quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Propostas para o fim-de-semana!

A d'Orfeu propõe duas realizações culturais no último fim-de-semana de Fevereiro:

No sábado 26 Fevereiro, pelas 21h30, sobe ao Centro Cívico de Barrô a criação “Olá Classe Média”, um espectáculo do Trigo Limpo teatro ACERT, integrado no programa das Itinerâncias.

No domingo 27 Fevereiro, pelas 15h30 na Fundação Dionísio Pinheiro, decorre o seminário “Águeda: Músicos no Tempo”, um encontro pelo prazer das histórias e memórias sobre o movimento musical de Águeda, invocando as figuras e os grupos que fizeram a história musical do nosso concelho ao longo das últimas décadas.

Qualquer das acções tem entrada livre.

Toda a informação disponível em www.dorfeu.com.

Fique já atento também à agenda das Itinerâncias para o mês de Março.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Pela boca morre o peixe



Não seriam o Trigo Limpo se, no passado 4 de Fevereiro, no auditório do Centro Comunitário de Recardães, não nos deixassem assim, com água na boca, dessa que transbordava do mar do palco, onde se balouçava um barco-peixe e onde se desenhavam a intriga e o poder entre três náufragos, em luta pela sobrevivência.

Nesta colagem de textos do Padre António Vieira, Slawomir Mrozek, Brecht e Karl Valentin, com dramaturgia e encenação de Pompeu José e interpretação de Ilda Teixeira, Pompeu José, Ruy Malheiro e Sandra Santos, o espectador vê-se confrontado com a conflitualidade na sociedade humana, representada alegoricamente por peixes, náufragos, tubarões do alto mar e peixinhos de aquário.

Que a experiência e a pesquisa continuam a ser a dominante desta companhia, a elaboração caracteriza a cenografia, a linguagem teatral é profusa, a música liberta ou desperta, consoantemente, e que a interpretação nos agarra nesses tão brevíssimos minutos de espectáculo, serão verdades quase corriqueiras na existência do Trigo Limpo. Nesta noite, como já em tantas outras, os actores vestiram-se de vários séculos e passaram-nos, como em mensagem de cibernauta, o mistério insolúvel da nossa história de humanos, dos homens comedores de homens, para esquadrinharmos, até que a memória se esbata e nos alivie. Deixaram-nos o menino nas mãos. É esse o papel da arte. É assim que fazem os artistas. Abrem-nos tanto os olhos que às vezes nos cegam, como diria Saramago.

E assim vamos “voando por dentro do azul”, de água na boca, com estas viagens promovidas, em boa hora, pela Câmara Municipal e a d'Orfeu.

Que a itinerância prossiga!

Odete Ferreira


sábado, 29 de janeiro de 2005

Itinerâncias - Fevereiro 2005

Fevereiro será um mês consagrado ao teatro. Na próxima sexta-feira dá-se o arranque do Ciclo “Isto é Trigo Limpo” integrado nas Itinerâncias pelas freguesias do concelho. É o regresso do Trigo Limpo teatro ACERT aos palcos de Águeda, pela mão da d'Orfeu.

A agenda de espectáculos deste mês é a seguinte:

Sexta-feira 4 Fevereiro, 21h30, no Auditório do Centro Comunitário de Recardães, o espectáculo teatral “Pela Boca Morre o Peixe”, pelo Trigo Limpo teatro ACERT.

Sábado 12 Fevereiro, 21h30, no Salão da Junta de Freguesia de Espinhel, o espectáculo “Monólogo a Duas Vozes”, uma criação da d'Orfeu.

E Sábado 26 Fevereiro, 21h30, no Centro Cívico de Barrô, a peça de teatro “Olá Classe Média”.

Toda a informação disponível em www.dorfeu.com

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

O ano d’Orfeu foi música por todos os lados

O ano cultural d’Orfeu 2004 viu no prolongamento do Mestiçal Peninsular nos últimos meses do ano (após a programação concentrada de Julho), a oportunidade de maior proximidade com o público regional e o retomar de uma agenda regular de concertos, facto que não se via em Águeda desde o ano mágico de 2002 (em que se programaram a Cimeira do Fole e o Festival O Gesto Orelhudo). Este nono ano de actividade da d’Orfeu representou mesmo o final de uma certa travessia que durou cerca de um ano e meio, um período em que a Associação se optimizou internamente, consolidou estrutura, preparou caminho e, assumindo a sua vertente criativa, rodou mais que nunca com os seus espectáculos pelo país e estrangeiro. E esta retoma gradual de programação local veio assim cumprir, no decorrer deste ano de 2004, o lançamento consistente de todas as frentes de oferta cultural que identificam a d’Orfeu de hoje.

Num retrospectiva pelo evento forte de 2004, o Mestiçal Peninsular - evento que proporcionou 10 (dez) concertos ibéricos ao ano cultural de Águeda e mais algumas extensões em freguesias e concelhos vizinhos -, vimos serem realizados ainda uma série de encontros e ateliers dedicados aos instrumentos tradicionais (a txalaparta, a guitarra flamenca, a guitarra portuguesa, a sanfona ou as panderetas galegas – estas com a visita das galegas do Conservatorio Folque de Lalin à d’Orfeu agora em Dezembro, na sequência da visita dos aguedenses em Abril passado), para além do Seminário que já abrira a temática no início do ano. Foi toda uma península redescoberta em Águeda.

Ano fora ainda: abre o Ciclo da Voz em Janeiro no alpendre do bard’O; faz-se a Ponte d’Orfeu-Québec com Luís Fernandes em Montréal desde Março e “La Bottine Souriante” em Águeda na volta; dedilham os instrumentos do Brasil na conferência de Lia Marchi em Maio; enche em Julho o quintal de jovens artistas brasileiros, equatorianos, espanhóis e portugueses num d’Orfusão Latino; aquece a última estação com o OuTonalidades de dimensão regional.

Pela estrada rodaram em 2004, o espectáculo “Emboscadas” – o grande tributo que Águeda conheceu já em Dezembro depois de digressão nacional -; “Toques do Caramulo” – o espectáculo de folk serrano do ano, com uma agenda invejável de concertos e que acaba de ser finalista do Arribas Folk -; o “Monólogo a Duas Vozes” – criação orginal que germinou e está já a chegar a palcos importantes -; o “PõePlay” – animação camaleónica de músicas do mundo para todos os ambientes; e outros espectáculos e animações em outras tantas ocasiões – em Dezembro acudiu-se à Catraia, Sangalhos, Aveiro e Águeda.

E foi ver jovens de uma d’Orfeu desassente em Madrid, Tunis, Paris, Pracatinat, Estrasburgo, Marrakech, Altamura, Wroclaw, Mauren, Sarajevo, Tárrega, Insbruck, Kranjska Gora, Tel Aviv e Praga, tudo num 2004 de forte mobilidade internacional.

A formação permanente com o Curso Tocata e a novidade do Curso Mensal de Concertina mantiveram a sua missão pedagógica a partir do Espaço d’Orfeu, onde também os campos de férias artísticas foram terapia. Fora de portas, foi decisiva a formação a tocatas de grupos folclóricos de vários concelhos, para além da parceria de animação artística com a Cerciag.

Ano após ano – e 2004 faz somar pontos – criam-se novas fidelidades com Mecenas, multiplicam-se adesões de Amigos, cimentam-se parcerias com instituições, protocolam-se sonhos com organismos oficiais, renovam-se práticas solidárias de fazer cultura colectiva e eis-nos chegados a um ponto em que há música por todos os lados. Menos por um.

Venha daí 2005, o ano dos 10 anos!
Tudo a postos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

CURTAS de NOVEMBRO

OuTonalidades continua a dar folhas!
O festival de OuTono continua a sua programação ininterrupta, depois de 9 espectáculos, 8 bares e 4 concelhos. Em Novembro as animações continuam pelo concelho de Águeda e, mais à frente, em Oliveira de Azeméis. É o mês de grupos como os Ibaris (Itália) que animaram o primeiro fim-de-semana de Novembro, mas ainda mais: Tomas Back esclarece o “Mistério do coiso... e outras histórias”, põePlay e Toques voltam à carga e o Jazz aparece no bard’O pelos Swingus. Acompanhe todo o programa em www.dorfeu.com

Mestiçal Peninsular chegou às freguesias
O certame da d’Orfeu soltou-se das fronteiras da cidade e começou já a chegar às freguesias. O espectáculo da casa “Toques do Caramulo” foi já apresentado em Valongo do Vouga e também em Aguada de Cima, numa oportunidade de mobilização de todo o concelho para o Mestiçal Peninsular, mas também de descentralização da programação cultural da d'Orfeu, retomando parcerias com dinâmicas associações locais, como são o caso respectivamente da Casa do Povo de Valongo do Vouga e da LAAC – Secção Cultural.

Depois da guitarra flamenca, a guitarra portuguesa

Será também fora da sede do concelho que terá lugar o próximo concerto do Mestiçal Peninsular: Pedro Caldeira Cabral, o mestre da guitarra portuguesa, apresenta-se no Auditório da Casa do Povo de Valongo do Vouga a 27 de Novembro. Mais um grande concerto a não perder.

d’Orfeu dá formação a grupos folclóricos da “Comum”
Este trimestre assinala a chegada das propostas d’Orfeu à Rede Comum, uma agenda cultural partilhada por sete concelhos dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda. A proximidade geográfica e a diversidade das suas propostas culturais, fazem da d’Orfeu um parceiro próximo ao espírito desta programação. Esta participação arranca com a mais pura ligação da d’Orfeu à cultura tradicional: um atelier dirigido a grupos folclóricos de vários concelhos na perspectiva de formação qualificada aos músicos das tocatas; e o espectáculo “Toques do Caramulo”, mostrando o “outro lado” da música deste lado da montanha.
13 Novembro: Atelier para grupos folclóricos no Centro das artes e do espectáculo de Sever do Vouga
13 Novembro: “Toques do Caramulo” no Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga
14 Novembro: “Toques do Caramulo” na Casa Cultural de Carvalhal de Vermilhas – Vouzela
21 Novembro: Atelier para grupos folclóricos Centro Cultural de Aguiar da Beira

Andamento no sarau da ACOAG
Um largo elenco da d’Orfeu abre o sarau da ACOAG a 20 Novembro no Cine-Teatro São Pedro. Primeiro a dança e os pregões num cruzamento entre o tradicional e o contemporâneo, o velho e o novo. Num segundo momento, será a Desgarrada entre a poesia popular e a erudita, pelo Andamento e pelo Pessoalmente da Escola Secundária Marques de Castilho, em mais uma encenação de Odete Ferreira.

Conferência de festivais europeus em Praga
O Festival Khamoro – um dos grandes festivais anuais dedicados à cultura cigana na Europa - convoca e reúne em Praga (República Checa), a 20 de Novembro próximo, programadores de festivais de música cigana de 18 países da Europa, entre os quais a d’Orfeu. Ali se pretende estabelecer cooperação em rede entre festivais, tornando mais forte a promoção da cultura cigana no espaço europeu e junto dos públicos de cada um dos países. Com estas práticas, também se promove directamente um mais alto nível profissional de artistas ciganos e a sua circulação na Europa. Práticas que espera a d’Orfeu poder fazer estender a Portugal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

Até já, guitarra portuguesa!

Contodo mi agradecimiento y cariño

por el recibimiento a mi grupo y mi musica.

Hasta pronto Águeda.

(José Antonio Rodríguez)


A 30 de Outubro, assim escreveu para Águeda, para o público do Mestiçal Peninsular, José Antonio Rodríguez, o andaluz, esse outro “El Cordobés”. Ali, no bard’O da d’Orfeu, onde as estrelas estão tu cá tu lá, como o mais mortal dos humanos. Eu queria ainda apanhar-lhe a voz, o riso, a opinião, até o silêncio com sentido. Que me falasse da alquimia do seu flamenco, da liberdade, do amor e da morte na sua guitarra, mas essas palavras já ele as tinha dito em palco, em grupo e em solidão. Que me contasse de Paco de Lúcia, de Astor Piazzola, Joan Baez e de outros com quem partilhou o palco, e da solidão dos artistas. Que dissesse Granada e Lorca.
Ensaiava ainda outras perguntas. “Excelência pura”, ouvi na mesa ao lado. E eu quis perguntar-lhe de que eternidades se fazem a excelência. E queria saber o que ele achava de uma associação que voa tão alto, com asas tão cortadas. Ali ao lado, fazia-se mais música do mundo. Os Ibaris tinham vindo de Itália e actuavam, contra a chuva, eles e público aconchegados a paredes de plástico. Ele que me dissesse o que acha de nós, que nos lesse a sina, que alguma cigana lhe há-de ter ensinado. Mas o meu espanhuel só chega para a sobrevivência. E fiquei entalada de perguntas. E juro aqui que eu seja espanhola, se um dia destes não vou aprender espanhol!
Entretanto, hasta pronto, Rodríguez!
Até já, guitarra portuguesa! Venha Caldeira Cabral, essa excelência que se segue!


Odete Ferreira