- Mato não é mais lugar de menino. Todos os dias, vem soldado e mata. todos os dias morre bicho, morre palhota, morre gente, mas menino falta tempo de morrer. Amanhã, tu, mulher, prepare os trouxa, acomoda castanha de caju e amendoim pra presentear família e vais na casa de Jacinto, no Maputo.
Ele há-de bem acolher seu irmão.

Escutei seriedade de meu pai, do outro lado do adobe. Meu choro se enrola na esteira e se confundia com soluço escurecido de minha mãe.

- Mas ele é menino em demasia - era minha mãe a semear as lágrimas de palavra. Não conhece as sombra corrida de cidade grande. Só aprendeu mesmo vagar de cacimbo tonto, pressa de manhã e noite e fustigo de chuvada quente.

- Orlandinho tem muito esperto no cabeça dele. Jacintinho há-de ilustrar seu alfabeto, de bazar de cidade, de mercado, de machimbombo, de menina, de político, de dinheiro...e agora me deixe dormir, que amanhã é outro dia de permanecer.

E foi este conversar que me baleou no mundo.

Jacinto, meu sobrinho, me recebeu com abraço exclamatório e sua mulher me tratou de matumbinho. Minha sobrinha pôs olho de urubu no meu jaleco de mato e no meu pé gretado, floreado de sandália, mas depois de desfez em casquinada de riso.

- Tche, tio, tu me parece boneco de caderno enfastiado!

Me engasguei de gargalhada com palavra de menina que me via no livro, ao lado de acento, muito gravíssimo. Eu, que nunca fui escola. Me pareceu elogiosa a gozação de parente formiguenta.

Nos amanhã seguinte se desertou toda a casa do meu irmão. Glorinha, nome de minha cunhada, se ausentou bem cedo, repenicando dois beijo na boca de meu irmão e Joaninha se equipou de saco grande nas costas, me atirou dois olhos cheios de macaquice, jogando de sobe-e-desce, e se pendurou no bração de seu pai. De uma caixa de festança, (transitor, me ensinou meu irmão) saía tamborilar de marímbas e batuque de tambor.

- Pode ouvir rádio, todo tempo que você quiser simpatizou meu irmão.
- Tche, pá, me parece terreiro de nossa aldeia, em noite de felizmente.

Me abeirei da música e meu corpo se festejou de marrabenta que saía de todo o lugar de aparelho. Me confundia de onde podiam estar tocando, se transitor não era salão de baile. Me exclamava! Como se metia artista, numa caixa tão pequena? No mato, tinha música de passaroco, conversa fiada de macaco, e, em noite de fogueira grande, matraqueio de tambor, crepitança de fogueira, grito de guerreiro, apito de bailarino, canto de mulher, que folhedo espanejava no silêncio. Me transportei até meu sertão de nascimento e me embalei com olhos de Pascoalina, menina de minha criação e de corpo muito adamado. Interrompia meu deambular, voz de homem, comerciando sapato de luxo. Toda a hora prosseguiu adormecida de festejo entrouxado.

Todos dia, a casa ora se silenciava, ora se povoava de corrida de Joaninha e da chatiação de Glorinha. Jacinto me deixava sozinho e eu me confundia com as sombra.

Um dia, me resolvi visitar rua grande, essa que se balança, perfumada em jacarandá e à noite se estreleja na baía. Nos cafés, se formigava de gente. Me atraiu tamanha trepidação. ninguém se importou com minha boa-noite e me concentrei no rádio grande de onde saía tombazana, rapariga mito dengosíssima, pavoneando coxa torneada e gigantão, com voz melosa de abacaxi. Se transitor me parecia macumba de feiticeiro velho, me assombrei superiormente, com corpo se alinhado em transparência de televisor. Mundo de mato era coisa e antigamente, acontecimento de facto mesmo, se acontece, acontece, não parece! Se Jacinto tivesse televisão, eu podia espreitar por todas as traseiras daqueles mundo ambulante e descobria mesmo o mistério de gente de fantasia. Meu irmão comprava, se Glorinha pedisse. me interrompi de lembrança de parente. Meu irmão se havia de perguntar, onde eu estaria deambulando. Voltei no bairro, caminhando a noite e me enluarando de candeeiro no poste. me esperava palavra aguda de aviso. Na cama, meu sonho se imaginou de rio saindo dos bordejo, árvore do mato acenando guiso e batucando, capim na queimada festejando seu baile vermelho, guerreiro fermentando seus salto, missanga cabriolando em peito de bailarina, flor de cajueiro odorando mulher e todo sertão se metendo em televisão. Quando Pascoalina ia-se rebolar nos meus olho, uma corrida de Joaninha entrou no sonho e me acordou com sonorento aguaceiro.

Mas todo o dia se inundou meu pensamento, de mistério. O rádio me questionava ainda, mas não espelhava pessoa. E hoje ele se roufenhava, engasgando barulho. Jacinto me recomendou que o levasse na oficina, que seu Tomazinho era seu amigo e havia de o descomplicar. Levei o aparelho no consertador e fiquei olhando maningâncias de oficineiro. Bem que enfiava os olhos no parafuso, nas pilha, nas peça redonda encaixando em tubo, mas não via sítio, onde coubesse voz. Minha cabeça se desfazia em perguntações.

Meu irmão ignorava meu analfabetismo e eu regressei na cidade de jacarandá. Eu queria mesmo aprender feitiço de televisão. Me carreguei de atenção e me iluminei de ideia nova.

Eram férias de Joaninha e ela se companheirava de brincadeira com outras menina. As convidei no meu quarto, se acomodei em branquinho, e me deslocava na varanda, por trás do vidro, acenando e gesticulando, me desfazendo de rir, como fazia artista de televisão. Joaninha, nos primeiro minuto, se intervalou de risada e me olhava com olhar de desentendimento, mas amiguinha começou a acenar, a bater palma, a se escangalhar de rir com minhas momice e Joaninha se emparceirou no aplauso. Eu me empolgava e aumentava minha teatrice, mudando minha personagem, compondo minha história.

Menina me pedia agora espectáculo diário e eu enchia meu tempo compondo caso. Joaninha ficava sendo conhecida como tendo tio de historiação. As palma de menina me levaram a construir meu teatrinho de caixa de cartão e levar no mercado, para entreter vendedeira.

Comecei contando história para mulher.

- Tche, Orlandinho, põe pimenta na janta!

E mulherio se ria desbocado, pedindo amor de invenção. No fim de cada sessão, moedas choviam no meu prato e eu fui investindo no meu teatro ambulante. Um dia, um amigo me levou no cinema e me maravilhei com história de amor. Se eu contasse filme no mercado, meu aplauso ia crescer. De noite, me acudiam personagens, que se beijavam, se rebolavam, se ansiavam de ais e de uis e se queriam meter em filme de adulto. Decidi que tinha de arrnajar cortininha, contar minha história no escondido da sombra, lhe dar palavra de namoro e suspiração de maor. Vendedeira me pedia sempre história mais atrevida. Público crescia, quando o filme era de caso nocturno.Minha falta de dinheiro foi-se minguando. Comprei altifalante, para espalhar mais sonoro na assistência.

Resolvi que já podia morar só comigo, em quarto de rua grande. Glorinha se aliviou de seu olhar de embondeiro enfastiado, Jacinto me questionou se meu teatro era substantivo e eu lhe disse que sim, me sustentava, me vestia e me pagava acomodação. Só Joaninha pranteou um choro pequenino por seu artista parente.

E agora tenho uma banca no mercado. Vendo fantasia barata. Me chamam de Orlandinho, o do teatro de sombras. um dia, artista grande passou. Parou, ouviu meu filme de adulto, me chamou de companheiro, me convidou no Potugal. Tche pá, que mais havia de querer teatreiro de cartão? Assim fiz um amigão, que me trouxe no Tondela, no Águeda, emtanta terra bonita. Nome do amigão é de José Rui Martins. Também teatrei no Espanha, mas onde me sinto irmão é aqui mesmo, em Portugal, na terra de me entender, de me gostar, na capital, na ACERT, na d'Orfeu, onde alguém queira me ver e me ouvir, num teatro de cartão. Meu nome se apresentou no começo da história: Orlandinho Chale!

Me desculpem arrasoado sem letras, mas eu ser muito pouquíssimo escola!

Odete Ferreira

quarta-feira, 10 de janeiro de 2001

Seminário "Os CantAutores" - ponte para novas ousadias!

A d'Orfeu, na última tarde de domingo, abriu as hostilidades a mais um ano de produção cultural em Águeda, sob o lema que norteará o seu trabalho de criação deste primeiro semestre de 2001: "Os CantAutores"
A avidez deste publico que encheu a sala da Fundação Dionísio Pinheiro para uma costumeira tertúlia, desta vez, informalmente dinâmica, e a presença de Sérgio Godinho, José Mário Branco, Almeida Muge, João Lóio, José Alberto Ferreira, Fran Perez, Carlos Santiago, deram mais uma remada a este barco cuja navegação já vai alta.

Mobilizados desde já os públicos em torno das ideias-base que presidem a "CantAutores" é tempo de ansiar pela aparição em cena do ciclo temático de espectáculos musicais dedicado a três cantautores portugueses (Sérgio Gidinho, José Afonso e Fausto), concebido e interpretado pela d'Orfeu e que povoará os palcos no primeiro semestre se 2001, primeiro em Águeda e, depois, em itinerância nacional.
Este seminário - primeira actividade paralela do ciclo - reforça vontades cada vez colectivas de ousar viver culturalmente em Águeda. Dizem por aí.


sábado, 2 de dezembro de 2000

Andamento apresenta-se nas casas-mãe

O colectivo "Andamento" vem apresentando novos trabalhos nas últimas aparições em público. A 28 de Novembro, a convite da Cerciag, por ocasião da passagem da "Chama da Amizade" por Águeda e no dia 1 de Dezembro na inauguração da exposição de Teresa Cortez promovida pela ANATA na Fundação Dionísio Pinheiro, os jovens declamadores e músicos da d'Orfeu e da Castilho deram voz e corpo a trabalhos temáticos concebidos para aquelas situações, bem como o repertório entretanto já estreado.
O "Andamento" - que incide particularmente na construção poética, buscando a sua fusão com rudimentos musicais - tem próximas apresentações previstas no bard'O (Espaço d'Orfeu), a 14 de Dezembro numa das noites do OuTonalidades e a 19 deste mesmo mês, no sarau natalício da Escola Secundária Marques de Castilho.

Somos nós, querida Europa!

Parte a d'Orfeu por estes dias, Europa fora, ao encontro de qualificação ao mais alto nível em três cidades europeias. A operação, cuja oportunidade é irrepetível e por isso apadrinhada por organismos do poder público, redundará em inegáveis mais-valias técnicas e artísticas num quadro de intervenção pública da d'Orfeu nos domínios sócio-culturais.

Bruxelas (Bélgica), 5 a 7 de Dezembro de 2000
Jornadas Técnicas do Espectáculo e do Acontecimento Cultural
Journées Techniques du Spectacle et de l'Évenement
Financiador: Câmara Municipal de Águeda

Montpellier (França), 9 a 14 de Dezembro de 2000
Estágio Europeu de Formação para Intercâmbios de Jovens
Stage Europeen de Formation aux Échanges de Jeunes
Financiador: Comissão Europeia "Programa Juventude"/Instituto Português da Juventude

Lille (França), 14 a 17 de Dezembro de 2000
Encontros Jovens Criadores Europeus e Realidades Sociais
Rencontres de Jeunes Créateurs Européens et Realités Sociales
Financiador: Ministério da Cultura - Delegação Regional da Cultura do Centro

A primeira acção, de carácter essencialmente técnico, tratará questões como o espaço cénico, o equipamento e as normas europeias no domínio dos edifícios de espectáculos; a segunda, promoverá sinergias entre organizações juvenis e técnicos de vários países com vista ao desenvolvimento de projectos de intercâmbio multilaterais; e a terceira, de vocação sócio-artística, pretende promover a profissionalização e o alargamento dos projectos artísticos ligados ao tratamento de assimetrias sociais actuais.
A pertinência que para nós assumem estas frentes - diversas e complementares -, num quadro simultaneamente internacional, nacional, regional e local, valorizando as competências da d'Orfeu na sua dimensão mais pública e interventiva, empurram-nos para a responsabilidade deste desafio. Caberá ao coordenador Luís Fernandes avidamente colher os resultados desta imensa formação e, uma vez em Águeda, continuar a promover a multiplicidade deste projecto associativo que se chama d'Orfeu.

segunda-feira, 23 de outubro de 2000

OuTonalidades 2000 - 4ª Edição

Aí está a 4ª edição do OuTonalidades! O circuito de música ao vivo por bares do concelho de Águeda vai arrancar em força. Uma programação vastíssima vai fazer de Águeda, mais uma vez, destino cultural privilegiado para todos os públicos durante dois meses. Sempre pela mão da d'Orfeu, o OuTonalidades tem início marcado para 3 de Novembro e só termina no último dia do Outono.

Até 20 de Dezembro, acontecerão 38 animações, rotativamente pelos treze bares do concelho de Águeda que aderiram ao projecto. Com o evento pretendem-se cativar os públicos para propostas inovadoras em termos musicais, provocando uma migração que faça deste circuito inédito, ponto de referência regional e nacional.

O entusiasmo da adesão de todos os agentes envolvidos - grupos e bares - no OuTonalidades, vai repetir e multiplicar a grande festa resultante das anteriores edições, que se sucedem anualmente desde 1997. Cabe, aliás aos bares, o grande mérito desta imensa programação em Águeda, sendo que a sua participação no evento vem dependendo de uma forte vontade também cultural. São os ares de uma postura nova e contagiante e que, pelos vistos, vai continuar a lançar antídotos aos instalados comodismos.

O formato do evento apresenta-se com algumas inovações. O facto de uma maior distribuição dos espectáculos pelos dias da semana, fará com que Águeda viva esta festa quase ininterruptamente. Para além de cada um dos bares aderentes, serão também anfitriões da programação do OuTonalidades 2000 o bard'O e o Espaço d'Orfeu, onde aliás começará e terminará o evento.

A produção executiva e coordenação do "OuTonalidades" são asseguradas pela d'Orfeu. A Câmara Municipal de Águeda apoia o evento de forma institucional, permitindo o alargamento do horário nocturno dos bares, nas noites do "OuTonalidades". O evento é ainda considerado de manifesto interesse cultural pelo Ministério da Cultura, no âmbito da actividade global da d'Orfeu.

domingo, 1 de outubro de 2000

Impressionante Agenda!

Data e hora

Acontecimento

Local

Qua 11 Out 22:00

Chegada Músicos Expo’Hannover

Bard’O

Qui 12 Out 22:00

Biombo da Festa

Bard’O

Sex 13 Out 22:00

Assembleia Geral Extraordinária

D’Orfeu

Sáb 14 Out 22:00

Projecção Sérgio Godinho no Rivoli

Bard’O

Ter 17 Out 21:30

Biombo da Festa

Braga

Qua 21 Out 21:00

Reunião colectividade UNICC

D’Orfeu

Qui 26 Out 22:00

Oficina “Danças e Toques do Caramulo”

Bard’O

Sex 27 Out 20:00

Reabertura actividade Estudos Gerais

Espaço d’Orfeu

28 Out a 2 Nov

Biombo da Festa

Ponta Delgada

Sex 3 Nov 21:30

Andamento

CEFAS

Sáb 4 Nov 14:30

Oficina “Danças e Toques do Caramulo”

Hotel Caramulo

Sáb 4 Nov 23:00

Biombo da Festa

Novo Ciclo ACERT

Sáb 11 Nov 21:30

Biombo da Festa

Vale de Cambra

15 a 18 Nov

Strictly Mundial 2000

Zaragoza (Espanha)



E ainda...
-> as incontáveis animações no bard'O
-> o Outonalidades 2000

quarta-feira, 20 de setembro de 2000

Crónica de Hannover

Águeda fica a murmurar com o rio
e o avião bate as asas a memoriar
chegados fomos habitantes de um pátio alemão
e um tempo estranho no ar

Ora, nem chove nem sai de cima.

A bandita entra no terreiro
onde havia um sabor a Guarana
trocam-se disparates e joga-se a vida ao ar.
para que areje...

eis que triunfante surge o inesperado,
exactamente porque ninguém esperava...
Mario, a personagem.
Um ser dançante à beira de um ataque psicadélico
contador de histórias e viagens.
Falou de Zanduliak, o seu companheiro de sonhos
e o Caramulo, como não podia deixar de ser,
falou do seu enamoramento por Inana, uma paixão daquelas.
Até dormia de olhos abertos não fosse ela fugir

Entre lagos e planícies,
bosques e veados,
Entre Celle e Amsterdam
calhaus encontrados

Foi uma pedra pá
a Parada chanfrada
e a Plaza animada

e mais historias se perceberão no fim
que o bard'O é que as sabe traduzir

Xiktocas

domingo, 20 de agosto de 2000

Crónicas dos dias de Leicester II

Leicester descansou dois dias.

Domingo, em Coventry, onde tocámos para umas centenas largas de jovens de todo o mundo, no simpósio mundial "Values Have no Boundaries - Action For the Millennium" (fonte: a t-shirt que nos ofereceram), demos de caras com uns trinta portugueses. Tempo apenas para algumas conversas arranhadas num português em evidente mau estado, dada a fraca utilização por estas bandas. Ainda assim, e apesar das rudimentares condições técnicas, a nossa actuação foi um momento de euforia nacional.

Segunda-feira, em Londres, começou por causar estranheza o Big-Ben ser quase tão baixo como a Torre de Belém: a velha falibilidade dos postais. Depois, em frente ao Palácio de Buckingham, indignou-nos a rainha não ter saído à nossa passagem. Entretanto, a presença de David Beckham e a sua respectiva Spice Girl era motivo de uma grande romaria na Virgin Megastore mais central de Londres. Neste caso não era prudente o casal ter saído quando passámos, o que se compreende. A visita agitada acabou por sossegar para a tarde (levo essencialmente a experiência que os bancos de jardim de Londres são duros para dormir uma sesta).

Quando ninguém contava (até eu já tinha mudado o parágrafo), eis que em Londres estava "Lady" Raquel, também ela d'Orfeu. A feliz coincidência do encontro deveu-se a um ocasional palavreado captado numa loja de "souvenirs", atentando contra o preço das coisas numa linguagem familiar que me deteve. Bom, dos breves momentos conjuntos tiraram-se fotografias para provar que foi verdade.

O resto da semana foi dedicada a trabalho intenso nos workshops de design de t-shirt, de página web e de música. Repetidamente na Youth House toca hoje o CD com os três temas compostos e gravados no estúdio por portugueses, estónios e belgas, tendo Joe como técnico de som, ele que no mesmíssimo local já gravou os portugueses "Blackout" e "Hands on Approach". Aliás, foi em estúdio que dois dos belgas, John e Carmelo, se revelaram belíssimos músicos, eles que até aí eram apenas conhecidos do bilhar e das partidas de futebol no ginásio. Os estónios continuavam com resistência todo-o-terreno: impressionou especialmente o conforto dos seus pés descalços no refeitório da Youth House, onde todo o chão é laje. Fria. Em Inglaterra. Certo é que para eles tudo deve ser mais quente que a escandinava Estónia. No capítulo gastronómico, pouco ou nada melhorou nos dias de Leicester. Apenas se condimentam os momentos sofridos de algumas refeições, com "cromos" como Urmas, que se destacou na divina arte de enchafurdar ketchup em tudo o que tivesse aspecto comestível. O sortimento de ketchup da Youth House sofreu duro golpe nestes dias.

Também sofrido foi o jantar de bacalhau assado no forno confeccionado pelas portuguesas, sob as ordens da chefe Ana Balreira. O demolho feito pelos ingleses, comprovado nos escritos da embalagem, não terá durado meia-hora, pelo que o jantar foi particularmente salgado. Ainda assim, a delícia do tempero e o desvio dos fritos ingleses foram tudo para nós naquela noite.

As animadas noites de Leicester, na Youth House e arredores, com rotinas dedicadas a cerveja e a serenatas, conheceram mais uns capítulos nos últimos dias.

Quarta-feira, no centenário café West Cotes, jogámos "skittles", uma espécie de antepassado do bowling, com mecos rudimentares q.b. e numa sala com o encanto dos milhares de partidas ali jogadas.

Quinta, voltámos ao Shed. Registou-se nova euforia dos ingleses perante os excêntricos jovens músicos portugueses. Kenny ("the one man show" de que se falava na primeira crónica) mais uma vez teve pouco que fazer e, enquanto tocou, não esteve sozinho a animar as hostes. Ontem, sexta, Eddie (baterista de uma conhecida banda de Leicester e brilhante relações públicas da Youth House) levou-nos ao Guadi Bar, onde tomámos o último copo com irmãos estónios e belgas, eles que já hoje, manhã cedo para uns, noite tarde para outros, rumaram aos seus mundos de sempre. O mundo dos dias de Leicester foi um sonho, a dream, un rêve, uks unistus. Os nove portugueses têm mais dois dias de Leicester. Em trãnsito só.

Daqui a pouco, Mike leva-me a assistir ao Leicester X Aston Villa em futebol. Havemos de nos divertir no tempo que falta.

Goodbye Leicester!

Luís Fernandes

domingo, 13 de agosto de 2000

Crónicas dos dias de Leicester I

O "Abbey Park Show Festival" decorreu ontem, todo o sábado, no maior parque de Leicester. Este festival anual junta num só dia para cima de 30.000 pessoas e , entre eles, lá estivemos portugueses, estónios e belgas, a viver de perto um ambiente mais próprio de woodstock. Para além da animação de 5 palcos com o que de melhor existe na pop britânica, de milhentas diversões como na festa das Almas da Areosa mas muito maior e, a cada metro, uma roulotte de hambúrguer e batatas fritas, coube a Leicester um dia de sol escaldante. Em Portugal não estaria tão quente. A quase "desinteria" colectiva dos "fast foods" acumulados, mas os caminhos de ida e volta para o Abbet Park (uma hora a pé para cada lado) deixou KO toda a população da Youth House. Já "em casa", ao serão, houve mãos arduamente disputadas, reconhecidas pelos poderes das suas massagens. Costas recuperadas de sestas na relva, a noite segui, como se nada tivesse acontecido.
Portugueses e companhia voltaram a marcar a noite de Leicester.

Os dias de Leicester, para nós nada dependem do cinzento do tempo que faz (que até nem é tanto como se pinta). Mike e a sua equipa sonharam com a Youth House e aqui nos têm, a nós portugueses, aos belgas (os mais próximos do sentir latino) e aos estónios (esbeltas e bárbaros), tal como têm, todo o ano, a companhia de dezenas de comitivas de jovens oriundos de todo os estados membros da UE, ao abrigo deste ou daquele programa, no âmbito deste ou daquele intercâmbio. Tudo acontece na Youth House. É da Youth House que envio esta crónica. O tempo dos dias, perdemos-lhe sempre a conta, entre as incontáveis actividades Em inglês se fala! Invariavelmente, os instrumentos saem do saco e há por aqui música como nunca se ouviu. para Águeda levaremos um sonho mais. Daqueles que nos habituámos já a pensar que se concretizam. Vem cá, Europa!

Da Youth House, já sabemos, um complexo moderno construído há dois anos, cuja missão primeira é continuamente receber jovens da UE e desenvolver projectos multi-nacionais na área da música com a intervenção das novas tecnologias. Paredes meias com o corredor dos alojamentos, um senhor estúdio de gravação. Ao que se vai sabendo, aqui gravaram já algumas bandas pop-rock portuguesas. Aliás, é bem visível por toda a Youth House, a omnipresença portuguesa, num enorme poster do Festival Mundial da Juventude 98 em Lisboa e em inúmeras fotos expostas de gente que dizem ser portugueses, ora posados por estas bandas, ora com a presença destes ingleses em Évora, no Pinhal Novo ou em Lisboa.

O que eles gostam de portugueses confirmou-e-me mquando perguntei ao Mike, entre copos no Shed Club, porquê o convite aos portuguesas. O Paulo Brites estivera aqui em Novembro, com vinte representantes de outros países. Deste leque saíram convites para a Grécia (que não veio), Estónia, Bélgica e Portugal, para trazerem, agora sim, uma comitiva alargada e, sob o signo da música, concretizarem um projecto multi-nacional. Mike não precisava ter respondido, apesar de o ter feito (eu é que não pesquei tudo o que ele disse): apontou, com um sorriso encantado, para o Joca e para o Bruno que, a essa hora tocavam com o "one man show" contratado pela casa. Ainda assim, apanhei-lhe um sentido "I like the portuguese people". Essa noite no Shed (quinta-feira passada) foi de arromba, com todos os nove portugueses a brilhar. AO ponto de Mr. Rodrigo, professor catedrático da Universidade de Leicester e assiduo cliente do Club, reclamar ter sido a sua melhor noite no Shed, o que exprimiu em português quase correcto.

Excepção feita a essa noite no Shed (cujas torneiras fecharam tradissimo, vá-se lá saber porquês), todas as noites vemos os bares fecharem o balcão às onze da noite. Ao fim-de-semana, fecham especialmente tarde...às onze e vinte. Mesquinhos estes ingleses. O que não nos tem impedido de prolongar a "paraa"poeruguesa, Youyh House adentro, com serenatas toda a noite, batendo todo o sector feminino, porta sim porta sim. Ao fim destes cinco dias, este tipo de movimentação é já ritual e tem cada vez mais aderentes. Até à data, também já os belgas partilham os mesmos acordes e o mesmo sentido estratégico, com Vito, um filho de emigrantes italianos na Bélgica - à cabeça.
Quando está tudo acordado, vamos para a porta da Youth House, tocar para o quente destas noites de Leicester. A cidade não está em polvorosa, mas sente-se aqui e ali o reboliço satisfeito de gente de Águeda na rua.